Pantanal preservado e privado surpreende em debate na Harvard, diz especialista
Painel aponta pecuária sustentável e parcerias como chave para conservar o bioma e apoiar moradores
Apesar de manter cerca de 83% da vegetação nativa preservada, o Pantanal ainda é pouco conhecido fora do Brasil. A constatação foi feita pelo diretor executivo do Instituto Taquari Vivo, Renato Roscoe, após participar de um ciclo de debates sobre biomas brasileiros na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Segundo Roscoe, que é doutor em Ciências Ambientais, a principal surpresa do público foi descobrir que a conservação do bioma depende, em grande parte, de áreas privadas.
RESUMO
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O Pantanal é pouco conhecido fora do Brasil, segundo o diretor do Instituto Taquari Vivo, Renato Roscoe, após debates na Universidade de Harvard. Com 83% da vegetação preservada, o bioma surpreendeu pesquisadores ao revelar que 97% do território sul-mato-grossense pertence a particulares, tornando produtores rurais essenciais à conservação. O encontro abordou pecuária sustentável, incêndios e deve resultar em publicação científica em revista ligada a Harvard.
A Taquari Vivo organizou, na semana passada, o Painel Pantanal durante o Lemann Dialogue. Roscoe esteve acompanhado de Teresa Bracher, coordenadora do Documenta Pantanal e presidente do Instituto Taquari Vivo, e de Gilson de Barros, pecuarista e pantaneiro. O encontro integra uma série de discussões promovidas também em instituições como a Universidade Columbia, a Universidade Stanford e a Universidade de Illinois, com foco em pesquisas sobre o Brasil.
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Área privada - Conforme Roscoe, em Mato Grosso do Sul, cerca de 97% do território pantaneiro pertence a particulares, com poucas unidades de conservação públicas. Esse cenário, de acordo com o especialista, reforça que a preservação depende diretamente dos produtores rurais. “Sem a participação da iniciativa privada, não é possível conservar um território tão grande. O produtor precisa ser visto como parte da solução”, afirmou.
Segundo o diretor, a dimensão territorial e a estrutura fundiária do bioma chamaram atenção do público, formado por pesquisadores brasileiros e estrangeiros. “Há um desconhecimento muito grande no exterior. Muitos ficaram surpresos ao saber que o Pantanal tem grande parte da vegetação preservada e que a maioria da área está em propriedades privadas”, explicou.
A discussão foi estruturada para mostrar convergências entre diferentes setores. O painel reuniu representantes da área ambiental e da pecuária tradicional pantaneira, com base em dados científicos fornecidos, principalmente, por pesquisadores da Embrapa Pantanal, e foi dividido em três blocos: histórico do bioma, situação atual e perspectivas futuras.
Renato Roscoe disse que a pecuária, principal atividade econômica do bioma há mais de 200 anos, esteve no centro do debate. “Se queremos falar de conservação, precisamos discutir como a pecuária pode continuar de forma sustentável. Ela ocupa a maior parte do território e, historicamente, tem convivido com a biodiversidade”, disse. Entre os exemplos citados estão projetos de certificação de fazendas pantaneiras sustentáveis, com indicadores de conservação da vegetação, da água e dos diferentes ambientes naturais.
Incêndios - O debate também abordou a percepção de que o fogo beneficiaria produtores. Segundo Roscoe, os próprios pecuaristas manifestaram preocupação com o aumento dos incêndios, impulsionados pela seca severa. “O fogo prejudica as propriedades, destrói cercas, compromete as pastagens e deixa o gado sem alimento. Há uma preocupação comum entre produtores e ambientalistas”, afirmou.
A seca foi apontada como um dos maiores desafios atuais, ao lado da necessidade de ampliar recursos para conservação e fortalecer parcerias. Durante o encontro, também foi destacada a importância da filantropia e da cooperação internacional para financiar ações de proteção ambiental e melhoria das condições de vida das populações locais.
Intercâmbio - Para o diretor do Instituto Taquari Vivo, outro ponto relevante foi o interesse crescente, mas ainda limitado, da comunidade científica internacional. “A Amazônia é muito mais conhecida. O Pantanal está começando a ganhar visibilidade, e isso é importante para atrair atenção e apoio”, disse.
Além da troca de experiências, o encontro deve resultar em uma publicação científica sobre os biomas brasileiros, elaborada pelos coordenadores dos painéis e participantes, a ser submetida a uma revista acadêmica ligada à Harvard. A expectativa é que o material amplie o conhecimento global sobre o Pantanal e fortaleça novas parcerias.
Roscoe afirma que voltou da experiência com a percepção de que o bioma ainda preservado representa uma oportunidade, mas exige ações coordenadas. “Temos um patrimônio muito valioso. O desafio é manter o Pantanal funcionando, preservar a biodiversidade e, ao mesmo tempo, garantir melhores condições de vida para quem mora lá”, concluiu.
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