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Meio Ambiente

Pela 1ª vez, Cras abriga cachorro-vinagre, bicho em risco de extinção

Por Mariana Lopes | 06/06/2012 14:19

O animal será encaminhado ao Criadouro Onça Pintado, em Curitiba, para reintegração ao ambiente natural dele

O cachorro-vinagre tem as patas com membranas interdigitais (Foto: Minamar Júnior)
O cachorro-vinagre tem as patas com membranas interdigitais (Foto: Minamar Júnior)

Em 24 anos, pela primeira vez o Cras (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) de Campo Grande abriga um cachorro-vinagre, animal em risco de extinção.

Segundo a bióloga do Cras, Nara Teodoro Pontes, ele foi entregue há dois meses em uma fazenda em Corumbá, por um caminhoneiro que o confundiu com um cachorro doméstico. Após os donos da propriedade perceberem que se tratava de uma espécie de animal silvestre, o entregaram ao Centro de Reabilitação.

O cachorro-vinagre, que recebe esse nome por causa da cor e do odor forte e característico, está com quase quatro meses de vida e prestes a ser encaminhado ao Criadouro Onça Pintada, em Curitiba, para reintegração ao habitat natural. De acordo com Nara, ele é um animal típico do Cerrado.

“Ele ainda está muito dócil, não sobreviveria na mata”, afirma a bióloga. Segundo ela, em casos como este, no qual o animal é encontrado em área que não seja urbana, o correto é deixá-lo no local. Se for próximo a estradas, Nara orienta a tentar colocá-lo próximo à margem para que ele volte à natureza.

O bicho tem 4 meses, segundo os funcionários do Cras, e cresce de 40 a 50 centímetros (Foto: Minamar Júnior)
O bicho tem 4 meses, segundo os funcionários do Cras, e cresce de 40 a 50 centímetros (Foto: Minamar Júnior)
A bióloga Nara explica que o cachorro ainda está muito dócil e não sobreviveria na mata (Foto: Minamar Júnior)
A bióloga Nara explica que o cachorro ainda está muito dócil e não sobreviveria na mata (Foto: Minamar Júnior)

Por ser o primeiro da espécie a chegar ao Centro de Reabilitação, a bióloga conta que houve dificuldade por não conhecerem os hábitos do animal. “Tivemos que pesquisar muito sobre ele, e ainda estamos descobrindo o bicho”, diz.

Como todo filhote, o jeito meigo e um tanto desengonçado do cachorro-vinagre chamou a atenção dos funcionários do Cras. “Dá até vontade de brincar com ele, mas daí a gente prejudica o animal, porque ele não pode criar laços com humanos”, explica Nara.

A médica veterinária do Cras, Claudia Regina Macedo Coutinho Netto, diz que o canino, quando no habitat natural, tem o perfil agressivo e arredio. “Como ele é filhote, ainda é muito dependente, então cria laços muito fácil, mas geralmente ele vive solitário na mata”, conta.

A espécie, segundo Claudia, pode crescer de 40 a 50 centímetros de altura, e não passa de 60 centímetros de comprimento. A espécie tem patas com membrana interdigitais, que permite que o cachorro seja mais ágil na água. No Cras, ele é alimentado de carne, frutas e leite. Na natureza, a principal presa do cachorro-vinagre são pequenos roedores e aves.

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