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Campo Grande, Quinta-feira, 25 de Abril de 2019

04/04/2019 13:20

Por falta da mãe, animais em reabilitação podem morrer mesmo após resgate

CRAS tem 400 animais que precisam de cuidados diários para sobreviver e serem soltos

Alana Portela
Filhotes de macacos precisam da atenção da mãe para se desenvolverem saudáveis  (Foto: Marina Pacheco)Filhotes de macacos precisam da atenção da mãe para se desenvolverem saudáveis (Foto: Marina Pacheco)

Diariamente o CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) de Campo Grande recebe vários filhotes de animais, que foram vítimas de acidente ou capturados por estarem em locais que apresentam riscos. Além dos ferimentos, os pequenos sofrem ao ficarem longe das mães e podem até mesmo entrar em depressão e morrer.

O coordenador do CRAS, Marlon Cezar Cominetti conta que a ausência da mãe pode prejudicar a vida do filhote, mas não propriamente pelo afeto. "A onça pode morrer por conta disso, não conseguimos prever, o animal entra em depressão. Mas é relativo porque os animais, até que se prove o contrário, não têm sentimentos. Os filhotes sentem falta, porém não é porque existe um laço afetivo e sim pois precisam dos cuidados materno ", disse.

Cominetti recorda do caso de um filhote de bugio que morreu de "tristeza". "Recebemos um há algum tempo que morreu provavelmente, de tristeza porque não tinha nada fisiologicamente. A gente não consegue dizer que é uma tristeza igual do ser humano, mas notamos na aparência. Ele fica apático, não brinca", contou.

Mas são muitas espécies de filhotes no CRAS que precisam lutar para sobreviver ao se separarem a mãe, como o de beija-flor, tamanduá e os papagaios. "Cuidamos do beija-flor no biquinho, mas quando está quase pronto para sair e pegar voo morre sem ter nenhum problema aparente. Tá perfeito, porém o que falta é a mãe. Recebemos ainda muitos tamanduás que se tivessem a mãe seria mais fácil. Filhotes de papagaio a gente dá comida dentro do papo, igual os pais fariam. Faz falta para todos. Alguns são mais sensíveis a ausência, diferente dos répteis que não costumam ter cuidado parental", explicou.

Araras crescem no CRAS, para depois voltarem à natureza.Araras crescem no CRAS, para depois voltarem à natureza.

Conforme o coordenador, quando o animal se encontra deprimido a saída é dar carinho. "Damos carinho, mas não podemos deixar que façam laços com humano. Temos que manter o equilíbrio entre carinho e isolamento para o bem deles", explicou.

De acordo com Cominetti, o CRAS atualmente tem cerca de 400 animais, entre répteis, aves, e felinos, inclusive, as duas oncinhas pardas que chegaram na terça-feira. "Aqui era para ser uma passagem rápida. Recebemos em média cinco animais por semana, mas nesse ano soltamos poucos desde janeiro", falou. O coordenador contou que algumas espécies são mais fáceis de soltar que outras.

"Os mais fáceis são os répteis, com eles não têm muito problema. Agora, mamífero já é mais complicado assim como as aves, isso num panorama geral. No entanto, de espécie a onça é mais difícil ainda por conta do espaço", afirma. "Temos um exemplo dos psitacídeos. Eles precisam voar, mas vão se aproximar das pessoas porque são sociáveis. Precisamos ver isso na hora de soltar também", complementa.

Instinto animal - Cominetti conta que apesar dos animais estarem no CRAS, eles não perdem o instinto. "O problema é que estão acostumados com a gente. Aqui não temos um recinto para treinar a onça para soltura, pois precisa de espaço de no mínimo 1 hectare. Outra questão é que é a mãe que ensina os filhotes a abaterem, sobreviverem", disse.

O CRAS recebe filhotes com frequência, dependendo da época. "Nessa semana já chegou um filhote de tamanduá e outro de capivara, que morreu logo depois, pois deve ter sofrido um trauma interno que ninguém percebeu", relatou.

Quarteto de papagaios no CRAS, que também chegaram filhotes.Quarteto de papagaios no CRAS, que também chegaram filhotes.


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