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Campo Grande, Sábado, 18 de Novembro de 2017

23/07/2017 10:17

Rio Paraguai ainda provoca inundação na região da Serra do Amolar

Silvio Andrade, site Lugares
Comunidade do Paraguai-Mirim cercada pelas águas - Fotos Sílvio AndradeComunidade do Paraguai-Mirim cercada pelas águas - Fotos Sílvio Andrade

A cheia considerada normal na planície pantaneira este ano, com pico de 4,80 metros na régua de Ladário em 30 de junho, está sendo atípica para as comunidades ribeirinhas do Rio Paraguai situadas entre o Paraguai Mirim e a Barra do São Lourenço, em Corumbá. As águas continuam acima do barranco e inundando campos, deixando o gado ilhado e muitas casas submersas.

O Paraguai está espalhado nessa região ao norte de Corumbá, se interligando com os banhados e estreitos, confundindo até mesmo os mais experientes piloteiros de barcos. Em alguns pontos onde o barranco tem uma altura de dois metros, a água ainda permanece a um metro e locais onde não existe margem o transbordamento permanece, permitindo aos ribeirinhos a locomoção apenas em suas pequenas embarcações.

Para o pesquisador Carlos Padovani, da Embrapa Pantanal, esta concentração de água no Amolar não parece algo incomum, e “pode ser considerada como um exemplo da variabilidade natural do sistema”, ou seja, sem influências de outros fenômenos atrópicos.

Com base em sua convivência há anos com a região, o pecuarista e dono de pousada Armando Lacerda, do Porto São Pedro (170 km de Corumbá), na região do Chané, conta que a vazão está atrasada e sinaliza que o rio está assoreado. O regime hidrológico este ano, segundo ele, foi normal, mas a calha do rio não suporta mais o volume de água de uma cheia nesses parâmetros.

Pista de pouso da Pousada São Pedro, onde a estrutura do porto também está debaixo de águaPista de pouso da Pousada São Pedro, onde a estrutura do porto também está debaixo de água

A pista de pouso da Pousada São Pedro está inundada e deve secar somente em final de agosto ou setembro, bem como o acesso por terra às lagoas banhadas pelo Rio Taquari. “Tudo indica que está havendo um represamento dessa água, pois o alerta do pico já foi dado em Ladário”, diz Lacerda. Abaixo do Chané, rumo Sul, os ribeirinhos ainda convivem com a água lambendo a porta de suas casas.

Lentidão que ocorre em Ladário, onde o rio baixou apenas 16 centímetros em 20 dias. Mas este cenário está dentro das previsões da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), órgão do Ministério das Minas e Energias que monitora o sistema hidrológico do Pantanal. Estava previsto o nível de 4,66 metros em Ladário, para esta quinta-feira (20), e foi registrado 4,64 metros.

O rio esvaziou rápido na região de Cáceres (MT), onde chegou a marca de 5,16 metros, no dia 2 de março, e reduziu 3,70 metros (nível de 1,46 metros nesta quinta). No meio do caminho, entre o alto e o baixo Pantanal, Bela Vista do Norte, cercada pela Serra do Amolar, também baixou além do previsto pela CPRM: 78 centímetros. Esse comportamento não justifica o volume de água no Chané e Paraguai-Mirim.

Água do Paraguai empurra os camalotes para a margem. Com o frio, pescadores ficam no prejuízoÁgua do Paraguai empurra os camalotes para a margem. Com o frio, pescadores ficam no prejuízo

Em outras regiões, abaixo de Corumbá, as previsões da CPRM e da Embrapa Pantanal estão se confirmando, demonstrando que o rio perdeu sua força desde junho. Porto Murtinho, que recebe o último pico antes do Paraguai entrar em território paraguaio, no extremo Sudoeste, apresenta o rio em queda (5,12 metros), depois do nível máximo de 5,54 metros em 30 de maio.www.lugares.eco.br



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