Seca ganhou força no Pantanal em agosto, aponta boletim do Cemtec
Índice indica piora ante julho; previsão mostra El Niño muito forte entre outubro e dezembro

A seca avançou e se intensificou na região pantaneira de Mato Grosso do Sul em agosto de 2026, segundo boletim do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima) divulgado nesta quarta-feira (23). O registro aparece no índice que considera a chuva e a evapotranspiração. Na comparação com julho, o relatório aponta o surgimento de focos isolados de seca severa. Em agosto do ano passado, o mesmo índice indicava condições úmidas no Pantanal.
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A seca avançou e se intensificou no Pantanal de Mato Grosso do Sul em agosto de 2026, conforme boletim do Cemtec divulgado nesta quarta-feira. O índice SPEI registrou valores entre -1 e -2 na região, com focos de seca severa. A chuva ficou abaixo da média histórica na maior parte do estado, com Corumbá 77% abaixo do esperado. Para outubro a dezembro, o Cemtec prevê El Niño muito forte, com chuvas e temperaturas acima da média.
O indicador, chamado SPEI, é analisado em períodos de três, seis e 12 meses. Na região pantaneira, predominaram em agosto valores entre -1 e -2, associados a condições de seca. Focos isolados chegaram à faixa de -2 a -3 nas análises de três e 12 meses, classificados pelo boletim como seca severa. O documento não identifica os municípios abrangidos por esses focos.
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Conforme o boletim, a chuva se distribuiu de forma desigual pelo Estado. Norte, noroeste e áreas pantaneiras tiveram os menores volumes, enquanto os maiores acumulados se concentraram no extremo sul. Na análise espacial do Cemtec, predominaram de 0 a 30 milímetros no norte e no noroeste e de 90 a 120 milímetros no extremo sul. A maior parte das estações monitoradas registrou chuva abaixo da média histórica para agosto.
Essa desigualdade também aparece nas estações da região pantaneira. Em Corumbá, a chuva ficou 77% abaixo da média histórica nas fazendas Eldorado da Formosa e Campo Zélia, onde foram registrados 6,6 milímetros em cada ponto. Na Serra do Amolar, o déficit foi de 33%. A Fazenda Barranco Alto, em Aquidauana, registrou 11% menos chuva que o esperado, e a Fazenda São Luís, em Porto Murtinho, 41% menos.
Entre os pontos de medição apresentados no relatório, Alcinópolis teve o menor acumulado, de 1,2 milímetro, 95% abaixo da média histórica da estação. Ponta Porã registrou o maior, de 119,2 milímetros, 126% acima da média. Também houve volumes superiores aos esperados em Aral Moreira e Porto Murtinho.

O que mudou desde julho - No boletim anterior, o Cemtec já mostrava pouca chuva em grande parte do Pantanal, mas apontava uma desintensificação geral da seca no estado em relação a junho. A análise de agosto identifica o movimento contrário na região pantaneira: avanço e intensificação da seca pelo SPEI. O centro de Mato Grosso do Sul manteve condições úmidas nas três escalas desse índice.
O nordeste continua sendo a área mais crítica do estado na análise de 12 meses do SPEI, com valores entre −2 e −3. Ainda assim, o relatório registra ligeira redução dos núcleos mais extremos nessa região em comparação com julho. Outro indicador, o SPI, que considera a precipitação, aponta melhora das condições de seca de curto e médio prazo em grande parte do estado. Na escala de 12 meses, persistem déficits no Bolsão e no sul. Cada índice examina uma dimensão da seca e deve ser identificado ao apresentar seus resultados.
No mapa do Monitor de Secas reproduzido pelo Cemtec, Ladário permaneceu em seca moderada de julho para agosto. Miranda, Aquidauana, Rio Verde de Mato Grosso, Coxim, Pedro Gomes e Corumbá aparecem na categoria de seca fraca em agosto. A tabela não lista municípios sul-mato-grossenses nas classes de seca grave, extrema ou excepcional. Portanto, a piora indicada pelo SPEI para a região pantaneira não corresponde a uma mudança de classe de Ladário nesse mapa.

Comparação com 2025 - Há um ano, o boletim de agosto descrevia condições úmidas nas regiões norte e pantaneira pelo SPEI. O índice de precipitação SPI também indicava excedente de chuva no Pantanal, e a seca fraca havia desaparecido da porção oeste do estado no mapa do Monitor de Secas. O cenário apresentado em agosto de 2026 é diferente, com avanço da seca pantaneira no SPEI. Essa comparação mostra a situação observada em cada período, mas não estabelece a causa da mudança.
Perspectiva para a primavera - O boletim também apresenta uma previsão de El Niño de intensidade “muito forte” entre outubro e dezembro de 2026, com manutenção dessa intensidade no trimestre de novembro a janeiro. A projeção do Cemtec para outubro a dezembro indica, de forma geral, chuva e temperaturas acima da média em Mato Grosso do Sul. O relatório cita a possibilidade de ondas de calor mais frequentes e tempestades mais intensas, mas ressalta que o El Niño atua de forma indireta e interage com outros sistemas atmosféricos. Trata-se de uma tendência para os próximos meses; o boletim não atribui ao fenômeno a seca observada em agosto.
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