Tatu-canastra grávida é registrada pela 1ª vez em área de plantação de eucalipto
Fêmea de aproximadamente 9 anos pesa 37 quilos, mede 1,52 metro e teve a gestação confirmada por ultrassom
Uma tatu-canastra grávida foi registrada pela primeira vez em uma área de conservação monitorada da Suzano, em Mato Grosso do Sul, em uma descoberta considerada inédita pelo projeto Canastras e Eucaliptos, desenvolvido em parceria com o ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres). O animal é uma fêmea adulta da espécie Priodontes maximus, com 37 quilos, 1,52 metro de comprimento e idade estimada em mais de 9 anos.
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Uma tatu-canastra grávida foi registrada pela primeira vez em área monitorada da Suzano, em Mato Grosso do Sul. A fêmea da espécie Priodontes maximus, de 37 quilos, teve a gestação confirmada por ultrassom. A toca fica em área de eucalipto conectada a região natural preservada, reforçando que a espécie pode habitar paisagens produtivas. O projeto Canastras e Eucaliptos, em parceria com o ICAS, monitora a fauna local desde abril de 2024.
A gestação foi confirmada por meio de um exame de ultrassom, tornando este o primeiro caso identificado entre os animais acompanhados pelo projeto, que atua no monitoramento e conservação da espécie no Cerrado sul-mato-grossense.
Segundo o ICAS, a toca da fêmea está localizada em uma área de cultivo de eucaliptos da Suzano, fato que reforça a capacidade da espécie de utilizar paisagens produtivas quando há conexão com áreas naturais preservadas.
Para a gerente de sustentabilidade da Suzano, Beatriz Távora, o registro representa um indicativo importante sobre a efetividade das práticas adotadas pela empresa nas áreas de cultivo e preservação.
“Para nós, encontrar uma tatu-canastra grávida em uma área da Suzano é motivo de celebração. O registro sugere que as práticas de manejo nas áreas de cultivo e de preservação podem contribuir para a manutenção de condições favoráveis à biodiversidade”, afirma.
A descoberta é considerada um marco para o projeto Canastras e Eucaliptos, que foi iniciado em abril de 2024 com foco em ações contínuas de monitoramento da fauna, reconhecimento de áreas e instalação de câmeras fotográficas ativadas por sensores. A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre o comportamento do tatu-canastra em paisagens compostas por áreas de cultivo de eucalipto e florestas preservadas, além de apoiar estratégias que favoreçam a conectividade entre habitats.
Além da confirmação da gestação, a equipe de veterinários realizou uma avaliação clínica completa da fêmea. Durante o procedimento, também foram identificados indícios de que o animal já teria tido ao menos um outro filhote, informação considerada relevante para estudos sobre reprodução da espécie nesse tipo de ambiente.
Como parte do acompanhamento, a tatu-canastra recebeu um transmissor de GPS, que permitirá aos pesquisadores acompanhar seus deslocamentos e entender melhor sua integração com o território do Cerrado. Também foi instalada uma câmera de monitoramento próxima à toca, possibilitando observação remota e produção de dados que poderão subsidiar futuras ações de conservação.
De acordo com Gabriel Massocato, biólogo do Programa de Conservação do Tatu-canastra do ICAS, o novo registro fortalece a importância das ações desenvolvidas no estado e ajuda a consolidar informações estratégicas para a preservação da espécie.
“Esse registro mostra que o tatu-canastra consegue utilizar paisagens produtivas quando ainda há conectividade com áreas naturais, o que reforça o papel dessas áreas na conservação da espécie. Esses dados nos ajudam a orientar ações mais eficazes de manejo e conservação, mostrando que é possível conciliar produção e biodiversidade quando há planejamento e compromisso com a natureza”, destaca.
Além do tatu-canastra, as câmeras fotográficas instaladas pelo projeto já registraram outras espécies nativas nas áreas monitoradas, como queixada, cateto, anta, tamanduá, irara e onça-parda. Os dados reforçam a riqueza ambiental de Mato Grosso do Sul e evidenciam a importância de iniciativas conjuntas entre setor privado e instituições de pesquisa para a preservação da biodiversidade regional.
A nova ocorrência amplia o conhecimento sobre o comportamento reprodutivo do tatu-canastra e oferece subsídios importantes para o desenvolvimento de políticas e práticas de conservação da espécie, considerada uma das mais emblemáticas da fauna brasileira.


