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Meio Ambiente

Tecnologia e pesquisa impulsionam salto nos registros de biodiversidade no País

Número de ocorrências catalogadas passou de 22,7 milhões para 37,5 milhões entre 2022 e 2025, aponta IBGE

Por José Cândido | 26/05/2026 15:03
Tecnologia e pesquisa impulsionam salto nos registros de biodiversidade no País
Garça-moura é uma das espécies que ajudam a revelar a riqueza da biodiversidade brasileira monitorada por pesquisadores e plataformas ambientais. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Brasil ampliou de forma significativa o mapeamento da própria biodiversidade nos últimos anos. Levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o número de registros de ocorrência de espécies no país saltou de 22,7 milhões para 37,5 milhões entre 2022 e 2025 — crescimento de 65,49%.

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O IBGE divulgou levantamento mostrando que os registros de espécies no Brasil saltaram de 22,7 milhões para 37,5 milhões entre 2022 e 2025, crescimento de 65,49%. O avanço reflete melhorias na coleta e digitalização de dados científicos, uso de satélites e maior participação de universidades. O estudo alerta, porém, para a desigualdade regional nos registros e reforça a necessidade de transformar esse conhecimento em políticas permanentes de conservação ambiental.

Os dados fazem parte da publicação “Avaliação dos Dados sobre a Biodiversidade Brasileira – 2025”, elaborada a partir de informações do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr), plataforma nacional que reúne registros científicos sobre fauna, flora e fungos em diferentes regiões do país.

O levantamento evidencia um avanço na capacidade brasileira de produzir conhecimento ambiental em meio ao aumento das pressões sobre biomas como Amazônia, Cerrado e Pantanal.

Segundo o estudo, houve crescimento expressivo na catalogação de aves, mamíferos, répteis, anfíbios, peixes, plantas e fungos, ampliando a base científica utilizada para pesquisas, políticas públicas e estratégias de conservação ambiental.

O avanço ocorre em um momento em que eventos climáticos extremos, queimadas e perda de vegetação nativa colocam a biodiversidade brasileira no centro das discussões globais.

O IBGE destaca que a ampliação dos registros não representa necessariamente aumento no número de espécies, mas sim melhora na coleta, integração e compartilhamento de informações científicas. O crescimento está ligado ao uso de novas tecnologias, digitalização de acervos, imagens de satélite, plataformas colaborativas e participação maior de universidades e instituições de pesquisa.

Em Mato Grosso do Sul, o tema ganha relevância principalmente por causa do Pantanal, considerado uma das maiores áreas úmidas do planeta e habitat de centenas de espécies de aves, mamíferos e peixes.

Especialistas apontam que a produção de dados ambientais passou a ser estratégica não apenas para preservação, mas também para economia, turismo sustentável e prevenção de impactos ambientais.

Outro ponto destacado pelo levantamento é a desigualdade na distribuição das informações. Algumas regiões do país ainda possuem baixa cobertura de registros científicos, especialmente áreas remotas e de difícil acesso, o que demonstra que parte significativa da biodiversidade brasileira ainda é pouco conhecida.

Para pesquisadores, ampliar o conhecimento sobre as espécies é fundamental para identificar áreas prioritárias de conservação, monitorar ameaças ambientais e orientar ações contra a perda de biodiversidade.

O Brasil é considerado um dos países megadiversos do planeta e concentra cerca de 20% das espécies conhecidas no mundo. O desafio, agora, é transformar o aumento dos registros em políticas permanentes de proteção ambiental e uso sustentável dos recursos naturais.