Riedel diz que MS abriu "guerra" contra facções e crime não terá espaço em MS
Candidato falou sobre campanha e plano que espera concretizar sendo reeleito
RESUMO
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Eduardo Riedel afirmou que Mato Grosso do Sul vive uma guerra contra facções criminosas e prometeu manter o confronto com o crime organizado, sem recuo do Estado. Ele defendeu mais apoio da União à segurança, citou investimentos em infraestrutura, educação e qualificação profissional, apoiou incentivos fiscais para atrair empresas e disse que, se reeleito, pretende ampliar a pavimentação urbana e o saneamento nos municípios.
O governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, afirmou que Mato Grosso do Sul enfrenta uma "guerra" contra facções criminosas e que as forças de segurança estaduais não vão recuar diante do avanço desses grupos.
Segundo ele, organizações criminosas tentam controlar rotas do tráfico, com disputa entre elas e esparramando violência na sociedade para ampliar a presença em municípios, situação que, na avaliação do governador, torna o confronto com as forças policiais "inevitável".
"Eu tenho que falar isso de maneira muito transparente: a gente está em guerra. No Brasil está instalada uma guerra", afirmou o candidato, em entrevista ao podcast Na Íntegra, do Campo Grande News. Ele aponta a captação de jovens para o crime organizado e as investidas para amedrontar e coagir moradores.
O governador citou como exemplo Cassilândia, onde Márcio Aparecido da Silva Filho, de 27 anos, e a enteada dele, de 3 anos e 8 meses, foram mortos em um ataque a tiros em agosto. A disputa entre facções esteve entre as linhas investigadas no caso. "Eles não têm escrúpulo nenhum, nenhum. Como a gente viu no confronto em Cassilândia, morrer uma criança de três anos de idade, assassinada por membros dessas facções", disse, reforçando que não pode haver condescendência.
Enquanto eu for governador do Estado, posso até sofrer críticas dessa situação, mas não vamos permitir que o crime organizado ocupe espaço, a função do Estado em Mato Grosso do Sul e aí, o embate é inevitável.”
Riedel pontuou que o enfrentamento é contínuo para impedir o avanço das facções. "A partir do momento que a gente recua, permite, 'não, vamos com calma', a gente está sendo condescendente. E aí eles já estão lá na frente. Já dominaram, já ocuparam, aí já estão cobrando de comerciante a segurança, aí é a ausência do Estado", afirmou.
O candidato ainda apontou a necessidade de a União ampliar investimentos para o policiamento, que ocorre em parceria com as forças estaduais. O Estado já vinha questionando, também, o ônus que fica para o sistema penitenciário estadual em custodiar traficantes. Segundo Riedel, o Ministério da Justiça enviou recursos e, com contrapartida do Estado, haverá a ampliação da estrutura do complexo da Gameleira.
Na entrevista, Riedel ainda falou sobre o ritmo menos intenso da campanha, com a mudança das regras limitando reuniões. Por outro lado, ele considera que a polarização que se repete a cada novo pleito, acaba dispersando os eleitores. Acha que as pessoas querem distância da polêmica, embora reconheça que o espaço da discussão tenha se ampliado no ambiente virtual. O candidato mencionou o desarranjo institucional que se instalou em Brasília, com o STF (Supremo Tribunal Federal) puxado para o centro da crise política em plena campanha eleitoral.
O cenário político brasileiro está afastando as pessoas da política. Eu acho que aí é mais grave, é mais estrutural, porque as pessoas estão acompanhando com um certo sentimento de afastamento da briga, da discussão.”
Para ele, esse desarranjo prejudica a estabilidade, trazendo consequências até para a economia. “A gente pode ter divergências políticas e na hora da eleição isso fica mais acalorado, briga aqui, briga ali, mas os poderes do Estado, as instituições do Estado, elas têm a capacidade de sentar à mesa e resolver seus problemas", afirma.
Para o governador elas não precisam ficar se agredindo mutuamente ou criando um rompimento institucional e o resultado acaba sendo para a população. "É péssimo, porque alguma consequência grave sai dali, que é o que está acontecendo no Brasil. E isso afasta as pessoas da política, afasta as pessoas do investimento, afasta as pessoas da segurança", acrescenta.
Sobre a movimentação que está fazendo desde o início da campanha, na metade de agosto, ele tem conciliado compromissos como governador com eventos eleitorais e viagens a cidades do interior.
O candidato também defendeu a política de benefícios fiscais como forma de atrair investimentos privados e apontou que esse cenário será sucedido por um novo meio de incentivar empreendimentos, após as mudanças previstas pela Reforma Tributária. Com o fim da possibilidade de isenções e descontos, a disputa entre estados e municípios vai ser para quem tiver mais condições de apoiar com infraestrutura.
Essa é uma discussão que vai existir lá na frente, como existem hoje as pessoas que são contra o incentivo fiscal para empresas que não viriam para cá se não fossem incentivos. Eu sou a favor.”
A mudança deverá ficar mais clara a partir de 2028, assim como o impacto na arrecadação de estados e municípios, que deixarão de recolher ICMS e ISS e no lugar passará a existir o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços). Há preocupação de que o Estado perca receitas com a mudança da incidência do tributo para o consumo, embora o texto da reforma preveja a existência de um fundo para compensar perdas.
Ainda sobre economia, Riedel pontuou a necessidade de apostar em qualificação de pessoas para atender o mercado de trabalho, com ampliação de ofertas na indústria, e considerou natural a instalação no Estado de empresas que se relacionem com indústrias já instaladas, como o processamento da celulose na produção de papel e outros produtos. “Por isso a minha prioridade é a educação. Porque não adianta você criar uma referência investimento que vai demandando cada vez mais pessoas qualificadas, formadas, preparadas, e não trabalhar a educação em paralelo a isso.”
Ao analisar movimentos globais, o candidato considerou que na geopolítica, o momento atual revela uma disputa que vai além do protagonismo comercial. Para ele, o que está em jogo é o comando das tecnologias. “Eu acho que a briga é muito maior do que a política em si. É pelo domínio do próximo passo, da IA (inteligência artificial), da manufatura, da tecnologia. Quem tiver esse domínio vai ter resultados para a sua gente de maneira muito expressiva e hegemonia global.”
Ampliar pavimentação
Questionado sobre ação que se propôs e não conseguiu concluir, Riedel apontou a pavimentação urbana dos municípios de Mato Grosso do Sul. Segundo ele, o Estado avançou no projeto, mas não conseguiu chegar ao patamar que pretendia. Riedel afirmou que o número de municípios com mais de 90% das vias pavimentadas passou de 20 para 38 e estimou que a cobertura de asfalto no conjunto das cidades subiu de cerca de 77% para 83% ou 84%, com cerca de 2,7 mil quilômetros de vias.
“Eu gostaria muito de ter ido além”, reconheceu. Riedel afirmou que pretende dar continuidade ao programa sendo reeleito, para levar a pavimentação a mais de 90% das vias em praticamente todos os municípios. O governador relacionou a meta aos investimentos em saneamento básico e disse considerar as duas estruturas essenciais para melhorar a qualidade de vida da população. “Eu só gostaria de ter entregado isso, mas a gente vai dar sequência”, afirmou.

