Apesar dos riscos do sol, tamanduá albino segue saudável após 4 anos em MS
Monitorado no Cerrado, Alvinho não apresenta lesões que preocupavam pesquisadores
Sob o sol do Cerrado de Mato Grosso do Sul, o tamanduá-bandeira albino Alvinho atravessou a fase mais vulnerável da vida sem apresentar os danos à saúde que preocupavam os pesquisadores. Após 4 anos de acompanhamento, ele permanece em liberdade, em boas condições de saúde e sem lesões na pele, nas mucosas ou nos olhos, estruturas mais suscetíveis à radiação solar pela ausência de pigmentação.
RESUMO
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O tamanduá-bandeira albino Alvinho, acompanhado há 4 anos no Cerrado de Mato Grosso do Sul, segue em liberdade e saudável, sem lesões na pele, nas mucosas ou nos olhos, segundo o Instituto de Conservação de Animais Silvestres. Ele mantém o peso estável, embora seja um pouco menor que outros indivíduos. Pesquisadores atribuem a proteção à pelagem densa, à cauda volumosa e aos hábitos de atividade, mas tratam as explicações como hipóteses. Ainda investigam a maturidade sexual e a genética do albinismo.
Exames clínicos e observações de campo realizados pelo ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres) mostram que Alvinho mantém o peso estável e apresenta parâmetros de saúde semelhantes aos de outros tamanduás-bandeira monitorados. Até agora, a equipe também não identificou diferenças expressivas em seu comportamento.
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O albinismo é uma condição genética rara na natureza, caracterizada pela ausência ou redução da produção de melanina, pigmento que dá cor e oferece proteção a estruturas como pele, pelos e olhos.
Alvinho já é um velho conhecido dos leitores do Campo Grande News. Desde que foi apresentado ao público, em dezembro de 2022, após ser encontrado em uma fazenda na região de Três Lagoas, o tamanduá albino protagonizou uma série de reportagens. O jornal acompanhou seus primeiros passos longe das costas da mãe, o crescimento que surpreendeu pesquisadores, a troca do colar de monitoramento e até a descoberta de que sua pelagem branca pode escurecer com o contato com o solo, ajudando na camuflagem.
Em fevereiro de 2025, ele voltou às páginas do portal após passar dois meses sem ser avistado e reaparecer saudável em uma área de mata fechada. Em dezembro, um novo registro mostrou o animal passando tão perto de pesquisadoras que quase esbarrou nelas.
Sol no Cerrado - A exposição à radiação ultravioleta era uma preocupação desde o início, explica o médico-veterinário do ICAS Danilo Kluyber. “Ele está muito bem adaptado e saudável”, afirma.
Para verificar essas condições, a equipe localiza o animal pelo menos uma vez por mês e faz uma inspeção visual. Uma ou duas vezes por ano, ele também é recapturado para exames clínicos e coleta de amostras de sangue, pelos e ectoparasitas, encaminhadas a laboratórios parceiros.
Embora seja um pouco menor e mais leve do que alguns indivíduos com pigmentação habitual, Alvinho não apresenta sinais de comprometimento da saúde.
O pesquisador explica que parte da explicação pode estar no próprio corpo do animal. A pelagem densa dos tamanduás-bandeira pode ajudar a reduzir a exposição à radiação solar. A cauda volumosa, usada para cobrir o corpo durante o descanso, também funciona como uma barreira contra o sol e as variações de temperatura.
Os horários de atividade são outra possível proteção, pois a espécie frequentemente se movimenta em períodos de menor incidência solar, o que pode contribuir para que Alvinho passe menos tempo exposto.
Essas explicações, porém, ainda são hipóteses. O acompanhamento precisa continuar para que os pesquisadores compreendam como a exposição ao sol poderá se refletir na saúde dele ao longo da vida.
Nem sempre à vista - Nas observações de campo, os pesquisadores perceberam que o branco da pelagem de Alvinho nem sempre permanece tão evidente. O contato com o solo e a vegetação modifica temporariamente a aparência dos pelos e pode ajudar o animal a se misturar à paisagem, sobretudo onde a vegetação é alta.
Alvinho conseguiu atravessar a fase juvenil, quando os tamanduás-bandeira estão mais vulneráveis à predação. Na vida adulta, esse risco tende a diminuir, embora não desapareça. Desde jovem, ele utiliza um colar VHF, que permite à equipe acompanhar seus deslocamentos.
Como a ausência de pigmentação nos olhos pode estar associada a alterações visuais e maior sensibilidade à luz, os pesquisadores querem saber se Alvinho escolhe locais mais protegidos, evita determinados horários ou modifica seus percursos para reduzir a exposição solar.
Os registros de deslocamento ainda serão analisados de maneira mais aprofundada e comparados aos de animais de idade semelhante. Essa etapa poderá revelar diferenças sutis que as observações de campo ainda não permitiram identificar.
Reprodução - Com a passagem para a vida adulta, a reprodução passou a ocupar espaço entre as perguntas da equipe. Nas avaliações realizadas em abril e julho de 2025, os órgãos reprodutivos de Alvinho ainda não apresentavam o desenvolvimento esperado para um indivíduo sexualmente maduro. Os pesquisadores seguem acompanhando sua evolução para compreender se ele alcançará a maturidade sexual e se o albinismo poderá exercer alguma influência nesse processo.
Até o momento, ele também não foi observado interagindo com uma possível parceira. A ausência de registros, entretanto, não permite concluir que exista uma alteração de comportamento. Tamanduás-bandeira são predominantemente solitários, e os encontros reprodutivos são difíceis de observar na natureza.
Genética - O albinismo pode resultar de uma variante genética herdada do pai e da mãe, mesmo que nenhum deles apresente a condição. Segundo a geneticista do ICAS Carla Gestich, os pesquisadores querem investigar sua frequência na população de Alvinho e como ela é transmitida.
Uma das hipóteses envolve o isolamento provocado pela fragmentação dos habitats, que pode reduzir a troca genética e favorecer a reprodução entre parentes. A perda de diversidade pode comprometer a adaptação e a resistência a doenças. A pesquisadora ressalta, porém, que um único animal albino não comprova isolamento ou perda de diversidade genética.
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