ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JULHO, SÁBADO  25    CAMPO GRANDE 21º

Editorial

A força das mulheres pode definir o futuro político de Mato Grosso do Sul

O peso de um voto que pode mudar uma geração

Por José Cândido | 25/07/2026 07:05
A força das mulheres pode definir o futuro político de Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul entra no próximo processo eleitoral com um dado que deveria orientar não apenas as estratégias dos candidatos, mas principalmente a reflexão dos próprios eleitores. Dos 2.025.001 cidadãos aptos a votar, 1.069.440 são mulheres.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Em Mato Grosso do Sul, das 2.025.001 pessoas aptas a votar, 1.069.440 são mulheres, representando 52,8% do eleitorado estadual. O dado reforça a responsabilidade do voto feminino nas próximas eleições. Especialistas destacam que a escolha deve ser racional, baseada em propostas, honestidade e competência dos candidatos. Cerca de 78% dos eleitores têm entre 25 e 69 anos, e 14,1% possuem ensino superior completo.

Elas representam 52,8% do eleitorado estadual, enquanto os homens somam 47,2%. Em outras palavras: mais da metade das decisões sobre quem comandará o Estado, representará Mato Grosso do Sul no Congresso Nacional e ocupará cadeiras na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal estará nas mãos das mulheres.

Mas o peso desse número vai muito além da estatística.

Ele revela que o eleitor, especialmente a mulher, deixou de ser apenas alvo de campanhas eleitorais para se tornar protagonista do resultado. Nenhum projeto político consistente pode ignorar essa realidade. E nenhuma eleitora deveria desperdiçar a força que possui ao transformar o voto em moeda de troca, favor pessoal ou simples reação às emoções do momento.

O voto continua sendo o instrumento mais poderoso da democracia. É ele que determina quem administrará bilhões de reais dos impostos, quem elaborará as leis, quem fiscalizará governos e quem tomará decisões que interferem diretamente na saúde, na educação, na segurança, na infraestrutura e no futuro econômico do Estado.

Mais do que nunca, a escolha precisa ser racional.

O eleitor não vota apenas na simpatia de um candidato, na beleza da propaganda ou na quantidade de seguidores nas redes sociais. Vota na capacidade de administrar, na honestidade, no preparo, na coerência entre discurso e prática e na história construída ao longo da vida pública.

No caso do eleitorado feminino, essa responsabilidade ganha dimensão ainda maior. As mulheres administram lares, lideram empresas, ocupam espaços cada vez mais relevantes na economia e na política, sustentam famílias e convivem diariamente com desafios que vão da violência doméstica à dificuldade de acesso à saúde, educação e mercado de trabalho. Conhecem, talvez como ninguém, os efeitos concretos das políticas públicas.

Isso não significa que devam votar em mulheres apenas por serem mulheres. Significa votar em quem apresente propostas consistentes, respeito às instituições e compromisso real com os problemas da sociedade. Representatividade importa, mas competência continua sendo indispensável.

Outro aspecto importante do perfil do eleitor sul-mato-grossense é sua maturidade. Quase 78% dos votantes têm entre 25 e 69 anos, uma faixa etária marcada pela experiência profissional, pela responsabilidade familiar e pelo contato direto com os serviços públicos. É um eleitor que conhece as dificuldades do dia a dia e tem condições de avaliar promessas com maior senso crítico.

Também chama atenção o avanço da escolarização. O maior grupo possui ensino médio completo (24,1%), seguido daqueles com ensino fundamental incompleto (23,6%), enquanto quase 14,1% concluíram o ensino superior. Esses dados reforçam que cresce a expectativa por campanhas baseadas em propostas, informação e debate qualificado, e não apenas em marketing ou ataques pessoais.

A eleição que se aproxima será decidida muito antes da urna eletrônica. Ela será construída na capacidade de cada cidadão separar fato de boato, informação de desinformação, compromisso de oportunismo.

A democracia não fracassa quando um candidato vence ou perde. Ela enfraquece quando o eleitor abre mão de pensar.

Se mais de dois milhões de sul-mato-grossenses compreenderem que o voto não é um favor ao candidato, mas uma responsabilidade com as próximas gerações, Mato Grosso do Sul já terá conquistado sua maior vitória antes mesmo da apuração dos votos.