ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
SETEMBRO, DOMINGO  20    CAMPO GRANDE 23º

Política

Câmara debate inclusão de educadoras infantis na carreira do magistério

Audiência ocorre amanhã (20) e irá discutir mudanças após lei federal reconhecer docentes das primeiras idades

Por Mylena Fraiha | 20/09/2026 13:09
Câmara debate inclusão de educadoras infantis na carreira do magistério
Professora da educação infantil durante aula com estudantes da Semed (Foto: Divulgação).

Profissionais que atuam diretamente com crianças nas unidades de educação infantil de Campo Grande poderão ter o enquadramento funcional discutido nesta segunda-feira (21). A Câmara Municipal realiza, às 9h, audiência pública para avaliar as mudanças necessárias na legislação local após a entrada em vigor de uma lei federal que ampliou o reconhecimento da categoria.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A Câmara Municipal de Campo Grande realiza nesta segunda-feira (21), às 9h, audiência pública para discutir o enquadramento funcional de profissionais que atuam na educação infantil. O debate, intitulado "Somos Todas Professoras", foi solicitado pela Fetam-MS e visa adequar a legislação local à Lei Federal nº 15.326/2026, que ampliou o reconhecimento da categoria e determina que o nome do cargo não pode impedir o enquadramento do trabalhador como professor.

Intitulado “Somos Todas Professoras”, o debate foi solicitado pela Fetam-MS (Federação Sindical dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Mato Grosso do Sul). A reivindicação envolve o reconhecimento de profissionais que exercem atividades docentes, mas ocupam cargos com outras nomenclaturas e, por isso, podem permanecer fora da carreira do magistério.

Sancionada em janeiro, a Lei Federal nº 15.326/2026 alterou a Lei do Piso do Magistério e a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional). A norma estabeleceu que o nome atribuído ao cargo não pode, sozinho, impedir o enquadramento do trabalhador como professor da educação infantil.

Para ingressar na carreira do magistério, porém, a lei estabelece critérios. O profissional precisa exercer função docente diretamente com as crianças, possuir formação no magistério ou em curso superior e ter sido aprovado em concurso público.

A mudança também reconheceu como parte do trabalho docente a integração entre cuidar, brincar e educar. Na prática, o enquadramento pode repercutir no acesso ao piso nacional, na organização da jornada e nos direitos previstos nos planos de carreira do magistério.

Atualmente, a Lei nº 11.738/2008 estabelece piso de R$ 5.130,63 para jornada de até 40 horas semanais e formação de nível médio na modalidade Normal. A legislação também determina que, no máximo, dois terços da carga horária sejam destinados à interação com os alunos.

Em junho, a Lei Federal nº 15.437/2026 voltou a modificar a Lei do Piso e incluiu expressamente os profissionais contratados por tempo determinado no conceito de trabalhadores do magistério, observada a formação mínima exigida pela legislação educacional.

A lei sancionada em janeiro determina que cada ente público responsável regulamente sua implementação. Por isso, municípios precisam revisar planos de cargos, nomenclaturas e regras de remuneração para identificar quais servidores atendem aos requisitos.

Em Campo Grande, parte desse processo começou antes da nova legislação federal. Em 2022, a prefeitura transformou 79 cargos de atendente de berçário, educador infantil e recreador em professor auxiliar de educação infantil. Os servidores eram concursados e atuavam nas Emeis (Escolas Municipais de Educação Infantil).

A rede municipal, contudo, também mantém profissionais com outras formas de contratação. Em março deste ano, a prefeitura abriu seleção para dois mil assistentes de educação, com jornada de 40 horas e remuneração de R$ 1,9 mil.

O edital exigiu ensino médio completo, enquanto cursos e experiências na área educacional foram utilizados como critérios de pontuação. O eventual alcance das novas regras sobre esses trabalhadores deverá considerar as funções efetivamente exercidas, a formação e a modalidade de contratação.

Mobilização – A reivindicação pelo reconhecimento profissional já levou assistentes de educação infantil à Câmara Municipal em fevereiro deste ano. Conforme noticiado pelo Campo Grande News, em fevereiro, a categoria ameaçou entrar em greve e pediu que a nomenclatura do cargo fosse corrigida para permitir a inclusão das trabalhadoras na carreira do magistério.

Na ocasião, as assistentes, contratadas por tempo determinado, também reivindicaram aumento do salário de R$ 1,9 mil para R$ 2,5 mil e vale-alimentação de R$ 300. As profissionais relataram ainda superlotação nas Emeis, episódios de assédio moral, desvio de função e falta de estrutura para atender as crianças.

“Sem nós, a Emei não abre. O professor não pode ficar sozinho”, afirmou à época a presidente do sindicato da categoria, Natali Pereira de Oliveira. Além da valorização salarial, o movimento defendeu a realização de concurso público e a participação das trabalhadoras na elaboração de futuros processos seletivos.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.