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Interior

Sidrolândia mergulha em onda de violência com mortes e atentados

Em pouco mais de um mês, crimes espalharam-se pela cidade e levantaram suspeitas de disputas entre facções

Por Bruna Marques | 20/09/2026 08:51


RESUMO

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Sidrolândia acumula uma série de homicídios, tentativas de assassinato e ataques armados desde agosto, com episódios marcados por violência extrema em diferentes bairros. O caso mais recente ocorreu na madrugada de domingo, quando uma mulher de 30 anos foi baleada nas pernas no Bairro São Bento. A Polícia Civil investiga possível ligação entre os crimes e disputas entre facções criminosas, como o PCC, após relatos e evidências colhidas nas ocorrências.

De uma execução dentro de casa após uma mulher ser feita refém a tiros disparados durante a madrugada, Sidrolândia acumula uma sequência de mortes e atentados desde agosto, com ataques que deixaram mortos e feridos em diferentes bairros. O episódio mais recente aconteceu na madrugada deste domingo (20), quando uma mulher de 30 anos foi baleada durante uma tentativa de homicídio no Bairro São Bento. O alvo dos atiradores era o amigo da vítima.

De acordo com o boletim de ocorrência, a mulher estava dentro de um carro, em frente a uma conveniência, na esquina das ruas Generoso Ponce e Tomás Cáceres, quando dois homens chegaram em uma motocicleta e começaram a atirar contra o amigo que estava com ela. Enquanto fugiam, os criminosos continuaram disparando e acabaram atingindo a vítima que estava dentro de um carro estacionado.

Ela foi socorrida e levada ao Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa, onde os médicos constataram duas perfurações, uma em cada perna, ambas transfixantes. No local do ataque, a Polícia Militar encontrou quatro estojos de munição calibre 9 milímetros deflagrados e cinco munições intactas.

O caso foi registrado como tentativa de homicídio e lesão corporal.

Poucas horas antes do novo ataque, na manhã de sábado, Douglas Amorim Lopes, de 36 anos, conhecido como "Douglinhas", foi assassinado a tiros no Bairro Jatobá.

Sidrolândia mergulha em onda de violência com mortes e atentados
Douglas Amorim Lopes assassinado a tiros na manhã de sábado (Foto: Reprodução)

O crime teve uma dinâmica que chamou atenção pela violência. Antes de chegar até Douglas, o atirador fez uma mulher de 28 anos refém e a obrigou, sob a mira de um revólver encostado nas costelas, a indicar onde ficava a casa da vítima.

A mulher caminhava pela Rua 29 de Julho quando foi abordada. Sob ameaça, acompanhou o criminoso até o imóvel.

Ao chegar ao endereço, o atirador localizou Douglas pela janela. Segundo o relato registrado pela polícia, a vítima reconheceu o homem e gritou: "Não, Morcego, não Morcego".

O suspeito respondeu: "Eu falei pra você que ia acontecer isto" e efetuou os disparos.

Douglas morreu antes da chegada do socorro. O autor fugiu e abandonou a camisa preta que usava no quintal de uma casa vizinha. A peça foi recolhida pela perícia.

A Polícia Civil passou a investigar a possível ligação do assassinato com as disputas entre facções criminosas que vêm sendo apuradas na cidade.

Adolescente morto a tiros - Na noite de 10 de setembro, um adolescente de 17 anos foi executado enquanto estava sentado com amigos em frente à residência onde morava.

Conforme o boletim de ocorrência, dois homens chegaram de bicicleta e efetuaram os disparos. O adolescente tentou se afastar dos atiradores, mas caiu nas proximidades da Rua Américo Carlos da Costa.

Uma testemunha apontou um possível autor, conhecido pelo apelido de "Neguinho SB", que estaria usando uma bicicleta roxa, agasalho cinza e capuz. O segundo suspeito não foi identificado.

Sidrolândia mergulha em onda de violência com mortes e atentados
Cleiderson Chaves da Rocha foi executado a tiros dentro de um quarto, no dia 26 de agosto, em Sidrolândia (Foto: Reprodução/Babalizando MS)

Durante as diligências, a polícia descobriu que a vítima havia se envolvido em duas discussões horas antes do homicídio. Uma delas ocorreu com um homem de 27 anos. A outra teria sido com um adolescente e, segundo familiares, poderia estar relacionada a uma disputa entre grupos criminosos.

A possibilidade de o assassinato ter relação com conflitos entre facções ficou entre as linhas preliminares da investigação.

Poucas horas depois da morte do adolescente, já na madrugada de 11 de setembro, Leomar Nunes foi baleado no Bairro Jatobá.

Dois homens chegaram de motocicleta, arremessaram duas garrafas contendo artefatos semelhantes a coquetéis-molotov contra uma residência e efetuaram diversos disparos.

Os objetos não entraram em combustão e não provocaram incêndio. Na perícia, foram encontrados cinco cartuchos calibre 9 milímetros deflagrados e outras quatro munições intactas.

Leomar foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado para uma unidade hospitalar, mas morreu posteriormente. Segundo testemunhas, os suspeitos fizeram referência a uma organização criminosa antes de iniciar o ataque. Os dois homens fugiram e não foram identificados.

Dois dias depois, na madrugada de 13 de setembro, outro ataque deixou um rapaz ferido. A vítima estava sentada em frente à casa de um conhecido quando um homem chegou em uma motocicleta e começou a atirar contra o grupo.

As pessoas correram, mas um dos tiros atingiu o rapaz na região dos glúteos e atravessou o corpo, provocando ainda uma fratura no cóccix. Ele recebeu os primeiros socorros em Sidrolândia e precisou ser transferido para a Santa Casa de Campo Grande para cirurgia e exames.

Mesmo ferido, conseguiu conversar com os policiais e afirmou que não conhecia o autor. Até o registro da ocorrência, não havia informações sobre a identidade do atirador, a motocicleta usada no crime ou a motivação do ataque.

Sidrolândia mergulha em onda de violência com mortes e atentados
Garrafas usadas em artefatos semelhantes a coquetéis molotov foram localizadas durante a perícia após o ataque no dia 11 de setembro (Foto: Direto das Ruas)

Agosto: Invasão de grupo armado - Antes da sequência de setembro, Sidrolândia já havia registrado episódios de extrema violência. Em 26 de agosto, Cleiderson Chaves da Rocha, de 22 anos, foi executado dentro de uma residência no Residencial Cascatinha Dois.

Um grupo de aproximadamente sete homens armados invadiu o imóvel durante a noite. Os criminosos chegaram chutando o portão e gritando: "Abre a porta que é a polícia".

Uma mulher que estava na residência foi rendida e obrigada a permanecer de joelhos na cozinha. A filha dela, de apenas 4 anos, também estava no imóvel.

Enquanto parte do grupo mantinha a moradora sob ameaça, dois homens subiram ao segundo andar e foram até o quarto onde Cleiderson estava. O rapaz foi morto com diversos disparos.

Depois da execução, os criminosos desceram e ainda atiraram contra o portão e a fachada da casa antes de fugir.

No quarto, os peritos encontraram um revólver calibre .38, carregado com três munições intactas. Estojos de munição calibre 9 milímetros também foram recolhidos.

A execução de Cleiderson ganhou novos elementos após uma câmera de segurança registrar parte da fuga dos criminosos.

Nas imagens, é possível ouvir ao menos 25 disparos antes que três homens apareçam correndo para fora da residência. Um dos suspeitos que permaneceu no imóvel atira contra o grupo, que revida enquanto deixa o local.

Durante a fuga, um dos homens grita uma expressão associada ao número utilizado pelo PCC (Primeiro Comando da Capital).

A investigação passou a apurar a possibilidade de que o crime estivesse relacionado a uma disputa entre facções criminosas.

Um homem de 31 anos apontado como integrante do grupo foi preso no dia seguinte, no Bairro São Bento. Com ele, os policiais encontraram uma pistola Mauser com numeração raspada, munições, aproximadamente 750 gramas de cocaína e uma balança de precisão.

No dia 31 de agosto, Pedro Martinz Filho, de 32 anos, conhecido como "Pedrinho", também foi preso preventivamente. Segundo a investigação, ele teria participado diretamente da execução.

Sidrolândia mergulha em onda de violência com mortes e atentados
Adolescente morto a tiros na noite desta quinta-feira, em Sidrolândia (Foto: Direto das Ruas)

Horas antes da morte de Cleiderson, outro assassinato já havia ocorrido em Sidrolândia.

Alessandro dos Santos, conhecido como "Costela", foi baleado no fim da tarde de 26 de agosto, em frente a uma borracharia na Rua Ponta Porã, na região do Cascatinha II.

Segundo o registro, o atirador chegou a pé e efetuou os disparos. Alessandro foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros em estado gravíssimo e levado ao Hospital Elmíria Silvério Barbosa, mas morreu horas depois. A motivação do crime não havia sido esclarecida.

As duas mortes, ocorridas em poucas horas, passaram a ser investigadas pela Polícia Civil diante da possibilidade de ligação com disputas entre grupos criminosos.

Ainda em agosto, no dia 15, Diogo Amorin Acosta foi baleado várias vezes no Bairro São Bento. Moradores acionaram a Polícia Militar depois de ouvirem diversos disparos e gritos. Os policiais encontraram Diogo caído no chão, com múltiplas perfurações pelo corpo.

Mesmo com dificuldade para falar, ele conseguiu informar o próprio nome e apontou um homem conhecido como "Maycon" como autor dos tiros.

Durante o atendimento, os socorristas encontraram uma mochila com documentos de uma motocicleta. Pouco depois, os policiais receberam a informação de que uma moto estava em chamas na saída de Sidrolândia, sentido ao distrito de Quebra-Coco.

O Corpo de Bombeiros controlou as chamas, mas o veículo ficou completamente destruído. Os documentos encontrados com Diogo eram da mesma motocicleta.

A vítima foi levada ao Hospital Elmíria Silvério Barbosa e depois transferida em estado gravíssimo para a Santa Casa de Campo Grande.

O suspeito apontado por Diogo não havia sido localizado até o registro da ocorrência.

Polícia investiga possível conexão - De agosto até este domingo, Sidrolândia acumulou uma sequência de homicídios, tentativas de homicídio e ataques armados que atravessaram diferentes bairros da cidade.

Os crimes apresentam dinâmicas distintas, mas alguns deles têm elementos semelhantes, como o uso de pistolas calibre 9 milímetros, motocicletas, grupos armados e ataques direcionados contra pessoas específicas.

Em diferentes ocorrências, também surgiram relatos de possíveis conflitos entre facções criminosas. A Polícia Civil investiga essas informações, mas ainda precisa esclarecer quais crimes efetivamente possuem relação entre si.

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