Concessão de título a Lula e Marina Silva gera bate-boca na Câmara Municipal
Vereadora chamou presidente de "bandido" e proponente do projeto defendeu isonomia
A votação de projeto legislativo para concessão de título de visitante ilustre ao presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e à Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, provocou discórdia na Câmara Municipal de Campo Grande.
RESUMO
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A votação para concessão de título de visitante ilustre ao presidente Lula e à ministra Marina Silva gerou polêmica na Câmara Municipal de Campo Grande. O projeto, que incluía também homenagens ao ex-jogador Zé Roberto e ao empresário Roberto Justus, foi marcado por debates acalorados entre os vereadores. Durante a sessão, a vereadora Ana Portela (PL) fez declarações controversas sobre o presidente, enquanto outros parlamentares defenderam a aprovação das homenagens. O bloco foi aprovado por 20 votos a 4, com quatro ausências registradas.
Lula e Marina Silva estarão em Campo Grande para a COP15 (15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres) este mês.
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Foram quatro projetos votados em bloco. Além do presidente e da ministra, estava em votação a concessão do título para José Roberto da Silva Júnior, o Zé Roberto, ex-jogador do Palmeiras e ao empresário Roberto Justus.
Durante a sessão, a vereadora Ana Portela (PL) se pronunciou e disse que a população deveria tomar cuidado. “Fechem suas casas”, alertou, pois Lula era bandido e, por esse motivo, iria votar contra o projeto.
O presidente da Câmara, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), alertou a vereadora que não deveria usar o termo, por ser pejorativo e pediu que fosse retirada da ata. Ana Portela rebateu, dizendo que não iria retirar, pois este é o pensamento dela e dos seus eleitores.
À revelia, Papy retirou da ata a palavra, na qual tudo o que é falado na sessão fica registrado.
Nos debates, os vereadores se pronunciaram sobre a votação. O vereador Ademar Vieira Junior (MDB) disse que a Câmara Municipal é casa democrática. “Eu aprendi com a minha mãe que, quando a gente recebe, a gente tem que receber independentemente de ideologia partidária, até porque essa Casa está votando. Seria até ruim negar isso nessa situação”.
Já o vereador André Salinero (PL) deixou claro que não era contra o título para o ex-jogador e o empresário, mas era contra a concessão para Lula e Marina. Sobre o presidente, alegou que era “persona non grata” na cidade e reclamou da conduta da ministra, que criticava o governo Bolsonaro, mas que hoje vive-se “desmatamento na Amazônia”. Por isso, votou contra o bloco de projetos.
O vereador Francisco Gonçalves de Carvalho, o Veterinário Francisco (União) citou a Bíblia para defender a aprovação dos projetos: “Na palavra de Deus, nós temos um direcionamento claro (...) todos devem sujeitar-se às autoridades governantes, pois não há autoridade que não venha de Deus”.
Proponente dos títulos para Lula e Marina Silva, o vereador Landmark Ferreira Rios (PT) criticou a postura dos colegas. “Acho que é uma falta de compromisso, as pessoas não têm compromisso com a cidade, com o país; nós estamos recebendo aqui um presidente da República, independentemente do partido”.
No fim, o bloco foi aprovado com 20 votos e 4 contra. Os contrários foram de André Salinero, Ana Portela, Herculano Borges (Republicanos) e Rafael Tavares (PL). No placar, constaram como ausentes Delei Pinheiro (PP), Lívio Leite (União), Neto Santos (Republicanos) e Veterinário Francisco.
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