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Lado Rural

Safra de milho em MS mantém alto potencial, mas clima e colheita exigem atenção

Produção estimada em 11,1 milhões de toneladas e alerta para riscos de vendavais e do El Niño

Por Jhefferson Gamarra | 03/08/2026 12:44
Safra de milho em MS mantém alto potencial, mas clima e colheita exigem atenção
Safra de milho safrinha durante colheita feita com maquinário em MS (Foto: Divulgação/Aprosoja)

A segunda safra de milho 2025/2026 em Mato Grosso do Sul segue com perspectivas positivas de produção, apesar dos desafios impostos pelas condições climáticas. Levantamento do Projeto SIGA-MS, da Aprosoja/MS e do Sistema Famasul, mostra que 71% das lavouras do Estado estão em boas condições, enquanto a estimativa de produção foi mantida em 11,139 milhões de toneladas, resultado esperado para uma área cultivada de 2,206 milhões de hectares e produtividade média de 84,2 sacas por hectare.

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Levantamento do Projeto SIGA-MS aponta que 71% das lavouras de milho safrinha em Mato Grosso do Sul estão em boas condições, com produção estimada em 11,139 milhões de toneladas em 2,206 milhões de hectares. Até 24 de julho, 24% da área foi colhida, com atraso de 7,6 pontos em relação à safra anterior. Alerta para possível El Niño forte reforça recomendação de colheita antecipada.

Os dados fazem parte do boletim semanal referente à quarta semana de julho, elaborado a partir de visitas técnicas realizadas em todas as regiões produtoras do Estado. O monitoramento considera informações de produtores, sindicatos rurais, empresas de assistência técnica e empresas privadas sobre desenvolvimento das lavouras, condições climáticas, operações agrícolas e indicadores econômicos.

De acordo com o levantamento, além dos 71% classificados como bons, outros 17,9% das áreas apresentam condição regular e 11,1% são consideradas ruins. As avaliações levam em conta fatores como ocorrência de pragas, doenças, plantas daninhas, falhas no estande de plantas, desenvolvimento vegetativo e potencial produtivo das lavouras.

Entre as regiões monitoradas, o Nordeste apresenta o melhor desempenho, com 96,7% das lavouras classificadas como boas. Em seguida aparecem o Norte, com 89,3%, e o Oeste, com 78,1%. Já a região Centro concentra a situação mais delicada, com apenas 57,9% das áreas em boas condições e o maior percentual de lavouras ruins do Estado, chegando a 23,8%. A região Sul-Fronteira também registra índice elevado de áreas comprometidas, com 17,7% classificadas como ruins.

Mesmo nas regiões com predominância de lavouras em boas condições, o boletim alerta para o risco de perdas causadas por vendavais ao longo do restante do ciclo produtivo. Em algumas localidades, também há preocupação com períodos de estiagem.

Outro destaque do levantamento é o avanço da colheita. Até 24 de julho, aproximadamente 24% da área cultivada havia sido colhida no Estado, o equivalente a cerca de 530 mil hectares. O ritmo, entretanto, está abaixo do registrado no mesmo período da safra passada, com atraso de 7,6 pontos percentuais. A região Centro lidera os trabalhos, com 28% da área colhida, seguida pela região Sul, com 26%, enquanto a região Norte apresenta apenas 4,2%.

Segundo o boletim, chuvas irregulares registradas durante a semana, com volumes entre 5 e 80 milímetros conforme o município, ajudaram na reposição da umidade do solo, mas também retardaram a colheita em áreas mais úmidas. A expectativa é de aceleração dos trabalhos nos próximos dias, desde que haja estabilidade nas condições meteorológicas.

A Aprosoja/MS também chama atenção para o comportamento climático esperado nos próximos meses. O boletim aponta possibilidade de atuação de um evento de El Niño de forte a muito forte, cenário que pode favorecer chuvas irregulares, ventos intensos e episódios localizados de granizo. Diante disso, a recomendação é que os produtores realizem a colheita assim que as lavouras atingirem o ponto ideal de maturação, reduzindo o risco de perdas na produtividade e na qualidade dos grãos.

Apesar dos riscos climáticos, o levantamento destaca que os resultados obtidos nas áreas já colhidas mantêm o otimismo para a safra. As produtividades verificadas durante a semana variaram entre 65 e 174 sacas por hectare, indicando elevado potencial produtivo e sustentando a expectativa de produção estadual acima de 11 milhões de toneladas.

O estudo também observa uma mudança no perfil das áreas cultivadas no Estado. Nesta safra, o milho ocupa aproximadamente 46% da área destinada à soja, percentual bem inferior aos cerca de 75% registrados em anos anteriores. Conforme o boletim, a redução está relacionada às limitações da janela de plantio definida pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), levando produtores a destinarem parte das áreas para culturas alternativas, como sorgo, milheto e pastagens, especialmente onde o risco climático é maior.

No mercado interno, o preço médio da saca de milho em Mato Grosso do Sul registrou leve alta de 0,17% entre os dias 20 e 27 de julho, sendo negociado a R$ 49,00. Já o indicador Cepea/Esalq fechou o período em R$ 65,47 por saca, com valorização de 0,38% na semana e de 2,78% em relação ao mesmo período do ano passado.