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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

10/05/2014 11:00

Eleição suplementar da OAB-MS pode ter mais votos nulos do que válidos

Josemil Arruda
Pela primeira vez em sua história, eleição da OAB-MS deve ter mais votos nulos do que válidos (Foto: arquivo)Pela primeira vez em sua história, eleição da OAB-MS deve ter mais votos nulos do que válidos (Foto: arquivo)

Há um grande risco de a eleição suplementar convocada pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil para a seccional de Mato Grosso do Sul (OAB-MS) se transformar num grande ato de protesto, com os votos nulos superando os válidos. Os dois maiores grupos de lideranças da advocacia sul-mato-grossense já admite que vão “boicotar” a eleição.

Será uma espécie de repúdio ao atual presidente da OAB-MS, Júlio Cesar Souza Rodrigues, que é rejeitado pela maioria das lideranças da advocacia por criar uma crise sem precedentes na história da entidade ao pactuar contrato considerado imoral com o então prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, o qual responde a processos éticos na entidade.

Também representará uma sonora rejeição à postura do Conselho Federal da OAB, que em vez de resolver a grave crise, seja punindo Júlio Cesar ou convocando eleição geral na entidade, preservou a presidência. A eleição, cujo prazo de inscrições de chapas termina na próxima sexta-feira (16), só vale para os quatro cargos da Diretoria da OAB-MS e vagas abertas de conselheiros depois da “renúncia coletiva”.

Vitorioso na eleição de 2012, o ex-grupo de Júlio César que comandou a renúncia no final de março, deixando o presidente isolado na OAB-MS, deve decidir na semana que vem pela não participação na eleição. “90% do nosso grupo entende que não tem como a gente participar da eleição. Saímos porque não dava para continuar com o Júlio Cesar. Nós, provavelmente, vamos defender o voto nulo”, informou Jayme da Silva Neves Neto, que era o tesoureiro da OAB-MS até a “renúncia coletiva” do final de março.

E essa posição do ex-grupo de Júlio César poderá inclusive ser publicamente anunciada até de ato de protesto contra a eleição. “Há possibilidade de fazermos um ato público em repúdio contra a eleição, com a participação da oposição e de presidentes de subseções do interior”, declarou Jayme Neto.

Meio voto não - O grupo que se denomina “oposição histórica”, comandado por ex-presidentes da OAB-MS, como Wladimir Rossi Lourenço, já decidiu que não vai participar da eleição parcial e está pregando abertamente pelas redes sociais “meio voto não”. Em carta aberta aos advogados, o grupo enfatiza que não seria coerente com seu discurso participar da eleição parcial, já que ingressou com representação no Conselho Federal da OAB contra Júlio Cesar e pediu eleição geral.

Integrante desse grupo, o advogado André Stuart acredita que a eleição suplementar da OAB-MS, marcada para 16 de junho, haverá a maioria de votos nulos, o que será histórico na entidade. “Acho que vai ser pelo que temos conversado com os advogados. Muita gente está insatisfeita com essa situação”, disse. “Advogado é crítico por natureza”, acrescentou.

Como a eleição na OAB é obrigatória, com punição de 20% da anuidade para quem não votar, que está em quase R$ 900, André Stuart não acredita em elevada abstenção, mas em anulação de votos. “A maioria das pessoas que estou conversando dizem que vão votar nulo ou em branco. Vai ser uma eleição do tipo 10 votos para Júlio e 5 mil votos nulos e brancos”, declarou o advogado. “Vai ser uma forma de repudiar o que Conselho Federal fez”, finalizou.

Mesmo que haja maioria de votos nulos e brancos, porém, o pleito terá validade e os vencedores assumiram os cargos, já que de acordo com o Estatuto da OAB o que deve ser levado em consideração são apenas os votos válidos.

Eleição passada – Na última eleição da OAB, no dia 20 de novembro de 2012, Júlio César, então apoiado pela gestão anterior e a maioria das principais lideranças da advocacia sul-mato-grossense, ganhou a disputa contra três outras chapas com ampla vantagem, tendo obtido

Ao todo, 6.525 advogados participaram da votação em Mato Grosso do Sul. Destes, 2.870 escolheram Júlio Cesar para presidente, da chapa “OAB Forte e Presente”, enquanto 2.462 votaram em Marco Túlio Murano Garcia, da chapa “Restabelecendo a Ordem”, que terminou em segundo. O outro candidato, Alexandre Bastos, da chapa “Renova Ordem”, ficou em terceiro, com 1.193 votos.



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