Força do interior: prefeitos ganham espaço no tabuleiro político de MS
Mobilização reúne gestores de quase 90% das cidades do Estado e reforça importância das administrações locais

A presença de cerca de 70 prefeitos e prefeitas em uma reunião política realizada em Campo Grande colocou os municípios no centro das articulações que começam a ganhar intensidade em Mato Grosso do Sul. Mais do que reunir lideranças em torno de candidaturas, o encontro mostrou o peso que os gestores municipais conquistaram na construção das alianças estaduais.
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Representantes de diferentes regiões participaram da reunião com o governador Eduardo Riedel (PP), Reinaldo Azambuja (PL), a senadora Tereza Cristina, o vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha e o ex-deputado estadual Renan Barbosa Contar, o capitão Contar. O número chama atenção: Mato Grosso do Sul tem 79 municípios e, portanto, a presença de aproximadamente 70 chefes de Executivos municipais representa parcela expressiva das administrações locais.
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O encontro evidenciou uma característica da política sul-mato-grossense: a força do municipalismo. É nas prefeituras que demandas por saúde, educação, infraestrutura, habitação e assistência social chegam primeiro, enquanto boa parte dos recursos necessários para atendê-las depende da relação com os governos estadual e federal.
Nesse cenário, prefeitos tornam-se peças importantes não apenas pela capacidade de articulação política, mas pelo conhecimento direto das necessidades de cada região.
Presidente da Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (Assomasul) e prefeito de Itaquiraí, Thalles Tomazelli falou em nome dos gestores presentes e atribuiu a mobilização à relação construída entre Estado e municípios nos últimos anos.
“Mato Grosso do Sul cresceu, se desenvolveu e hoje é um Estado cada vez mais pujante. Temos dois municipalistas que conhecem de perto a realidade das nossas cidades. A resposta está no apoio maciço dos prefeitos e prefeitas a esse projeto, para que Mato Grosso do Sul continue crescendo e avançando cada vez mais”, afirmou.
Prefeitos ganham protagonismo
A participação dos gestores municipais também revela como as prefeituras se transformaram em uma das principais pontes entre as decisões tomadas em Campo Grande e Brasília e os problemas enfrentados pela população.
São os prefeitos que administram postos de saúde, escolas e creches municipais, cuidam da manutenção urbana, enfrentam problemas de drenagem, pavimentação e transporte e precisam responder diariamente às cobranças dos moradores. Por isso, a relação com o Governo do Estado e a bancada federal costuma ter impacto direto na capacidade de investimento das cidades.
Durante a reunião, Reinaldo Azambuja defendeu a continuidade da parceria construída com os municípios durante sua passagem pelo Governo do Estado e reforçou apoio à reeleição de Eduardo Riedel.
Apesar das manifestações eleitorais, a presença dos prefeitos foi o componente político mais significativo da reunião. Ao reunir gestores de praticamente todo o Estado em Campo Grande, o encontro mostrou que as administrações municipais terão papel relevante nas articulações políticas dos próximos meses.
Também coloca sobre essa relação uma discussão que ultrapassa a eleição: o que os municípios esperam do próximo ciclo de governo.
Para prefeitos, independentemente das alianças partidárias, questões como repasses, obras, regionalização da saúde, infraestrutura urbana, estradas, habitação e capacidade de investimento continuarão na mesa depois que as urnas forem fechadas.
É justamente aí que o municipalismo deixa de ser apenas discurso político. A força demonstrada pelos prefeitos em uma reunião desse tamanho também aumenta a responsabilidade dos gestores de transformar capacidade de articulação em resultados concretos para as cidades que administram.

