A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

02/07/2013 10:13

Para CRM, denúncia contra Dobashi preocupa por privilégio à rede privada

Aline dos Santos
Beatriz Dobashi foi exonerada nesta terça-feira. (Foto: Arquivo)Beatriz Dobashi foi exonerada nesta terça-feira. (Foto: Arquivo)

A queda de Beatriz Dobashi, que nos últimos quinze anos comandou as secretarias de Saúde em Campo Grande e Mato Grosso do Sul e até 2012 presidia o Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), provocou apreensão nas entidades médicas.

Ontem, após divulgação de escutas da operação Sangue Frio, realizada em março pela PF (Polícia Federal), ela anunciou o pedido de afastamento. Hoje, a exoneração, a pedido, foi oficializada pelo governador André Puccinelli (PMDB).

Na gravação, a secretária e o diretor do HR (Hospital Regional) Rosa Pedrossian, Ronaldo Perches Queiroz, combinam como responderiam ao Ministério da Saúde solicitação sobre o interesse do Estado em repasse de aceleradores lineares para tratamento de pacientes com câncer. A manobra era para que equipamentos usados na radioterapia fossem enviados apenas ao HR e ao Hospital do Câncer, administrado na época por Adalberto Siufi. O diretor foi demitido. 

“Isso tem que ser apurado com rigor, porque a função dela é beneficiar a saúde pública, destinar o máximo dos recursos para melhorias da saúde publica, e não beneficiar a saúde privada”, afirma o presidente do CRM/MS (Conselho Regional de Medicina), Luís Henrique Mascarenhas Moreira.

Ele salienta que a decisão é delicada, pois as escutas levam a crer que havia certa resistência por parte da secretária pra implantação dos aceleradores lineares.

A operação Sangue Frio também respingou no próprio conselho. Em maio, o CRM divulgou nota informando que investiga a conduta dos médicos citados na operação e do assessor-jurídico do conselho. Em uma escuta, o advogado André Borges, dialoga com o médico Adalberto Siufi, investigado na ação.

O presidente do SinMed/MS (Sindicato dos Médicos), Marco Antônio Leite, afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que vai aguardar o desfecho das investigações.

Para o presidente da ABCG (Associação Beneficente de Campo Grande), Wilson Telensco, Beatriz Dobashi agiu corretamente ao se afastar. “Com essas denúncias, ela não tinha condições de fazer a gestão da saúde no Estado, e, assim, está preservando o governador”. A ABCG reassumiu em maio o comando da Santa Casa, maior hospital de Mato Grosso do Sul.

Sangue Frio – A ação revelou o submundo do tratamento contra o câncer, envolvendo denúncias de contratos suspeitos, superfaturamento, corrupção e formação de quadrilha. São investigados o HU (Hospital Universitário), o Hospital do Câncer e a clínica Neorad, que pertence a Siufi. (Colaborou Giselli Figueiredo)



Eu tinha a Beatriz como pessoa de reconhecido valor. Mas, agora vendo as gravações e o seu real interesse em privilegiar a rede particular de saúde em detrimento do interesse coletivo, me causa um grande desconforto e aversão. Que país é esse em que a população tão sofrida que está não tem acesso aos meios de saúde por resistência de autoridades que deveriam fazer de tudo para proporcionar o melhor possível? Uma vergonha tudo isso, e olha que é só a ponta do iceberg.
 
jorge oliveira em 02/07/2013 15:23:19
Aqui no presidio federal de C. G. está preso um rapaz de 25 anos que é acusado de ter cometido 49 homicidios (pistolagem). Não tenham dúvidas, este rapaz causou menos dor as suas vítimas pois eram mortas instantaneamentes com tiros na cabeça. E um médico que trama de maneira tão nefasta obstruindo que pacientes sejam tratados e assim diminuir a dor causada por doença tão cruel como este caso? Qual seria a pena que estes médicos deveriam ter? É só analisar. Como é que a Saude de uma Capital com um milhão de habitantes, fica nas mãos de 4 ou 5 médicos?
Bom se isto fosse nos EUA, ia virar filme e uma prisãozinha federal..
Mas poraquí, não vai dar em nada. É lamentável.
 
Valtrudes A. Martins em 02/07/2013 14:42:52
Tem que se ter cuidado nas acusações.Ninguém pode ser condenado sem antes se apurar os fatos.Devagar com as opiniões!
 
Yvone Weber em 02/07/2013 14:32:05
Concordo com o Sidney, se o CRM considerasse essas denúncias sem corporativismo, muitos aí teriam seus registros cassados.
 
Mathias Hanns em 02/07/2013 14:31:07
Pois é Sr. Presidente do CRM/MS, se isso ocorresse com um colega meu, certamente meu Conselho não passaria a mão em sua cabeça, pois isso, carateriza uma infração ética grave, que só poderia ser atenuada com a cassação do diploma da referida profissional, nesse caso cabe a máxima popular "A raposa cuidando do galinheiro".
 
SIDNEY BARBOSA NOLASCO em 02/07/2013 10:52:22
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions