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Política

"Política se faz cumprindo acordos", diz Reinaldo Azambuja sobre ampla aliança

Líder do PL diz que governos só permanecem quando entregam resultados à população

Por Vasconcelo Quadros, de Brasília | 06/08/2026 15:50
"Política se faz cumprindo acordos", diz Reinaldo Azambuja sobre ampla aliança
Durante entrevista ao Campo Grande News, Reinaldo Azambuja afirma que a política exige diálogo, cumprimento de compromissos e foco na entrega de resultados à população. (Foto Campo Grande News)

A capacidade de reunir nove partidos em torno de um mesmo projeto político, a estratégia para manter a base governista unida e os desafios de uma eventual atuação no Senado são alguns dos temas abordados pelo ex-governador e candidato ao Senado, Reinaldo Azambuja (PL), em entrevista exclusiva ao Campo Grande News.

RESUMO

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Reinaldo Azambuja (PL), ex-governador e candidato ao Senado por Mato Grosso do Sul, afirma que o segredo para reunir nove partidos em uma aliança é a confiança entre os envolvidos. Em entrevista, ele defende a continuidade do modelo de agroindustrialização, critica a ausência do governo federal nas fronteiras e elenca como prioridades no Senado a Rota Bioceânica, a Malha Oeste e o combate ao crime organizado.

Ao explicar como foi construída a maior aliança política de Mato Grosso do Sul, ele atribui o sucesso à confiança entre os aliados e resume sua fórmula em uma frase: "Política se faz cumprindo acordos."

Na entrevista, Reinaldo também fala sobre a parceria com o governador Eduardo Riedel, defende a continuidade do modelo de desenvolvimento baseado na agroindustrialização, critica a atuação do governo federal na segurança das fronteiras e afirma que, se eleito, pretende levar ao Senado pautas consideradas estratégicas para o Estado, como a Rota Bioceânica, a retomada da Malha Oeste e o fortalecimento do combate ao crime organizado.

Veja a entrevista:

Como foi possível reunir nove partidos e interesses divergentes em torno de um mesmo projeto?

Esse processo começou depois da eleição de 2022. Havia uma divisão entre os grupos políticos, inclusive na direita. Nas eleições municipais de 2024 conseguimos reaproximar forças que antes estavam separadas e construir uma aliança que deu certo. O principal fator foi a confiança. Política se faz cumprindo acordos. Além disso, um governo bem avaliado aproxima até antigos adversários. Quem reconhece resultados acaba entendendo que vale a pena participar do projeto.

Há quem diga que o seu grupo caminha para uma hegemonia política rara no país. Isso não preocupa?

O que sustenta qualquer grupo político são os resultados. Nenhum projeto permanece por muito tempo sem entregar melhorias para a população. Nossa força vem das políticas públicas, da geração de empregos, dos investimentos em infraestrutura, educação, programas sociais e da segurança jurídica oferecida aos investidores. Quando o cidadão deixa de enxergar resultados, ele muda o governo. É assim que funciona a democracia. Por isso acredito que nossa permanência depende exclusivamente da capacidade de continuar entregando resultados.

Se o senhor for eleito senador e Eduardo Riedel reeleito, o seu grupo poderá permanecer por muitos anos no comando do Estado. O senhor se considera um líder de grupo ou construtor de um sistema de poder?

Primeiro, acredito que construímos um governo baseado em boas políticas públicas e em reformas estruturantes. Se eu for eleito senador, quero ajudar o Brasil. O país enfrenta um momento delicado, com elevado endividamento público, famílias endividadas, dificuldades no agronegócio e uma máquina pública muito grande. Precisamos reorganizar as contas públicas, fortalecer o equilíbrio entre os Poderes e permitir que o Legislativo exerça plenamente sua função constitucional. Quero contribuir para que o Brasil tenha um projeto de país, e não apenas um projeto de poder.

O governador Eduardo Riedel ficou responsável pela gestão e o senhor pela articulação política. Essa divisão foi planejada?

Sim. O Eduardo sempre foi extremamente preparado para a gestão. Quando assumiu o governo, combinamos que eu ficaria mais dedicado à articulação política. Foi exatamente isso que fizemos. Conseguimos organizar uma ampla coligação, fortalecer os partidos e criar um ambiente favorável para a eleição.

O projeto econômico continuará baseado no fortalecimento do agronegócio ou há alguma mudança prevista?

O modelo continuará. O que fez Mato Grosso do Sul viver esse momento foi a segurança jurídica oferecida aos investidores e um marco regulatório moderno, especialmente na política de incentivos fiscais. Mas hoje não falamos apenas do agro. O foco principal é a agroindustrialização. Estamos agregando valor à produção, industrializando carnes, fortalecendo a agricultura, a suinocultura e a bovinocultura. Além disso, acreditamos muito no impacto positivo da Rota Bioceânica para reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade do Estado. Nos últimos onze anos e meio praticamente dobramos a área plantada, ocupando principalmente áreas de pastagens degradadas, com pouca necessidade de desmatamento. Ao mesmo tempo, multiplicamos a produção de grãos e consolidamos Mato Grosso do Sul como um dos principais polos de celulose do país. Acredito que esse potencial continuará crescendo nos próximos anos.

O senhor se sente confortável no PL?

Muito. Sempre fui uma pessoa do diálogo. Nunca fui adepto de radicalismos. A direita mais conservadora já está conosco. O desafio agora é ampliar esse apoio e atrair o eleitorado de centro. A política precisa ser feita com inteligência, diálogo e construção de consensos. O radicalismo muitas vezes afasta pessoas que concordam com o projeto, mas não com os excessos.

Como o senhor avalia a disputa no Estado?

As pesquisas são positivas, o governo é bem avaliado e existe um sentimento de continuidade nas pesquisas qualitativas. Mas eleição se decide durante a campanha. Nossa oposição (Fábio Trad) ainda não apresentou um projeto consistente. Muitas vezes faz críticas ao governo, enquanto integrantes do próprio governo federal reconhecem publicamente a qualidade da gestão fiscal e das políticas públicas de Mato Grosso do Sul. Confio muito no nosso grupo, nos prefeitos, vereadores, lideranças e na força política construída ao longo dos últimos anos.

Prioridades no Senado

"Política se faz cumprindo acordos", diz Reinaldo Azambuja sobre ampla aliança
Reinaldo Azambuja afirma que a confiança entre os aliados e o cumprimento de acordos foram determinantes para a construção da ampla aliança política em Mato Grosso do Sul. (Foto Campo Grande News)

Caso seja eleito senador, quais serão suas prioridades em Brasília?

Vou defender os interesses de Mato Grosso do Sul. Há temas que acompanho há muitos anos, como a regulamentação da reforma tributária, a retomada da Malha Oeste, a consolidação da Rota Bioceânica, o fortalecimento da política de fronteiras e o financiamento da saúde pública. Também quero discutir a situação do sistema prisional. Mato Grosso do Sul abriga milhares de presos por tráfico de drogas que deveriam ser uma responsabilidade compartilhada pela União.

Como o senhor avalia a política de segurança nas fronteiras?

O maior problema continua sendo a ausência do governo federal nas fronteiras. Hoje quem faz o trabalho diário são as forças estaduais. Precisamos de uma presença muito maior da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e das Forças Armadas. Mato Grosso do Sul lidera apreensões de drogas e acaba pagando praticamente sozinho a conta do sistema prisional. Essa é uma responsabilidade nacional.

O senhor concorda com a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas?

Entendo que são grupos terroristas, extremamente violentos, que dominam territórios, impõem medo à população e desafiam o Estado. Independentemente da classificação jurídica adotada por outros países, o Brasil precisa fortalecer a integração entre União, estados e municípios para enfrentar o crime organizado de forma mais eficiente.

Como o senhor gostaria de ser lembrado na política de Mato Grosso do Sul?

Gostaria de ser reconhecido por ter tido coragem de fazer as reformas de que o Estado precisava. Também espero ser lembrado como alguém que sempre dialogou. Conversei com aliados e adversários porque acredito que boas políticas públicas se constroem com diálogo. No fim, o reconhecimento vem pelos resultados entregues à população.