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Política

Prefeito é o 1º investigado de MS por furar fila da vacina contra a covid

Dentista, Valdir do Couto Junior afirma ter tomado a dose a pedido dos caciques da aldeia Brejão

Por Marta Ferreira | 22/01/2021 13:21
Valdir do Couto Junior no momento em que recebeu a dose de Coronavac em aldeia de Nioaque. (Foto: Reprodução de notícia de fato ao do MPMS)
Valdir do Couto Junior no momento em que recebeu a dose de Coronavac em aldeia de Nioaque. (Foto: Reprodução de notícia de fato ao do MPMS)

Foto postada na internet, na terça-feira (19 de janeiro) denunciou o prefeito de Nioaque, o dentista Valdir do Couto Junior, 37 anos, como o primeiro “fura-fila” oficialmente investigado em Mato Grosso do Sul por descumprimento das prioridades para aplicação da vacina contra a covid-19.

Couto, reeleito este ano, é candidato em chapa única à presidência da Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul). Ele diz que tomou a dose por ser profissional de saúde e para incentivar os índios da aldeia Brejão.

A imagem enviada à Ouvidoria do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul-), mostra o exato momento em que ele recebe a dose de coronavac no braço. Pelas regras, só indígenas e profissionais da saúde na linha de frente além de idosos em asilos estão nessa lista da primeira fase.

De posse da foto, MPMS abriu apuração para saber se o prefeito cometeu ato de improbidade. Foi enviado ofício à Secretaria de Saúde de Nioaque pedindo explicações sobre o fato.

A promotora responsável, Mariana Sleiman, solicita a listagem ou as fichas individuais de todas as pessoas vacinadas nas aldeias no dia 19/01/2021, “incluindo a ficha do atual prefeito de Nioaque”.

Foram marcados depoimentos, para hoje. De antemão, ofício ao prefeito também pede esclarecimentos, no prazo de dois dias, por ter se vacinado “sem se enquadrar nos grupos prioritários definidos no Plano Estadual de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19, adotados pelo Plano Municipal publicado no Diário Municipal deste município”.

Os autos, depois, devem ser encaminhados ao MPF (Ministério Público Federal), como está descrito na notícia de fato, nome técnico desse tipo de denúncia.

Explicação – Em nota, Valdir do Couto Junior disse ter recebido o imunizante a pedido dos caciques da comunidade indígena e de técnicos da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena).

Com objetivo de incentivar a vacinação no povoado, que estava resistente à imunização, e mostrar que a vacina não oferece riscos de saúde”, diz o texto.

Segundo diza a nota, no mesmo dia em que o prefeito foi vacinado, apenas 69 indígenas aceitaram receber o antivírus.

 O prefeito reforçou ser profissional da área da saúde e atuar na linha de frente da pandemia. Conforme a nota, é membro da Coordenação de Vigilância Sanitária do município de Nioaque, citando decreto publicado no Diário Oficial da cidade.

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