Quinze candidatos em MS mudam declaração de cor na Justiça Eleitoral
Campo Grande News cruzou dados do TSE e identificou alterações no registro de cor e raça de 2022 para 2026

Cruzamento de dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) feito pelo Campo Grande News aponta que 124 candidatos a todos os cargos neste ano disputaram eleição também há quatro anos. Desses, 15 alteraram a autodeclaração de raça ou cor para o pleito em 2026.
RESUMO
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Levantamento do Campo Grande News com dados do TSE revela que 15 dos 124 candidatos que disputaram eleições em 2022 e 2026 alteraram a autodeclaração de raça ou cor entre os dois pleitos. As mudanças mais frequentes ocorreram entre as categorias pardo e branco. A prática é legal, mas levanta questionamentos diante das regras de cotas, que obrigam partidos a destinar ao menos 30% dos recursos eleitorais a candidatos pretos e pardos.
A mudança de classificação é permitida pela legislação eleitoral e depende do preenchimento da ficha de autodeclaração feita pelo próprio candidato no momento do registro do pedido de candidatura.
A migração de cor mais recorrente ocorreu na alteração entre pardos ou brancos.
De pardo em 2022 para branco em 2026: Carlos Bernardo (União), Chicão Vianna (Republicanos), Jeferson Bezerra (Agir), Lya Santos (Rede) e Rosana Santana (Novo).
De branco para pardo: Adauto Souto (PDT), Adonis Marcos (Cidadania), Beto Pereira (Republicanos), Eduardo Borges (PT), Gilmar Garcia (PV) e Zé Teixeira (PL) alteraram a autodeclaração de branca para parda.
O levantamento também identificou outros casos envolvendo as categorias amarela e preta.
Gilberto José Silva, o "China" (Avante), registrado como amarelo em 2022, declarou-se branco em 2026. Já Roberto Hashioka (Republicanos), candidato a deputado federal, fez o caminho inverso, mudando a autodeclaração de branco para amarelo.
A Enfermeira Cida Amaral (Avante) e a Professora Gleice Jane (PT), ambas concorrentes ao cargo de deputada estadual, alteraram o registro de pretas para pardas no sistema de candidaturas.
A reportagem entrou em contato com os candidatos a deputado federal e estadual que possuem mandatos e que tiveram alteração na declaração de cor registrada na Justiça Eleitoral.
Até a publicação da matéria, apenas o deputado Roberto Hashioka (Republicanos) respondeu aos questionamentos. Ele afirmou que houve um erro no preenchimento de sua candidatura em algum momento, mas que a informação não interfere em nenhuma situação, como, por exemplo, na distribuição de recursos do Fundo Eleitoral.
Hashioka informou ainda que já solicitou a verificação para identificar onde ocorreu o equívoco. Segundo o deputado, ele tem ascendência japonesa e espanhola e acredita que poderia ter escolhido outra opção, mas ponderou que os documentos de sua declaração deveriam estar corretos.
Cotas — As regras de cotas de cor e raça nas eleições brasileiras determinam que partidos políticos destinem ao menos 30% dos recursos do TSE, que incluem Fundo Eleitoral e Fundo Partidário, e do tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV para candidaturas de pessoas pretas e pardas.
Além disso, votos dados a candidatos negros eleitos para a Câmara dos Deputados contam em dobro para o cálculo de distribuição do fundo partidário para os partidos nas eleições seguintes.
Cabe ao Ministério Público Eleitoral, vinculado ao TSE, fiscalizar o repasse correto do dinheiro e casos de desvio de verbas ou irregularidades.

