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Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

11/01/2011 10:17

Partidos encolhem em MS

Paulo Fernandes

Para analista, “siglas de aluguel” são vítimas da falta de ideologia.

Partidos perdem representantes na Assembleia; PDT encolheu e só tem 1 deputado (foto: arquivo)Partidos perdem representantes na Assembleia; PDT encolheu e só tem 1 deputado (foto: arquivo)

Ao longo dos anos, alguns partidos considerados decisivos nas eleições e na governança têm perdido representação em todo o País. Em Mato Grosso do Sul, PPS, PP, PTB, PR, DEM e PDT perderam espaços importantes no governo, na Assembleia Legislativa ou no Congresso nos últimos 10 anos.

Para o jornalista e analista político Eron Brum, isso acontece porque os partidos são vítimas da própria falta de ideologia. Ele afirma que muitos são “siglas de aluguel”. “Trata-se de uma espécie de vírus que se multiplica a cada eleição, ou seja, de dois em dois anos. Essas siglas são meros apêndices e, quase sempre, criadas pelos partidos para enganar o eleitorado”, diz.

“Expressões como identidade, compromisso social, seriedade, ideologia ou responsabilidade não constam nos dicionários dessas siglas. Para se ter uma ideia da salada partidária, hoje o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) tem, em seus arquivos, 27 agremiações políticas que se intitulam partidos políticos. E quando algum partido ou sigla entra em decadência, arruma outra conjugação de letras e volta ao cenário”, prossegue.

Um exemplo, citado por Eron, é o da Arena, dos tempos da ditadura, que já foi PDS, PFL e agora é DEM. Em sua história recente, o Democratas elegeu Murilo Zauith como deputado federal e vice-governador, e hoje conta apenas com um representante na Câmara (Luiz Henrique Mandetta) e um na Assembleia Legislativa (Zé Teixeira). Murilo disputa a prefeitura de Dourados.

Outro partido que mudou de nome foi o PL (Partido Liberal), que passou a ser Partido da República. O partido já foi um dos mais influentes no governo, mas hoje tem mais força no Poder Legislativo, onde possui três deputados estaduais, todos reeleitos no ano passado, e agora conta com um deputado federal: Edson Giroto.

Quem arrisca - Mas ninguém perdeu tanto no ano de 2010 quanto o PDT. Uma briga interna pelo comando do partido fez com que os deputados Ary Rigo e Onevan de Matos voassem para o ninho tucano. Já nas eleições, o partido que apostou tudo na aliança com o PT perdeu as disputas pelo governo, o que lhe renderia algumas secretarias, e ao Senado.

A derrota já prejudica o partido nas próximas eleições, em 2012, quando o ex-deputado federal Dagoberto Nogueira disputará a prefeitura de Campo Grande. Ele pretendia chegar ao Senado para usar o cargo de trampolim à administração municipal.

Já o PT, embora possa dar a impressão de ter sido esmagado na última eleição, manteve quatro deputados estaduais e reelegeu o senador Delcídio do Amaral – forte candidato à sucessão de André Puccinelli em 2014.

Por sua vez, o PP, que vive uma verdadeira guerra interna, não conseguiu reeleger Antonio Cruz à Câmara dos Deputados. Após a eleição, Cruz foi destituído do partido, após conflito com o vereador Lídio Lopes. No partido, há também uma luta intensa entre o deputado estadual eleito Alcides Bernal e o presidente municipal Paulo Matos. Os dois querem o comando do partido regional e a prefeitura de Campo Grande.

Presidente regional do PPS, Athayde Nery diz que partido ainda é de esquerdaPresidente regional do PPS, Athayde Nery diz que partido ainda é de esquerda

Mudando de rumo - Falando em ideologia, o PPS já foi um partido comunista. Fundado em 1992, o antigo PCB (Partido Comunista Brasileiro) nasceu do movimento proletariado com o objetivo de lutar e agir pela compreensão mútua internacional dos trabalhadores.

Hoje, ele é aliado de partidos da direita, como o PSDB, o DEM e o PMDB de Mato Grosso do Sul. Em Dourados, o PPS faz parte do arco de alianças em prol da eleição de Murilo Zauith (DEM).

O PPS, que teve deputado federal e secretarias de Cultura, Planejamento e Justiça, além de Procon, hoje conta apenas com presidências de fundações e da Escola de Governo, um deputado estadual (Diogo Tita) e um vereador em Campo Grande (Mario Cesar).

No caso do deputado Diogo Tita, ele usou o PPS para se eleger. Tita era filiado ao PMDB, mas trocou de partido a pedido do governador André Puccinelli para garantir uma eleição mais fácil. O PMDB estava recheado de candidatos fortes.

O presidente regional do PPS, Athayde Nery, reconhece que o partido vive uma crise. Para ele, a culpa é da infidelidade de algumas lideranças que não trabalham em prol do partido nas eleições, mas em benefício próprio. Ele diz que irá apertar o cerco contra os “infiéis” e acionar a Comissão de Ética.

Athayde diz que o problema não está na mudança de comportamento do partido. “O que mudou é que não temos um único pensamento marxista e lenista. Mas continuamos dentro de uma concepção de esquerda”, afirma. Suplente, Athayde assume neste ano mandato na Câmara Municipal de Campo Grande.

Fim do túnel – Para o analista político Eron Brum, a solução para a recuperação dos partidos pode estar em uma reforma eleitoral profunda com voto distrital, eleição proporcional em listas, limite de reeleição, financiamento de campanha e fidelidade partidária.

“A reforma não sai porque a filosofia dos partidos e das siglas parece ser a mesma: para que mudar algo que os eleitores engolem com facilidade a cada eleição? Afinal, os eleitores não se esquecem até em que votou na última eleição?”, afirma.

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O PSB e PCD´B de Mato Grosso do Sul não são diferentes. As siglas defendem o socialismo e comunismo, porém no estado do MS adota alianças com DEM, PSDB e tantos outros que defende um projeto neoliberal.
 
Raphaell Monteiro em 13/01/2011 07:43:33
Essa discussão é democracia, mas para mim não é falta de ideologia que os partidos e seus politicos tem não e sim o gosto de poder, é só mudar o governante que os mesmos já fazem um acordo FINANCEIRO e o povo a ideologia e outros blá blá blá vão é pro bolso para os interesses MOMETÁRIOS, e nós ficamos de ot.....
 
Marco Antonio em 12/01/2011 09:23:12
Meu querido, o PMDB e o PSDB não são partidos de direita. É erro grotesco julgar isso. Basta ver seus estatutos e programas de governo. Apesar de ambos partidos serem nêmeses do PT no Estado, eles não tem o termo "direita" em seu DNA. O PT teve mais atitudes de "direita" do que o PSDB durante o governo. Esses termos estão em desuso. Caberia, ao invés, liberal e conservador.
 
Miguel Angelo em 11/01/2011 12:22:57
Faço uma ressalva em relação ao DEM que além do Deputado Estadual Zé Teixeira que foi reeleito em 2010 para exercer um quinto mandato, elegeu também o Deputado Federal Luiz Henrique MANDETTA, que obteve 78.700 votos, destes 52.000 na capital e 26.000 no interior. Conta também com inúmeros vereadores, inclusive na capital e alguns prefeitos e vice. Ressalto também a disputa do segundo colégio eleitoral do estado, Dourados, que conta com o ex governador Murilo, com o cabeça de chapa, com grandes chances de ser eleito prefeito... vai dai que...
 
Rui Spínola Barbosa em 11/01/2011 12:06:13
Partido Comunista Brasileiro (PCB) baseado em Karl Marx, Friedrich Engels e Lenin é uma agremiação partidária fundada em 25 de março de 1922. Também conhecido como Partidão! O Partido Popular Socialista (PPS) surgiu nas discussões congressuais do PCB e parte da executiva nacional do Partido Comunista Brasileiro (PCB) que decidiram dissolver o partido e fundar um novo. O PPS foi criado frente a uma nova ordem internacional, após a queda dos antigos modelos comunistas (fim da URSS e da Guerra Fria). O PPS não é um Partido de aluguel! Não é esse o viés da matéria. Creio que o "José Lima Martins" não leu direito o texto e está falando "abobrinha".
O camarada Athayde Nery iniciou sua carreira no PCB ainda no movimento estudantil, passou por todo processo de reestruturação do PPS o qual hoje, ele é o Presidente Estadual. O que ele salienta na matéria meu caro José Lima, é que hoje os partidos estão em crise por conta da INFIDELIDADE partidária, decorrente da falta de formação política de muitos filiados. Por exemplo: é um absurdo um Prefeito, um Vereador, ou mesmo um filiado comum de um partido fazer e apoiar um candidato de outro partido!
O PPS está instaurando o Conselho de ética, (como disse o Athayde), para resolver de vez essa "pendenga" da ultima eleição. Quanto ao comportamento do Vereador Athayde na Câmara ocasião em que o André Puccinelli era prefeito da cidade a conjuntura daquele momento o PPS caminhou como oposição junto com o PT.
Na composição para eleger o Zeca no primeiro mandato o PPS em convenção apoiou e ajudou elegê-lo e fez parte do seu governo. O PPS avaliou internamente e concluiu que o PT não cumpriu as promessas de campanha. O PPS SAIU do GOVERNO do Zeca e na segunda eleição apoiou o PSDB com Marisa candidata a Governadora. Hoje o PPS está alinhado na conjuntura atual com o PMDB, apoiou e ajudou eleger o Prefeito da Capital nos dois mandatos. Da mesma forma nas eleições do atual governador reeleito e faz parte do seu governo. Esse é o jogo dinâmico da política! O Partido caminha conforme a leitura que faz internamente da conjuntura e acerta os compromissos com os projetos de poder. E tudo deve ser discutido e aprovado com seus filiados. (Prof. Jânio - membro da Executiva Estadual do PPS/MS). Aproveito para parabenizar o Paulo Fernandes pela excelente e oportuna matéria com a participação do Prof. Eron Brum.

 
Prof. Janio Batista de Macedo em 11/01/2011 06:00:51
Há tempos que os nossos políticos (a nível nacional) não cumprem os deveres partidários. A questão ideológica foi para o espaço, enquanto eles, para garantirem seus "espaços", muitas vezes em negociatas condenáveis, trocam de partidos e ideias assim como trocam de roupas.
Concordo com o analista, aliás já escrevi muitos artigos sobre a política e os políticos, mencionando e até parafraseando o analista, que "a solução para a recuperação dos partidos pode estar em uma reforma eleitoral profunda com voto distrital, eleição proporcional em listas, limite de reeleição, financiamento de campanha e fidelidade partidária". Sou mais duro ainda: deveria acabar a reeleição para parlamentares de todas as esferas de governo.






 
ETEVALDO VIEIRA DE OLIVEIRA em 11/01/2011 04:54:22
Só para completar, SARNEY, que nunca foi de esquerda e foi base do governo LULA é base do governo DILMA, que segundo a história, são de esquerda... TUDO BEM, eu sei... tudo em nome da Governabilidade que começou no governo ZECA, que tinha Shimidt, Rigo, Londres... uma direita dentro da esquerda... VIVA A GOVERNABILIDADE. rsrsrsrs. As bandeiras ficam... os partidos não.
 
Rui Spínola Barbosa em 11/01/2011 02:59:25
Outra lembrança de fundamental importância... ARENA, em sua trajetória, durante o bi-partidarismo foi a base do governo na época do regime militar e teve como único opositor o partido do MDB.
É real que nos quadros do PFL lideres políticos advindos da antiga ARENA se alinharam ideológicamente e muitos até hoje continuam no DEM
Mas uma lembrança não menos importante é o fato do PP, (do "Francisco Dorneles" que aqui no MS não se sabe ainda quem seguirá no comando se o ex Deputado Federal Antonio Cruz ou, o Vereador Lídio ou, o Luis Pedro Guimarães ou, o Deputado Estadual Alcides Bernal sem contar o Secretário Municipal de Campo Grande...) ser oriundo do PSB do "Maluf" que quando surgiu foi através de uma composição da maioria de líderes da antiga ARENA. Com a palavra Maluf, Dorneles, Delfim Neto... ai sim uma DIREITA ... que por muitos anos foi elegantemente combatida por Ulisses Guimarães...
que se vivo estivesse veria o "MDB" ser brilhantemente defendido sob a sigla do PMDB por nada mais nada menos do que JOSÉ SARNEY...

Finalizo perguntando o que é direita e o que é de esquerda nesse angu. rsrsrsrsr
 
Rui Spínola Barbosa em 11/01/2011 02:55:21
uma bela matéria, fui militante do Partidao, hj PPS mas infelizmente ele foi alugado, primeito ao PT para eleger o Zeca depois, em acertos as escondidas da militância passou para controle do atual Governador, no final de seu mandato como prefeito, o pior q o vereador atahyde, combativo e atuante, havia ingressado com ação na justiça contra o entao prefeito, o caso foi conhecido como LIXO GAITE, a militancia debandou, ficando filiados apenas quem aderiu ao paco da governabilidade q levou o atayde de volta a camara e a liderança do atual prefeito. extranho não?. parabens pela materia, falou tudo. siglas de aluguéis.. Lima- subtenente PM.. inativo
 
josé lima martins em 11/01/2011 01:55:17
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