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Política

Senadora da “nova política" torra R$ 100 mil em rede social e aluguel de móveis

Soraya Thronicke foi eleita com discurso de austeridade e zelo pela coisa pública, mas, na prática, gasta sem regramento

Por MS em Brasília | 15/07/2020 14:09
Senadora Soraya Thronicke com sua ex-assessora Juliana Gaioso (à esquerda), demitida após ser denunciada por fake news à Procuradoria (Foto: Reprodução Rede Social)
Senadora Soraya Thronicke com sua ex-assessora Juliana Gaioso (à esquerda), demitida após ser denunciada por fake news à Procuradoria (Foto: Reprodução Rede Social)

A senadora sul-mato-grossense Soraya Thronicke (PSL) foi eleita sob a nova ordem que se estabeleceu na política brasileira com a ascensão de Jair Bolsonaro, pelo menos na teoria. Entre as bandeiras, tolerância zero com a corrupção, austeridade e zelo com a coisa pública.

Na prática, no entanto, Soraya gasta recursos públicos sem regramento. Em apenas um ano de mandato, a parlamentar torrou R$ 102.548,86 com pagamento de serviços de monitoramento das suas redes sociais e com aluguel de móveis para o escritório de apoio em Campo Grande.

O primeiro pagamento à Pilote Gestão da Informação Ltda, localizada em Brasília, gestora das redes sociais da senadora, foi feito em outubro do ano passado, no valor de R$ 7.430. De lá para cá, houve emissão de nota fiscal todo mês, totalizando R$ 73.808,86 até junho. Mesmo com a pandemia, os pagamentos foram mantidos.

Mesmo em meio a pandemia, pagamentos sobre monitoração das redes sociais da senadora foram mentidos: R$ 28.838,29 entre abril e junho. (Foto: Reprodução)
Mesmo em meio a pandemia, pagamentos sobre monitoração das redes sociais da senadora foram mentidos: R$ 28.838,29 entre abril e junho. (Foto: Reprodução)

Em final de maio, a Polícia Federal deflagou uma operação para combater a disseminação de notícias falsas contra membros do Supremo Tribunal Federal. Além de empresários e comunicadores, vários parlamentares foram alvo da ação policial.

A PF suspeita que alguns senadores e deputados tenham usado ou estão utilizando recursos da Câmara e do Senado para promoverem ataques em massa contra autoridades do Judiciário e adversários políticos.

No início deste mês, a então assessora de Soraya Juliana Gaioso Pontes foi denunciada à Procuradoria-Geral da República por supostamente produzir e distribuir fake news contra rivais da senadora. Após a denúncia, Gaioso foi exonerada.

Despesa estranha

Outra despesa aparentemente estranha, feita pelo gabinete de Soraya, é o pagamento pelo uso de móveis para o escritório da senadora em Campo Grande. Em um ano, foram gastos R$ 28.740,00 com aluguel de computadores, mesas e cadeiras, fornecidos pela empresa SPL Produções.

Por meio de sua assessoria, a senadora esclareceu que as despesas são feitas porque o Senado não oferece equipamentos próprios para o escritório de apoio. “O contrato com a SPL Produções se refere ao aluguel de cinco computadores, impressora, mesas e cadeiras para uso da equipe local”, justifica.

Por computadores, mesas e cadeiras, Soraya paga R$ 2.350 por mês com dinheiro do contribuinte. (Foto: Reprodução)
Por computadores, mesas e cadeiras, Soraya paga R$ 2.350 por mês com dinheiro do contribuinte. (Foto: Reprodução)

O MS em Brasília também identificou pagamento de aluguel, condomínio e impostos de dois endereços para o escritório regional da parlamentar, instalado em Campo Grande.

Entre fevereiro e abril, Trhonicke gastou R$ 19.800,00 com imóveis localizados no Bairro Cachoeirinha e outro na Avenida Afonso, 3.504, no Edifício Empire Center. Em ambos, foram feitas obras no valor de R$ 7.490.

Sobre o uso de recursos públicos em dois imóveis, na mesma cidade, a senadora explica que “as despesas foram por um período transitório por causa da mudança de local”. Segundo ela, o novo espaço vai gerar economia, segurança e praticidade.

Gasto total

A senadora Soraya Thronicke está entre os parlamentares que mais gastam entre os 11 da bancada federal de Mato Grosso do Sul em Brasília, três senadores e oito deputados. De março de 2019 a junho de 2020, a peselista gastou R$ 409.589,58, valor que exclui as despesas com o salário de assessores do gabinete em Brasília e do escritório em Campo Grande.