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Campo Grande, Sexta-feira, 22 de Março de 2019

31/10/2018 12:20

Um a cada dez eleitores só decidiu voto na frente da urna, diz instituto

Eleições foram marcadas pela derrota do horário gratuito em relação às redes sociais

Ricardo Campos Jr.
Paulo Catanante, dono do instituto de pesquisas Ibrape (Foto: Henrique Kawaminami)Paulo Catanante, dono do instituto de pesquisas Ibrape (Foto: Henrique Kawaminami)

Com a disputa eleitoral deste ano marcada pelo amplo uso das redes sociais como ferramentas de convencimento, e diante do bombardeio de informações que atingiram a população vindas de todos os lados da disputa, uma a cada dez pessoas decidiu na frente da urna em quem iria votar. É o que aponta Paulo Catanante, dono do instituto de pesquisas Ibrape, ao avaliar a campanha da corrida eleitoral amis recente.

“Nas entrevistas, os eleitores estavam indecisos. Chegamos em torno de 8 a 12% de indecisão e isso não era previsto. Detectamos isso 48 horas antes do primeiro e segundo turno. Não é normal ter esse alto índice na véspera do pleito”, afirma.

Além disso, graças a institutos que não levam a sério o trabalho de coleta e tabulação dos dados, os levantamentos perderam credibilidade perante o público.

“Hoje, 14% da população de eleitores não acredita mais nos resultados porque aparecem durante a campanha várias empresas com resultados diferentes das demais e isso faz com que a opinião pública se afaste. Nós, por outro lado, estamos há 33 anos em Mato Grosso do Sul, sendo o primeiro a surgir por aqui seguido da Tendência”, conta Catanante.

Além disso, a abordagem aos entrevistados está cada vez mais difícil. “Os entrevistadores se deparam com muitas pessoas que não querem responder”.

O Ibrape também aponta que a última campanha foi a derrocada do horário eleitoral gratuito. “A audiência desse ano foi a mais baixa da história. Durante a noite, o máximo de recepção foi de 12% e na pesquisa de recall, as pessoas nem se lembravam do que haviam visto na televisão. A propaganda política teve mais influência nas redes sociais do que na TV”

participou de todas as disputas desde 1986 e tem índice de acertos acima da média, diz proprietário (Foto: Henrique Kawaminami)participou de todas as disputas desde 1986 e tem índice de acertos acima da média, diz proprietário (Foto: Henrique Kawaminami)

"Graças a institutos que não levam a sério o trabalho de coleta e tabulação dos dados, os levantamentos perderam credibilidade"

Confiança – O instituto participou de todas as disputas desde 1986 e tem índice de acertos acima da média. “Houve pesquisas que divulgaram 19 pontos percentuais entre o primeiro e o segundo colocados. Nós demos apenas seis pontos e acertamos. Existem institutos que aparecem de última hora e chegou ao absurdo de divulgarem que o segundo colocado seria eleito. Tem pesquisas que até estão sendo auditadas para saber o que aconteceu”, comenta.

Na metodologia usada para garantir a eficácia dos resultados, o instituto só coleta as informações cara a cara com os entrevistados e jamais usa o telefone como meio de consulta.

“Pelo telefone você não tem como saber se a pessoa que está do outro lado está mentindo sobre o perfil, às vezes algum funcionário da casa mente que é o patrão. Pesquisas feitas por telefone não são confiáveis. Só usamos intenções colhidas in loco e estratificada por grupos, levando em consideração sexo, religião, etc, tudo proporcional ao universo real”, diz Catanante.

A tecnologia tem sido uma grande aliada do Ibrape. Cada entrevistador leva consigo um tablete conectado a um sistema que gerencia as rotas que a pessoa deve percorrer coletando as informações. Se ela desviar, o equipamento trava.

“O cliente acompanha tudo online e pode emitir os relatórios pelo sistema. Para as próximas eleições estamos programando o uso de um recurso que anota o resultado a partir da resposta vocal que a pessoa der, será um grande avanço”, completa Catanante.



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