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Política

Vereadores preparam nova "guerra santa" para manter Quinta Gospel

Por Kleber Clajus | 10/09/2014 16:04
Por "coincidência", Quinta Gospel será cancelada neste mês no momento em que debate retorna ao Legislativo (Foto: Marcelo Victor / Arquivo)
Por "coincidência", Quinta Gospel será cancelada neste mês no momento em que debate retorna ao Legislativo (Foto: Marcelo Victor / Arquivo)

A Câmara Municipal de Campo Grande pode voltar a ser palco de discussões acaloradas, após parecer do MPE (Ministério Público Estadual) solicitar a conversão da Quinta Gospel em evento cultural. Projeto de lei nesse sentido, de Eduardo Romero (PT do B), tramita na Casa de Leis desde a semana passada.

Para Alceu Bueno (PSL), não há motivo para alterar a Lei Municipal nº 5092/12, que instituiu a Quinta Gospel. “Creio que, se a bancada evangélica não ficar em cima do muro, esse projeto não vai passar, senão a gente enche a Câmara de evangélicos para barrar. Conquista não se volta atrás”, ressalta.

O próprio prefeito Gilmar Olarte (PP) acredita não ser necessário um embate, uma vez “não discriminamos ninguém”. Mesma posição tem seu líder na Câmara, João Rocha (PSDB), que entende ser a mudança uma “queda de braço sem necessidade”, apesar de admitir resistência de ambos os lados no processo.

“Se a demanda exige outro espaço, (para outras religiões), crie sem retroagir o que já se tem. Também temos outas coisas importantes para serem discutidas”, pontuou Rocha, relembrando ao menos duas sessões com votação prejudicada pela discussão do assunto.

Já Eduardo Romero (PT do B) utiliza parecer do MPE que aponta inconstitucionalidade na lei para defender a alteração do evento para uma “Quinta Cultural”. A medida visa evitar “exclusividade do espaço e beneficiar apenas um segmento com uso do dinheiro público”.

Rose Modesto (PSDB) defende que a lei “não foi aprovada de qualquer jeito” e teve por princípio atender o cidadão cristão que paga seus impostos e busca ter acesso a manifestações culturais que fortaleçam sua fé.

Quanto a possibilidade de alteração, Paulo Pedra (PDT) crê ser possível aprová-la “com diálogo tranquilo e sem radicalizar”.

O pastor e presidente da Aliança Evangélica de Campo Grande, Ronaldo Leite, acrescenta ainda que não se deve “fazer guerra religiosa” quanto ao assunto. Ele ainda pontua que a lei atual não é destinada a pagar cultos, mas artistas da música gospel e que se a “lei tem falhas, vamos fazer emendas”.

Coincidentemente, a discussão retorna no mês em que o evento será cancelado, em virtude do corte de gastos do município. Com isso, a diretora-presidente da Fundac (Fundação Municipal de Cultura), Juliana Zorzo, também se coloca no aguardo de uma decisão do Legislativo.

"Guerra Santa" – Os questionamentos sobre mudanças na Quinta Gospel tiveram início em agosto, quando Eduardo Romero questionou a constitucionalidade da lei ante a negativa de participação, pela Fundac, da cantora Rita Ribeiro, artista espírita que tem como principal projeto o 'Tecnomacumba'.

Na época, a justificativa assinada por Juliana Zorzo citou que o termo gospel se traduz como Evangelho e, dessa forma, o evento se destinaria ao “público evangélico cristão”.

Provocado, o MPE emitiu ofício ao prefeito solicitando revogação legislativa da Lei Municipal nº 5092/12, que instituiu a Quinta Gospel, além de sugerir que fosse criada uma “Quinta Cultural” para que não se “beneficie unicamente qualquer religião em detrimento das demais”.

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