Após cirurgia, esperança é militar tetraplégico recuperar movimentos aos poucos
Ele é de Dourados e foi o 13º paciente operado por ordem judicial com a polilaminina, medicamento experimental

Operado na manhã desta quarta-feira (21) com a aplicação do medicamento experimental polilaminina, um militar tetraplégico de Dourados poderá recuperar os primeiros movimentos pouco a pouco, e apresentar melhora no quadro em aproximadamente um mês. A operação foi um sucesso, segundo a equipe responsável, e ele deverá receber alta amanhã (22).
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Um militar tetraplégico de Dourados foi submetido a uma cirurgia experimental com polilaminina, medicamento em fase de aprovação pela Anvisa. A operação, realizada no Hospital Militar de Campo Grande, foi bem-sucedida, e os médicos esperam que o paciente apresente melhoras em aproximadamente um mês. O tratamento, desenvolvido pela UFRJ em parceria com o laboratório Cristália, já demonstrou resultados promissores em outros casos. O exemplo mais notável é o do bancário Bruno Drummond, que recuperou 98% dos movimentos após sofrer tetraplegia em 2018. O medicamento tem sido fornecido gratuitamente aos pacientes que obtêm autorização judicial para o procedimento.
Essa é a esperança dos médicos e de pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) que estão envolvidos no estudo e no pedido de aprovação do tratamento que tramita na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). São animadores os resultados dos testes com animais e humanos já realizados durante a pesquisa, iniciada há 25 anos.
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A expectativa é baseada no que já ocorreu com outros pacientes que participaram de estudo clínico ou que conseguiram liminar na Justiça para fazerem a cirurgia mesmo com o medicamento ainda não aprovado, segundo o neurocirurgião do Hospital Souza Aguiar, do Rio de Janeiro (RJ), Bruno Cortez.
"Todos eles tiveram já algum grau de melhora e até melhora precoce, o que surpreendeu a gente, tanto do ponto de vista sensível como no motor. Foi mais rápido do que a gente esperava", relatou o médico.
O primeiro caso a repercutir no Brasil foi o de Bruno Drummond, bancário que sofreu um acidente de trânsito em 2018 e ficou tetraplégico. Hoje, segundo o médico, ele "corre até maratona" e ficou com sequelas mínimas. A recuperação dos movimentos foi de 98% em relação ao que havia perdido.
O paciente participou de estudo e foi acompanhado pela equipe após a cirurgia. A primeira evolução ocorreu rapidamente. "O Bruno mexeu o dedo do pé com três semanas [de cirurgia]. Em sete meses deu um primeiro passo, em um ano a um ano e meio voltou a andar. Fez fisioterapia plena por dois anos, chegou a fazer quatro sessões por dia. Nessa fase da fisioterapia a gente tem que insistir", descreve o neurocirurgião.
Caso do militar - O paciente de Dourados tem apenas 19 anos e perdeu os movimentos após ser atingido por um tiro acidental no pescoço, no final de outubro do ano passado. Ele foi operado no Hospital Militar de Área de Campo Grande e foi o 13º paciente operado no Brasil por ordem judicial.
As melhores chances são nas situações em que a polilaminina é injetada na medula em até 72 horas após a pessoa sofrer a lesão, segundo divulgaram a equipe de pesquisadores e o laboratório Cristália, que desenvolve a droga em parceria com a universidade. No entanto, os estudos mostraram que há resultados em casos de lesões mais antigas, como é o caso do militar.
Qualquer grau de recuperação é interessante, continua Cortez. "Se a gente conseguir que os pacientes simplesmente consigam se alimentar, já é um ganho fantástico. A gente fez os estudos nos pacientes crônicos e os ganhos deles sempre foram na funcionalidade", diz.
Também médico e pesquisador na UFRJ, Olavo Franco acompanhou o procedimento em Campo Grande. Ele afirmou que o militar deverá iniciar sessões de fisioterapia o mais rápido possível. "As sessões vão estimular a regenerar o neurônio que está lesado e direcioná-la para que seja efetiva, para que essas conexões sejam funcionais, tragam um movimento e sensibilidade adequada para esse paciente, module o cérebro dele para ele viver com essas novas conexões e melhore a qualidade de vida dele", finaliza.
Replicador em MS - O neurocirurgião de Mato Grosso do Sul que participou da cirurgia foi Wolnei Zeviani. Se houver a aprovação pela Anvisa, ele espera passar por um treinamento e ser um dos médicos habilitados a transmitir a técnica e a fazer cirurgias com o medicamento futuramente.
"Termos uma opção para tratar é muito importante, e termos o Brasil como pioneiro nisso é mais importante ainda, Estou muito feliz de participar no primeiro caso em Mato Grosso do Sul e espero que logo, logo a gente possa fazer em outros pacientes, ajudando outras pessoas", comentou.
Gratuito - O medicamento foi fornecido gratuitamente pelo laboratório ao militar e os outros 12 pacientes que já obtiveram ordem judicial para a aplicação antes da aprovação.
Cada quadro foi avaliado pela equipe, e o do paciente de Dourados foi compatível com a indicação.
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