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Saúde e Bem-Estar

Após adiamento, 1ª cirurgia que trata lesão na medula deve durar 40 minutos

Procedimento é considerado promissor para recuperação de movimentos; paciente é militar de 19 anos

Por Viviane Oliveira e Cassia Modena | 21/01/2026 10:04
Após adiamento, 1ª cirurgia que trata lesão na medula deve durar 40 minutos
Neurocirurgião detalha cirurgia inédita com uso de medicamento experimental (Foto: Marcos Maluf)

Depois de ser adiada, teve início às 9h30 desta quarta-feira (21) a primeira cirurgia realizada em Mato Grosso do Sul com uso da polilaminina, medicamento ainda em fase de estudos e considerado promissor na recuperação de movimentos em pacientes com lesão na medula espinhal. O procedimento ocorre no Hospital Militar de Área de Campo Grande e tem duração estimada de cerca de 40 minutos.

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A primeira cirurgia com polilaminina em Mato Grosso do Sul foi realizada em um militar de 19 anos, que ficou tetraplégico após um disparo acidental no quartel em outubro passado. O procedimento, com duração prevista de 40 minutos, aconteceu no Hospital Militar de Campo Grande, conduzido pelo neurocirurgião Bruno Cortez. O medicamento experimental, desenvolvido em parceria entre o laboratório Cristália e a UFRJ, foi aplicado mediante autorização judicial, já que ainda não possui aprovação da Anvisa. A expectativa é que a polilaminina, se aprovada em todas as fases de estudo, esteja disponível no mercado em dois a três anos.

O paciente é um jovem militar de 19 anos, atingido no pescoço por um disparo acidental, em outubro do ano passado. O projétil causou uma grave lesão na medula espinhal antes de atravessar completamente a região cervical, deixando o rapaz tetraplégico, sem sensibilidade ou movimentos do pescoço para baixo.

A cirurgia é comandada pelo neurocirurgião Bruno Cortez, do Rio de Janeiro, que já realizou o procedimento em outros estados. Ele conta com a participação do neurocirurgião Wolnei Zeviani, do Hospital Militar de Campo Grande, que acompanhou o paciente desde o período de internação na Capital. Este é o primeiro procedimento do tipo realizado no Estado.

Segundo Wolnei, o caso difere dos demais já realizados porque a aplicação do medicamento não ocorre dentro da chamada “janela terapêutica” de 72 horas após a lesão, período considerado ideal. Ainda assim, a expectativa é de benefício clínico. “A programação de hoje é fazer a infusão do medicamento diretamente no tecido medular lesionado. Utilizamos uma agulha guiada por fluoroscopia, que nos permite acompanhar a posição em tempo real até alcançar a região central da medula e injetar o remédio na área afetada”, explicou.

Conforme o médico, a cirurgia é considerada de baixa complexidade e não exige materiais sofisticados. “Vamos utilizar basicamente uma agulha de raquianestesia, seringas e o aparelho de fluoroscopia, que já usamos em cirurgias de coluna. A anestesia pode ser geral ou não, dependendo do grau da lesão e das condições do paciente”, detalhou.

Ao comentar a expectativa em torno do procedimento, o neurocirurgião destacou o impacto do tratamento para pacientes, familiares e equipes médicas. “Esse tratamento traz esperança não só para os pacientes, mas também para nós, porque vivemos esse drama junto com eles e com a família. São pessoas ativas que, de repente, passam a ficar acamadas. A internação é muito longa, são pacientes frágeis e com risco de complicações. Ter uma alternativa, um tratamento que possa, mesmo que não de forma imediata, mas ao longo de semanas ou meses, devolver capacidades e proporcionar uma vida mais ativa, para nós é um sonho", afirmou.

Após adiamento, 1ª cirurgia que trata lesão na medula deve durar 40 minutos
Fachada do Centro Cirúrgico do Hospital Militar de Campo Grande (Foto: Marcos Maluf)

O militar foi inicialmente atendido em Dourados, onde passou por cirurgia para estabilização da coluna. Devido à gravidade do quadro, precisou ser transferido para o Hospital Militar de Campo Grande, onde permaneceu internado por cerca de dois meses, incluindo duas semanas na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Durante esse período, enfrentou complicações, como infecção, mas sobreviveu. “Foi uma internação muito difícil”, relembrou Wolnei.

A família tomou conhecimento do medicamento experimental e, com apoio jurídico, ingressou com pedido na Justiça para viabilizar o tratamento. Como a polilaminina ainda não possui aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o procedimento só pôde ser realizado após decisão liminar favorável, autorizando o uso de forma experimental, conhecido como uso compassivo. O medicamento é fornecido pelo laboratório Cristália, em parceria com a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Inicialmente, a cirurgia estava prevista para o dia 14, mas foi adiada para cumprimento de exigências regulatórias. O advogado do caso, Gabriel Traven Nascimento, explicou que foi necessário aguardar o prazo de 72 horas para manifestação da Anvisa no processo. “O reagendamento decorre exclusivamente da necessidade de uma autorização regulatória formal, exigida quando se trata de uso compassivo de medicamento ainda não registrado, e não de qualquer falha médica, logística ou judicial”, afirmou. Segundo ele, a decisão judicial representa um avanço.

De acordo com a UFRJ, caso todas as fases de estudos sejam concluídas com sucesso e aprovadas pela Anvisa, a expectativa é que a polilaminina possa ser disponibilizada no mercado em dois ou três anos.

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