ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JUNHO, SEXTA  26    CAMPO GRANDE 21º

Saúde e Bem-Estar

Canetas emagrecedoras podem afetar olfato e paladar, aponta estudo

Pesquisa com quase 1 milhão de pacientes indica aumento de distúrbios sensoriais em usuários

Por Ângela Kempfer | 26/06/2026 09:25
Canetas emagrecedoras podem afetar olfato e paladar, aponta estudo
Centenas de canetas emagrecedoras apreendidas em Mato Grosso do Sul (Foto: Arquivo)

Medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, usados no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, podem estar associados a alterações no olfato e no paladar. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica JAMA Otolaryngology–Head & Neck Surgery. O uso virou questão de saúde pública em Mato Grosso do Sul, por conta do contrabando de tirzepatida do Paraguai.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Estudo publicado na revista JAMA Otolaryngology indica que canetas emagrecedoras, como Ozempic e Mounjaro, podem causar alterações no olfato e no paladar. A pesquisa avaliou quase 1 milhão de adultos com diabetes tipo 2 nos EUA e constatou risco 48% maior de distúrbios sensoriais em usuários de GLP-1. Apesar disso, os efeitos atingem menos de 0,5% dos pacientes, sendo considerados raros pelos autores.

A análise usou registros de um grande banco de dados de saúde dos Estados Unidos, o TriNetX, que reúne informações de prontuários eletrônicos de milhões de pacientes. No recorte do estudo, foram avaliados quase 1 milhão de adultos com diabetes tipo 2 e sem histórico prévio de distúrbios de olfato ou paladar.

Segundo reportagem do jornal O Globo, os pesquisadores dividiram os participantes em dois grupos com tamanho equivalente. Em um deles estavam pacientes que iniciaram tratamento com análogos de GLP-1 após o diagnóstico. No outro, pessoas que utilizaram medicamentos diferentes para controle da doença. O objetivo foi reduzir diferenças clínicas, demográficas e socioeconômicas entre os grupos.

Durante o acompanhamento de até dois anos, os cientistas observaram que o grupo que usou GLP-1 apresentou maior incidência de alterações sensoriais. O risco geral de distúrbios de olfato e paladar foi 48% mais alto em comparação ao grupo controle. Quando analisados separadamente, os distúrbios de olfato tiveram aumento de 81% e os de paladar, de 52%.

Apesar disso, os próprios dados mostram que esses efeitos continuam sendo raros, atingindo menos de 0,5% dos pacientes avaliados. Ou seja, o aumento é estatisticamente relevante, mas o evento em si é pouco frequente.

Os autores afirmam que os resultados sugerem uma possível relação entre os medicamentos da classe GLP-1 e alterações na percepção sensorial. Eles levantam a hipótese de que isso pode envolver tanto receptores presentes nas papilas gustativas quanto mecanismos do sistema nervoso central ligados à percepção de sabor e cheiro.

No estudo, os pesquisadores também destacam que há indícios experimentais de que esses fármacos podem interferir na forma como o organismo percebe alimentos, especialmente sabores doces. Ainda assim, reforçam que o efeito geral sobre olfato e paladar não está totalmente esclarecido e precisa de novas pesquisas.

As chamadas “canetas emagrecedoras”, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, imitam a ação do hormônio GLP-1 no organismo. Elas ajudam a controlar a glicose, reduzem o apetite e aumentam a sensação de saciedade, o que explica a perda de peso observada em muitos pacientes.

Os autores do estudo defendem que os achados não mudam o uso atual desses medicamentos, mas indicam a necessidade de acompanhamento clínico mais atento em possíveis efeitos menos conhecidos.