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Saúde e Bem-Estar

Doenças intestinais avançam entre jovens e casos seguem subdiagnosticados

Crescimento das internações acende alerta para diagnóstico tardio e impacto emocional dos pacientes

Por Kamila Alcântara | 15/05/2026 13:06
Doenças intestinais avançam entre jovens e casos seguem subdiagnosticados
Doença de Crohn e a retocolite ulcerativa apresentam sintomas como: dores abdominais, perda de peso, diarreia e sangramento (Foto: Alexandre Álvares/ Agência Saúde-DF)

Dor abdominal frequente, diarreia persistente, perda de peso, fadiga e alterações intestinais que parecem “comuns” têm escondido casos de doenças inflamatórias intestinais que seguem avançando entre adultos jovens no Brasil.

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Internações por doenças inflamatórias intestinais cresceram 61% no Brasil entre 2015 e 2024, segundo a Sociedade Brasileira de Coloproctologia. O país pode ter até 100 casos por 100 mil habitantes. Especialistas alertam que sintomas como dor abdominal e diarreia são banalizados, retardando o diagnóstico da Doença de Crohn e da Retocolite Ulcerativa. O impacto psicológico também preocupa médicos, que defendem tratamento integral dos pacientes.

O alerta vem em meio ao aumento das internações relacionadas à Doença de Crohn e à Retocolite Ulcerativa, condições crônicas que ainda enfrentam demora no diagnóstico e impacto direto na qualidade de vida dos pacientes.

Dados da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, com base no Sistema de Informações Hospitalares do SUS, apontam crescimento de 61% nas internações ligadas às doenças inflamatórias intestinais entre 2015 e 2024 na rede pública. A estimativa é de que o Brasil já tenha até 100 casos para cada 100 mil habitantes.

Para a gastroenterologista Dídia Bismara Cury, diretora regional da Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn, muitas pessoas convivem por anos com sintomas sem imaginar que podem estar diante de uma doença crônica. Segundo ela, parte dos sinais acaba sendo banalizada na rotina.

“Muita gente passa anos achando que é apenas um intestino sensível, estresse ou alimentação inadequada. Quando o diagnóstico chega, o quadro já pode estar avançado e impactando não só o intestino, mas toda a vida da pessoa”, afirma.

Ela explica que as doenças inflamatórias intestinais são caracterizadas por inflamações persistentes no trato gastrointestinal e podem provocar desde dor abdominal e diarreia frequente até sangramento intestinal, alterações nutricionais e exaustão física. Em muitos casos, os sintomas aparecem em fases, o que também dificulta a identificação precoce.

Além das manifestações físicas, a médica chama atenção para o impacto psicológico enfrentado pelos pacientes. “Não é possível tratar as doenças inflamatórias intestinais sem olhar para a saúde mental”, afirma. Segundo ela, ansiedade, medo, insegurança, alterações do sono e desgaste emocional podem agravar as crises e piorar a percepção dos sintomas.

“O intestino e o cérebro se comunicam constantemente por meio do eixo intestino-cérebro. O estresse crônico pode influenciar sintomas, dor, percepção da doença e qualidade de vida. Da mesma forma, a atividade inflamatória também pode impactar emoções e a saúde mental”, explica.

Dídia afirma que o tratamento atual avançou bastante nos últimos anos, especialmente com novas terapias e maior controle clínico da inflamação, mas defende uma abordagem mais ampla no acompanhamento dos pacientes.

“A Medicina avançou muito no controle da inflamação, mas é preciso tratar o paciente de forma integral, unindo ciência e cuidado humano. Nosso convite é para um novo olhar: cuidar da inflamação, mas também da mente, da história e das emoções de quem convive com uma doença crônica”, diz.

As doenças inflamatórias intestinais não têm cura definitiva, mas podem ser controladas com tratamento contínuo e diagnóstico precoce. O alerta ganha reforço às vésperas do Dia Mundial das Doenças Inflamatórias Intestinais, lembrado em 19 de maio.

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