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Capital

Mina d’água transforma ruas em lamaçal e atola 20 veículos em uma semana

Moradores relatam prejuízos diários, com fossas enchendo e até crianças faltando à aula

Por Geniffer Valeriano | 02/07/2026 13:39

“Tá pior que fazenda cheia de barro”. A frase é do aposentado Vicente Pereira, de 66 anos, morador da Rua Florisvaldo Vargas, no Bairro Cristo Redentor. A via onde ele vive é apenas uma das que sofrem com água que brota do solo na região.

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Moradores do Bairro Cristo Redentor, em Campo Grande, enfrentam atoleiros causados por uma nascente que brota do solo, prejudicando ruas sem pavimentação e afetando veículos, pedestres e fossas sépticas. A Águas Guariroba confirmou a existência da mina d'água e obstrução na drenagem. A Sisep realiza patrolamento e cascalhamento, mas moradores cobram solução definitiva da Prefeitura, que não se manifestou.

Após receber diversas reclamações e vídeos diários de veículos atolando no lamaçal, a reportagem esteve no local nesta quinta-feira (2). Antes da visita ao bairro, o Campo Grande News já havia publicado outras três matérias sobre essa situação apenas em 2026.

Ao percorrer as ruas, uma situação chamou a atenção: enquanto vias sem pavimentação estavam secas e levantando poeira, trechos próximos ao atoleiro permaneciam encharcados.

O pior ponto encontrado foi na Avenida Teresa Garcês Pain, entre as ruas Manoel Alcova Filho e Lourenço Alves da Costa. Motoristas que se aproximavam eram alertados por Juliano Souza, de 46 anos, e pela esposa sobre o risco de passar pelo local.

Mina d’água transforma ruas em lamaçal e atola 20 veículos em uma semana
Morador encara trecho onde ocorre maior parte dos atolamentos (Foto: Geniffer Valeriano)
Mina d’água transforma ruas em lamaçal e atola 20 veículos em uma semana
Água trasnborda poço de visita e piora situação das ruas próximas (Foto: Geniffer Valeriano)

O enfermeiro explica que há uma nascente na região. Segundo ele, um estudo já identificou que a água que brota do solo é responsável pelos transtornos enfrentados pelos moradores.

Sem rede de esgoto, as casas utilizam fossas sépticas, que também são afetadas. “Aqui as fossas vão estar sempre cheias, mas não é resíduo, é por conta da água da nascente. É um custo muito grande, porque esvazia hoje e daqui uma semana já está cheia de novo”, relata.

Ainda conforme Juliano, a água também compromete o sistema de drenagem pluvial, que frequentemente transborda, agravando o acúmulo de lama nas vias. “Só na rua em frente à minha casa foram mais de 20 carros atolados em menos de uma semana”, afirma.

Procurada, a Águas Guariroba informou que o problema não está relacionado à rede de abastecimento e confirmou a existência de mina d’água. Em nota, a concessionária explicou que a água que extravasa pelo poço de visita tem origem na nascente e que há obstrução na rede de drenagem, o que contribui para o acúmulo.

Durante a visita, a reportagem percorreu as ruas Florisvaldo Vargas, Teresa Garcês Pain, Lourenço Alves da Costa, Manoel Alcova Filho e Kanga Rosa. Em todas, havia marcas de atolamentos, como rastros de pneus e peças de veículos.

As vítimas do lamaçal são diversas: carros, ônibus e caminhões. “Todos os dias, de três a quatro carros atolam, fora os ônibus na madrugada. Ontem mesmo tinha um. Eu já me atolei também. Nem lavo mais o carro, porque não adianta”, conta a moradora Claucia Domenica, de 58 anos.

Mina d’água transforma ruas em lamaçal e atola 20 veículos em uma semana
Mina d’água transforma ruas em lamaçal e atola 20 veículos em uma semana
Madeiras são usadas para como ponte por pedestres (Foto: Geniffer Valeriano)

Pedestres também enfrentam dificuldades. Vídeos enviados à reportagem mostram crianças atravessando o barro descalças para não perder os sapatos. “Motos atolam, carros atolam, bicicleta atola. Meu neto perdeu o chinelo aqui. Isso não é de agora”, relata uma moradora.

O filho de Letícia Marques, de 40 anos, chegou a faltar à aula nesta quarta-feira (1º) após ficar preso na lama. “Ele atolou o pé, teve que voltar e perdeu o ônibus. Como estuda no Joaquim Murtinho, acabou perdendo um dia de aula”, diz.

Em algumas ruas, como a Florisvaldo Vargas, pedaços de madeira são usados como pontes improvisadas. Foi ali que Vicente tentava amenizar a situação com restos de tijolos na entrada de casa.

Mina d’água transforma ruas em lamaçal e atola 20 veículos em uma semana
Vicente usou pedaços de tijolos para melhorar o acesso a sua casa (Foto: Geniffer Valeriano)

“Estou arrumando aqui porque não tenho condições de entrar. O barro é demais. Se não fizer isso, não tem nem como sair. Está muito difícil, pior que fazenda cheia de barro”, desabafa.

Enquanto conversava com moradores, a reportagem observou uma equipe da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) trabalhando no local. Em nota, a pasta informou que realiza patrolamento, cascalhamento e compactação das vias para melhorar a trafegabilidade e garantir mais segurança.

A Prefeitura também foi questionada sobre a mina d’água e possíveis soluções definitivas para o problema, mas não houve retorno até o momento.

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