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Lado Rural

Fretes de grãos recuam em maio, mas seguem até 42% acima do mesmo mês de 2025

Conab aponta acomodação sazonal, enquanto demanda e custos sustentam cotações elevadas

Por Anderson Viegas | 02/07/2026 13:19
Fretes de grãos recuam em maio, mas seguem até 42% acima do mesmo mês de 2025
Valor do frete recuou em maio, mas continua bem acima do patamar praticado em 2025 (Foto: Arquivo)

O mercado de fretes rodoviários de grãos em Mato Grosso do Sul entrou em uma fase de acomodação em maio, após o pico da movimentação provocado pela colheita da soja. Apesar do recuo registrado em parte das rotas na comparação com abril, os valores permaneceram entre 13% e 42% acima dos praticados no mesmo mês de 2025, refletindo a demanda firme por transporte e os elevados custos operacionais.

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Os fretes rodoviários de grãos em Mato Grosso do Sul recuaram em maio após o pico da colheita da soja, mas seguem de 13% a 42% acima dos valores de maio de 2025, segundo a Conab. Das 17 principais rotas monitoradas, 12 tiveram queda mensal e três alta. A demanda por transporte continua firme, puxada pelas exportações de soja, pela indústria e pelo abastecimento interno, enquanto os custos operacionais permanecem elevados.

Boletim Logístico da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) mostra que 12 das 17 principais rotas monitoradas no Estado registraram queda nos fretes em maio em relação ao mês anterior. Os recuos variaram de 2% a 9%, enquanto três rotas apresentaram alta.

Na comparação com maio do ano passado, porém, todas as rotas permanecem mais caras. As maiores variações foram registradas entre Sidrolândia (MS) e Rio Grande (RS), com alta de 42%, Dourados (MS) e Rio Grande (RS), com avanço de 40%, São Gabriel do Oeste (MS) e Maringá (PR), além de Sidrolândia (MS) e Santos (SP), ambas com aumento de 27%.

Segundo a análise da Conab, o comportamento dos fretes reflete uma acomodação típica do calendário agrícola após o encerramento da colheita da safra de verão, sem perda de dinamismo do mercado. Mesmo com menor pressão logística, o escoamento da produção continuou intenso, impulsionado pelas exportações de soja e pela demanda da indústria e do setor de proteína animal das regiões Sul e Sudeste.

Outro fator que influenciou o mercado foi o avanço da segunda safra de milho. Durante maio, os produtores concentraram esforços no desenvolvimento das lavouras e na preparação dos armazéns para receber a nova produção, adotando uma estratégia de retenção comercial do cereal.

No comércio exterior, Mato Grosso do Sul exportou 900 mil toneladas de soja em maio, gerando receita de US$ 385,6 milhões, impulsionada principalmente pela demanda da China. Em sentido oposto, as exportações de milho permaneceram zeradas pelo segundo ano consecutivo no período, direcionando parte da demanda por transporte para o abastecimento do mercado interno.

De acordo com a Conab, os principais corredores logísticos para o escoamento da produção sul-mato-grossense seguem sendo os portos de Paranaguá (PR), Santos (SP) e São Francisco do Sul (SC).

Apesar da acomodação observada em maio, os custos operacionais continuam pressionando o setor. Os preços do óleo diesel e de outros insumos logísticos permanecem elevados, enquanto a estagnação dos prêmios de exportação nos portos do Sul e de São Paulo reduziu a atratividade dos embarques externos e reforçou o abastecimento da indústria nacional.

Na avaliação da Conab, a combinação entre demanda doméstica consistente, exportações de soja e custos elevados de operação mantém os fretes em patamares superiores aos registrados há um ano. O cenário indica que o mercado passou por um ajuste sazonal após o pico da safra, mas continua sustentado pela necessidade de movimentação da produção agrícola e pelo abastecimento do mercado consumidor.