ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JULHO, QUINTA  02    CAMPO GRANDE 29º

Lado Rural

Alta nominal do Plano Safra não repõe inflação, aponta Aprosoja/MS

Levantamento indica perda real de 2,9% no crédito e redução de R$ 29,8 bilhões no custeio agrícola

Por Anderson Viegas | 02/07/2026 12:22
Alta nominal do Plano Safra não repõe inflação, aponta Aprosoja/MS
Plano safra ampliou volume nominal de recursos, mas não repõem inflação do período (Foto: Aprosoja/MS)

O volume recorde de R$ 525 bilhões anunciado pelo governo federal para o Plano Safra 2026/2027 não representa, na prática, um aumento da capacidade de financiamento dos produtores rurais. Levantamento da Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul) mostra que a inflação acumulada no período superou o crescimento nominal dos recursos, reduzindo o poder de compra do crédito disponível.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

O Plano Safra 2026 2027 anunciou volume recorde de R$ 525 bilhões, mas a Aprosoja MS afirma que o aumento nominal de 1,7% ficou abaixo da inflação de 4,72%, o que representa perda real de 2,9% na capacidade de financiamento. A entidade destaca queda de 7,2% nos recursos para custeio e comercialização, alta de 38,1% nos investimentos e menor participação do Tesouro na equalização do crédito.

Segundo a equipe econômica da entidade, enquanto o montante do Plano Safra cresceu 1,7% em relação ao ciclo anterior, a inflação acumulada foi de aproximadamente 4,72%. Na prática, isso significa uma perda real de cerca de 2,9% na capacidade de financiamento dos produtores.

Além da perda provocada pela inflação, a Aprosoja/MS aponta uma mudança na distribuição dos recursos. O volume destinado ao custeio e à comercialização, utilizado para financiar despesas da safra, como sementes, fertilizantes, defensivos, combustíveis e demais custos operacionais, foi reduzido em 7,2%, o equivalente a R$ 29,8 bilhões.

Em contrapartida, os recursos voltados para investimentos cresceram 38,1%, priorizando linhas destinadas à armazenagem, irrigação, geração de energia renovável, inovação e modernização das propriedades rurais.

Para o presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc, o Plano Safra continua sendo um importante instrumento de apoio ao agronegócio, mas a efetividade dependerá da disponibilidade dos recursos durante o ciclo produtivo.

"O anúncio dos recursos é importante para o planejamento do setor, mas o produtor precisa olhar além dos valores divulgados. É fundamental que o crédito esteja disponível no momento em que for necessário, com condições que permitam financiar a produção e manter a competitividade da agricultura brasileira", afirma.

O analista econômico da Aprosoja/MS, Raphael Gimenes, destaca que a análise do programa deve considerar o efeito da inflação sobre os valores anunciados.

"Quando descontamos a inflação, observamos que o crescimento nominal não representa um ganho real na capacidade de financiamento. Além disso, a redução dos recursos destinados ao custeio pode limitar o acesso dos produtores ao crédito utilizado para financiar despesas da safra, como aquisição de insumos e demais custos operacionais", explica.

Na avaliação da entidade, embora o reforço das linhas de investimento seja positivo para ampliar a capacidade de armazenagem e modernizar as propriedades, esses recursos não substituem o crédito necessário para o custeio da produção.

"O aumento dos recursos para investimento é positivo, principalmente para projetos estruturantes que aumentam a eficiência das propriedades rurais. Entretanto, ele não substitui a necessidade de crédito para custeio, que é essencial para garantir o plantio e a condução da safra. O equilíbrio entre essas modalidades é importante para atender às diferentes demandas dos produtores", ressalta Jorge Michelc.

 Outro ponto destacado pela Aprosoja/MS é a redução da participação dos recursos subsidiados pelo Tesouro Nacional. Embora as taxas de juros tenham caído na maior parte das linhas de crédito, acompanhando a redução da Selic, apenas 24,8% dos recursos para investimento terão equalização do governo federal. Os outros 75,2% dependerão das instituições financeiras e das condições de mercado.

Segundo o analista econômico Linneu Borges Filho, isso pode influenciar a oferta de crédito ao longo da safra.

"A redução das taxas de juros é uma notícia positiva, mas é preciso olhar também para a origem desses recursos. Com uma participação menor do Tesouro Nacional, uma parcela maior do crédito dependerá das instituições financeiras. Isso pode influenciar a disponibilidade e as taxas efetivamente praticadas ao longo da safra", avalia.

Para os médios produtores enquadrados no Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural), o Plano Safra prevê aumento de 5,1% no volume de recursos e redução da taxa máxima de juros de 10% para 9% ao ano.

Na avaliação da Aprosoja/MS, além do volume anunciado, será determinante acompanhar a velocidade de liberação dos recursos, a disponibilidade de crédito nas instituições financeiras e as condições efetivas de contratação durante a safra 2026/2027.