Nova pesquisa reforça efeitos da creatina, mas não como anti-inflamatório
Estudo aponta que a suplementação não reduz significativamente os marcadores inflamatórios
A creatina, suplemento popular entre atletas e frequentadores de academia, pode ajudar no desempenho físico, mas não há evidência consistente de que funcione como anti-inflamatório no organismo. A conclusão é de uma revisão sistemática com meta-análise feita por pesquisadores da Unesp (Universidade Estadual Paulista), com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).
RESUMO
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Pesquisadores da Unesp publicaram na revista Frontiers in Immunology uma revisão sistemática que concluiu não haver evidências consistentes de que a creatina funcione como anti-inflamatório. O estudo analisou ensaios clínicos randomizados e constatou que reduções em marcadores como PCR e interleucina-6 foram pequenas e clinicamente irrelevantes. O suplemento segue reconhecido por melhorar força e recuperação muscular, mas seu suposto efeito anti-inflamatório não é comprovado.
O trabalho analisou ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo, considerados mais robustos para avaliar efeitos em humanos. O estudo foi publicado na revista científica Frontiers in Immunology e avaliou o impacto da suplementação de creatina sobre biomarcadores inflamatórios, como PCR (proteína C reativa), interleucinas e citocinas.
A conclusão central é simples: até agora, os dados disponíveis não permitem afirmar que a creatina reduza de forma relevante esses marcadores. A dúvida ganhou força porque estudos feitos em animais ou em células de laboratório já indicaram possível ação anti-inflamatória da substância. O problema, segundo os pesquisadores, é que resultados desse tipo nem sempre se repetem em pessoas.
Nos ensaios analisados, alguns efeitos apareceram em situações muito específicas, como exercícios intensos e prolongados. Em atletas submetidos a altas doses por poucos dias, houve redução de certos marcadores ligados à inflamação após provas extenuantes. Isso sugere um possível papel na resposta ao esforço físico extremo, mas não autoriza tratar a creatina como anti-inflamatório de uso geral. Em outros grupos, o resultado foi diferente.
Estudos com idosos e pacientes com osteoartrite, por exemplo, não encontraram redução significativa em marcadores inflamatórios mesmo após semanas de suplementação. Em alguns casos, ganhos de força ou melhora funcional pareceram estar mais ligados ao exercício físico do que ao suplemento.
A revisão também observou que as reduções médias em marcadores como PCR e interleucina-6 foram pequenas demais para serem consideradas relevantes do ponto de vista estatístico ou clínico. Isso não significa que a creatina “não serve”. A substância segue reconhecida por seu efeito no desempenho físico, especialmente em força, potência e recuperação muscular.
O que o estudo questiona é outro ponto: a ideia, cada vez mais repetida, de que ela teria efeito anti-inflamatório comprovado. Outro dado importante é a segurança. De modo geral, a revisão aponta que a suplementação foi bem tolerada nos estudos avaliados, inclusive em protocolos curtos com doses mais altas e em pesquisas com idosos e pacientes com condições clínicas. Não foram observados eventos adversos relevantes nos trabalhos analisados.
Mesmo assim, os pesquisadores reforçam que o uso deve ter orientação profissional. A necessidade de suplementação varia conforme idade, rotina, treino, alimentação e condição de saúde. Na prática, a creatina continua sendo uma opção conhecida para melhorar desempenho físico em determinados contextos. Mas vender o suplemento como solução contra inflamação, por enquanto, é forçar a barra.
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