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Saúde e Bem-Estar

Vacina contra HPV para jovens de 15 a 19 anos é prorrogada até dezembro

Medida mira adolescentes que perderam a dose na idade recomendada; Ministério da Saúde cobra busca ativa

Por Ângela Kempfer | 30/06/2026 13:58
Vacina contra HPV para jovens de 15 a 19 anos é prorrogada até dezembro
Enfermeira aplica vacina em adolescente de Campo Grande (Foto: Arquivo)

Adolescentes de 15 a 19 anos que ainda não foram vacinados contra o HPV terão mais tempo para receber a dose pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O Ministério da Saúde prorrogou até 31 de dezembro deste ano a estratégia de resgate vacinal para jovens que não foram imunizados na idade indicada.

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O Ministério da Saúde prorrogou até 31 de dezembro a campanha de vacinação contra o HPV para adolescentes de 15 a 19 anos que ainda não foram imunizados pelo SUS. A medida foi necessária porque a cobertura ficou abaixo do esperado: até junho, apenas 287.647 dos mais de 600 mil jovens previstos haviam sido vacinados. A pasta orienta estados e municípios a realizarem ações em escolas e outros espaços frequentados pelos adolescentes.

A campanha terminaria neste mês, mas foi ampliada porque a cobertura ainda está abaixo do público esperado. Em ofício, a pasta afirma que houve avanço no resgate, mas que os números continuam insuficientes para alcançar mais de 600 mil adolescentes previstos na estratégia.

Segundo reportagem da Agência Brasil, até junho, 287.647 jovens de 15 a 19 anos haviam sido vacinados contra o HPV no país. Do total, 124.172 eram do sexo feminino e 163.502 do sexo masculino.

No documento, o ministério defende que estados e municípios reforcem a vacinação fora das unidades de saúde, com ações em escolas, universidades e outros espaços de circulação dos adolescentes. A lógica é simples: se o jovem não aparece no posto, a vacina precisa ir onde ele está. Burocracia não imuniza ninguém.

A pasta também orienta parcerias com sociedades científicas, conselhos profissionais, organizações não governamentais, igrejas e meios de comunicação para ampliar a divulgação sobre a segurança e a eficácia da vacina.

Na rotina do calendário nacional, a vacina contra o HPV (papilomavírus humano) é indicada para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. Desde 2024, o Brasil passou a usar o esquema de dose única para esse público, substituindo o modelo anterior de duas aplicações.

Para pessoas imunocomprometidas, como pacientes com HIV/aids, pessoas em tratamento contra câncer e transplantados, o esquema continua sendo de três doses. A mesma regra vale para usuários de PrEP (profilaxia pré-exposição ao HIV), entre 15 e 45 anos, e para vítimas de violência sexual a partir dos 15 anos.

O vice-presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), Renato Kfouri, explica que o HPV está ligado principalmente ao câncer de colo do útero, mas também pode causar tumores em outras regiões, como ânus, boca, cabeça, pescoço, vulva e vagina.

Segundo ele, a vacina tem melhor resultado quando aplicada antes do contato com o vírus, que é transmitido principalmente por via sexual. “Ao vacinar antes da exposição ao vírus, você consegue obter o melhor desempenho da vacina”, afirmou.

Kfouri também destaca que vacinar meninos e meninas aumenta a proteção coletiva, porque reduz a circulação do vírus. Países que adotaram a vacinação ampla registraram queda em verrugas genitais e em cânceres relacionados ao HPV, especialmente o de colo do útero.

“É uma vacina extremamente segura e altamente eficaz. Uma das mais eficazes que nós já desenvolvemos no mundo”, disse o médico.