ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
SETEMBRO, QUINTA  24    CAMPO GRANDE 19º

Saúde e Bem-Estar

Você dorme, mas seu coração descansa? Sono ruim pode cobrar preço alto

Noites mal dormidas sobrecarregam o sistema cardiovascular e estão associadas a maior risco de infarto

Por Cassia Modena | 24/09/2026 05:36
Você dorme, mas seu coração descansa? Sono ruim pode cobrar preço alto
Homens são as maiores vítimas de infarto em todo o mundo (Foto: Juliano Almeida)

Dormir mal não é prejudicial apenas para o cérebro, mas também para o coração. Uma das consequências de ter poucas horas de sono ou não atingir o estágio profundo de repouso, dia após dia, é o maior risco de infartar antes dos 40 anos.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Dormir mal aumenta o risco de infarto antes dos 40 anos, segundo especialistas. A privação do sono mantém o sistema nervoso hiperestimulado, liberando adrenalina e cortisol, que elevam a pressão arterial e sobrecarregam o coração. O uso excessivo de telas, estresse e rotinas desorganizadas prejudicam o sono reparador. No Brasil, internações por infarto em jovens cresceram 180% entre 2000 e 2024, segundo o Ministério da Saúde. O ronco também agrava o problema, favorecendo hipertensão e obesidade.

O cardiologista Délcio Gonçalves da Silva Júnior, chefe do setor de Cardiologia do Humap (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian) da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e da rede HU Brasil, confirma.

“Durante uma noite de sono, nosso corpo precisa desacelerar a tal ponto que o cérebro não precise cuidar tanto assim da nossa integridade física”, começa o médico. O esperado é que diminuam a frequência cardíaca, a pressão arterial, o ritmo de respiração, a temperatura da pele e a atividade do sistema digestivo "para o cérebro poder pensar só nele”, completa o médico.

Mas quando o sistema nervoso permanece hiperestimulado, o corpo acaba não desligando totalmente durante o sono e libera hormônios da vigília como a adrenalina e o cortisol. Aí é que entra o coração.

As substâncias hormonais enviadas à corrente sanguínea acabam mantendo o órgão mais ativo do que o necessário durante o sono. “A frequência cardíaca vai ficar mais alta, a pressão vai subir, mesmo que à noite não precise”, diz o cardiologista.

“Se a pessoa passar o dia todo com uma ativação normal do coração e durante a noite continuar com a pressão alta, como se ela estivesse acordada, vai haver uma sobrecarga cardíaca do sistema cardiovascular ou orgânico. É preciso descansar e relaxar. Ninguém precisa de uma pressão 12/8 à noite”, explica o médico.

Você dorme, mas seu coração descansa? Sono ruim pode cobrar preço alto
O cardiologista Délcio Gonçalves da Silva Júnior, do HU da Capital (Foto: Cassia Modena)

Segundo o cardiologista, a pressão arterial ideal durante o sono gira em torno de 90 a 100 mmHg, podendo ser até mais baixa em alguns, sem que haja um problema necessariamente.

O sono reparador é crucial para que o corpo funcione dentro do ritmo circadiano, lembra Délcio. Esse é o nome que se dá ao conjunto de mudanças biológicas que acontecem no corpo humano durante aproximadamente 24 horas. Elas ajudam o organismo a funcionar conforme períodos de luz e escuridão. É como se fosse um relógio interno que regula as funções do corpo, principalmente o sono e manter-se acordado.

Estresse e luz de eletrônicos - Um dos hormônios liberados em meio ao ritmo circadiano para avisar o cérebro que é hora de dormir é a melatonina. Sua produção é ativada quando o sol se põe e o céu começa a escurecer.

Neurologista e professora do curso de Medicina da Uniderp, em Campo Grande, Aline Marques afirma que uma das principais vilãs do sono é atualmente a luz azul emitida por TVs, computadores e celulares. Ela confunde o cérebro sobre o tempo de dormir e o de ficar acordado.

“Esse excesso do uso de telas até tarde da noite atrapalha o início do sono e a manutenção dele durante a noite. A pessoa exposta à hiperestimulação, tanto envolvendo eletrônicos quanto com excesso de atividades à noite vai ter impacto negativo no sono e a geração de hormônios noturnos, reduzindo as chances de ter um sono reparador”, descreve.

Passar o dia estressado e muito atarefado também influencia. “Quem fica envolvido em múltiplas tarefas ao longo do dia, sem um adequado intervalo entre uma e outra, sem um planejamento dessa rotina semanal, deixando para fazer muitas coisas no mesmo dia, além de diminuir seu desempenho no trabalho, vai ter um impacto muito negativo no sono”, afirma a médica.

Números - De acordo com dados do Ministério da Saúde, de 2000 a 2024, as internações por infarto em pessoas com menos de 40 anos aumentaram 180% no Brasil. Ao analisar os dados de Mato Grosso do Sul dos últimos quatro anos e meio, observa-se uma oscilação desses episódios na mesma faixa etária, sendo 2022 o ano mais expressivo (72) e 2025 o que teve menos casos (49). O total no período foi de 320, com 17 óbitos. Não há comprovação científica de que qualquer aumento tenha relação com vacinas ou outros fatores externos.

Você dorme, mas seu coração descansa? Sono ruim pode cobrar preço alto
Arte: Campo Grande News

Mesmo sem causas genéticas envolvidas, o infarto pode ocorrer em decorrência de estresse crônico, obesidade, má alimentação e sedentarismo —  presentes num estilo de vida que sobrecarrega o coração.

"Temos estudos comprovando que essa redução da qualidade de sono e a redução do número de horas de sono noturno estão relacionadasao maior risco de infarto agudo do miocárdio, além de redução da resistência à insulina, aumentando a chance do paciente desenvolver diabetes, aumentando a chance de desenvolver obesidade", finaliza a neurologista.

Profissionais da saúde e da segurança pública, além de outros trabalhadores que lidam com estado de alerta constante e excesso de informações e estímulos, têm mais chance de infartar por influência de um sono ruim, como concordam os dois médicos.

Roncar - O ronco é outra coisa que acaba exigindo mais trabalho do coração e, consequentemente, aumenta a exposição a doenças crônicas e a um infarto.

Délcio detalha. "Uma das causas de pressão alta e de não perder peso, é roncar, porque ela fica com disglicemia, alteração de resistência a insulina, aumenta o colesterol. É uma das causas de infarto e de fibrilação atrial, é um sono ruim, principalmente se a pessoa ronca muito", conclui.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.