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Campo Grande, Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018

14/05/2018 23:49

Acidentes causam R$ 3,7 bilhões em prejuízo na economia de MS

O dado corresponde ao que seria gerado pelo trabalho das vítimas caso não tivessem se acidentado.

Adriano Fernandes
Em dezembro do ano passado, motociclista morreu ao ser atingido por uma camionete na rua Brilhante, esquina com a rua Vicente Solari, na Vila Bandeirantes - região sul de Campo Grande; as motos são responsáveis pelo maior número de acidentes no Brasil e também de vítimas, segundo estudo. (Foto: Marcos Ermínio/Arquivo) Em dezembro do ano passado, motociclista morreu ao ser atingido por uma camionete na rua Brilhante, esquina com a rua Vicente Solari, na Vila Bandeirantes - região sul de Campo Grande; as motos são responsáveis pelo maior número de acidentes no Brasil e também de vítimas, segundo estudo. (Foto: Marcos Ermínio/Arquivo)

Os acidentes no trânsito que mataram 625 pessoas e deixaram outras 992 com invalidez permanente em 2017, representaram um prejuízo de R$ 3,7 bilhões na economia de Mato Grosso do Sul - 4,82% no PIB (Produto Interno Bruto) do Estado.

O dado corresponde ao que seria gerado pelo trabalho das vítimas caso não tivessem se acidentado, conforme pesquisa do CPES (Centro de Pesquisa e Economia do Seguro) da Escola Nacional de Seguros.

O estudo tem como base os indicadores do DPVAT (seguro obrigatório de automóveis) e ainda apontou um aumento no número de vítimas fatais e com invalidez permanente no Estado, se comparado a anos anteriores - de 991 em 2016 para 1.617 pessoas inválidas por acidentes no ano passado.

Contudo, o impacto total das perdas produtivas foi 63,2% maior no período. O fator que mede a perda da capacidade produtiva é chamado de VEV (Valor Estatístico da Vida), ou seja, o quanto cada brasileiro é capaz de produzir em sua vida.

Nacional - Em todo o Brasil, a violência do trânsito provocou um impacto econômico de R$ 199 bilhões no ano passado, ou 3,04% do PIB nacional. As perdas correspondem a acidentes que mataram 41,1 mil pessoas e deixaram 42 mil com invalidez permanente no país. Na comparação com 2016, o impacto foi 35,5% maior.

Os dados ganham ainda mais relevância no mês em que é celebrado o Maio Amarelo, movimento que busca conscientizar a sociedade para a importância do trânsito seguro. “O que mais chamou atenção é que o Brasil vinha de um período de queda dos indicadores de violência no trânsito. Mas, nesse último ano, os números dispararam, voltando ao cenário de 2015. E com características muito preocupantes: 90,5% das vítimas estão na fase economicamente ativa e mais de 74% dos acidentes envolvem motocicletas, fazendo com que 59% dos acidentados sejam os próprios condutores”, alerta a economista Natália Oliveira, do CPES, coordenadora do estudo.

Problema crônico do trânsito - As motos representam apenas 27% da frota nacional de veículos, mas são responsáveis pelo maior número de acidentes no Brasil e também de vítimas: foram 285.662 sinistros no ano passado. Os homens respondem por 88% das indenizações por morte em acidentes com motocicletas. No caso de acidentes de motos que resultaram em sequelas permanentes, 79% das indenizações também foram para vítimas do sexo masculino.

“A motocicleta é também o meio de transporte de classes menos favorecidas, está tirando de circulação uma boa parte da população economicamente ativa”, acrescenta Natália.

Trânsito mais perigoso - São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro lideram as estatísticas de perdas decorrentes dos acidentes de trânsito. O impacto econômico nesses estados foi de R$ 31 bilhões, R$ 19,5 bilhões e R$ 15,5 bilhões, respectivamente. Segundo os registros, em São Paulo morreram 6.103 pessoas em acidentes no ano passado – quase o dobro de toda a Região Norte.

O Rio de Janeiro registrou 2.692 mortes no trânsito, caindo uma posição entre os Estados que têm a maior quantidade de mortos no trânsito brasileiro. Já o Nordeste lidera em número de acidentes com invalidez permanente: 16.328, sendo 4.499 no Ceará e 2.249 na Bahia.

O Centro-Oeste sofreu a maior perda em comparação com o Produto Interno Bruto: o impacto da violência no trânsito consumiu 4,86% do PIB regional, seguido das regiões Nordeste (3,8%), Sul e Norte (3,4% cada). Goiás, por exemplo, registrou 1.784 mortes em acidentes e 2.595 casos de invalidez permanente, o que representou impacto de R$ 9,3 bilhões (5,4% do PIB). Mas há casos em que a situação é muito mais grave. Em Tocantins, a perda chega a 7,1% do PIB estadual, recorde no País.

No mundo - Em todo o mundo, o trânsito mata cerca de 1,25 milhão de pessoas a cada ano e deixa entre 20 e 25 milhões de feridos. Trata-se da nona causa de mortes. Para enfrentar o problema, as Nações Unidas lançaram, em 2011, a Década de Ação pela Segurança no Trânsito 2011-2020, na qual governos de todo o mundo se comprometem a tomar novas medidas para prevenir os acidentes no trânsito. A meta é reduzir pela metade o número de vítimas até o fim da década.



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