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O que muda para quem curte viajar com economia e liberdade

Por Paulo Nonato de Souza | 22/01/2022 08:27
Os mochileiros campo-grandenses Bleine Conceição Bach e Wicky Martins Semões nas pirâmides do Egito em dezembro de 2021 (Foto: Arquivo pessoal)
Os mochileiros campo-grandenses Bleine Conceição Bach e Wicky Martins Semões nas pirâmides do Egito em dezembro de 2021 (Foto: Arquivo pessoal)

A vida de mochileiro não está nada fácil desde que a pandemia da Covid-19 se espalhou pelo mundo em 2020. De cara, as restrições de fronteiras, confinamentos e distanciamento social dificultaram os deslocamentos. Chegamos em 2022 com um quadro global animador por conta do avanço da vacinação, mas ainda preocupante para quem encarou a acessibilidade, liberdade e economia nas viagens como um modo de vida.

Mochileiro é quando você viaja sozinho ou em grupo gastando o mínimo em hospedagens, alimentação e transporte, levando na mochila apenas o necessário para não pesar nas costas e ainda servir de travesseiro quando for preciso. É o tipo de viagem onde o foco é a sensação de liberdade com o máximo de economia.

“Mochileiro de verdade só dorme em albergue porque lá ele paga apenas uma fração do preço que pagaria se ficasse em um hotel, mas com a pandemia até os albergues estão com preços inacessíveis”, reclama o douradense João Pedro Pereira de Souza, que vive em Campo Grande e há 10 anos decidiu fazer um mochilão pela América do Sul como um rito de passagem da adolescência para a idade adulta e nunca mais viajou pelo modo tradicional. “Não curto mais viajar para ficar no conforto dos hotéis e comer em restaurantes de grife”, ressaltou.

Segundo ele, a complicação no planejamento já começa pelos deslocamentos aéreos. “Antes da pandemia havia muitas ofertas de companhias aéreas de baixo custo, mas agora está muito mais difícil achar uma passagem barata. Pelo que percebo o segmento low-cost (companhias aéreas que oferecem baixas tarifas) virou coisa do passado, algo nada bom para os mochileiros”, avalia João Pedro.

Mas não é só isso. A vacinação avançou, atualmente são 148 milhões de brasileiros 100% vacinados,  69,6% da população, as portas do mundo estão se abrindo para quem parte do Brasil, porém, há novos componentes nada agradáveis aos mochileiros, como os gastos com os testes de PCR negativo exigidos na partida e na chegada ao destino da viagem.

“Sim, o teste PCR pode dificultar mesmo a vida dos mochileiros. Cada país tem um preço. Fui com meu esposo para o Egito em dezembro e esperava que lá fosse mais barato, mas o Real está bem desvalorizado e pagamos 1.200 libras egípcias, algo em torno de R$ 480. Pelos protocolos da viagem tivemos que fazer o teste antes de sair do Brasil e pagamos R$ 180”, disse a mochileira Bleine Conceição Bach, de Campo Grande.

É um gasto que se faz necessário pelo novo normal imposto pela pandemia, mas que complica a vida de quem se acostumou a viajar como dono do seu destino, sem luxo para comer ou dormir e gastando o mínimo possível de dinheiro. Neste caso, a dica é optar por destinos onde os testes são fornecidos gratuitamente.

Bleine contou que há 6 anos fez seu primeiro mochilão e gostou da ideia de viajar sem roteiro rígido, levando na mochila apenas coisas essenciais. Significa, entre outras coisas, se hospedar em pousadas e hostels, mas tem suas vantagens que vão além da economia. “A mochila é muito mais prática para se movimentar, mudar de cidade, pegar transporte”, lembrou Bleine.

Ela é o marido Wicky Martins Semões viajaram por 20 dias pelo Egito com foco especialmente na parte histórica. “Mas o Egito não é só história, a natureza do país é incrível, o Rio Nilo, o deserto do Saara, o Mar Vermelho, tudo lá é especial, além da religião muçulmana que é predominante no país, e essa diferença cultural é um grande aprendizado”, comentou.

O fato é que “fazer mochilão”, como é conhecido o modo de viajar por conta própria com uma mochila nas costas, segue fascinando pessoas de todas as idades. Veja abaixo 5 dicas para quem pretende iniciar na vida de mochileiro em 2022:

1 - Tenha o Certificado de Vacinação em mãos:

O Certificado Internacional de Vacinação é o documento que comprova a vacinação contra doenças. Ele é necessário porque alguns países exigem o documento para a entrada em seu território. Alguns destinos são mais restritivos com seus requisitos sobre a Covid-19. Antes de fazer a mochila, trate de verificar exatamente o que precisa apresentar no embarque ou no momento da chegada. Por exemplo, veja se terá de fazer um teste de PCR no aeroporto de destino ou 72 horas antes do seu voo. Outra providência fundamental: tenha em mãos o certificado de vacinação, em português e inglês, porque você certamente será questionado sobre esse documento em algum lugar por onde passar.

2 - Estime os gastos do seu mochilão:

Com as datas e o destino definidos, é hora de calcular quanto custará fazer o seu mochilão. Inclusive, é nesta etapa que alguns viajantes descobrem que os gastos serão mais altos do que ele imaginava. Se for o seu caso, troque o destino, sem crise.

Alguns gastos que você não pode se esquecer de colocar na ponta do lápis, são: passagem aérea ou de ônibus, seguro viagem, gastos com documentação (como emissão de passaporte), hospedagem, alimentação, deslocamentos internos, entretenimento (passeios e atrações turísticas), saídas noturnas e compras.

3 - Atente-se para a documentação:

Se o seu mochilão é fora do Brasil fique atento aos documentos que precisará para viajar. Além do clássico passaporte válido, em alguns casos você também precisará de visto, seguro viagem, certificado internacional de vacinação contra Covid-19, febre amarela ou outros tipos de vacina, e o comprovante de reserva da sua hospedagem. Cada destino têm seus próprios critérios e regras sobre a pandemia. Verifique isso com atenção antes de viajar para não ter nenhum contratempo.

4 - Não se esqueça do seguro-viagem:

Imprevistos acontecem o tempo todo. Apesar de alguns perrengues renderem histórias engraçadas, quando se trata da nossa saúde, ou algum problema mais sério, o ideal é que esteja preparado. Além disso, um seguro viagem também pode ser bastante útil no caso de extravio de bagagem.

5 - Você não precisa de tanta roupa:

Não exagere na hora de arrumar sua mochila. A ideia de que precisamos levar uma troca de roupa para cada dia da viagem, na prática, não é bem assim que funciona. Independente de quantos dias será a sua viagem, tenha em mente que é mais prático – e não tão caro – você lavar suas roupas do que ficar carregando peso desnecessário.

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