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Porto Jofre, o paraíso fica no final da Transpantaneira

Por Paulo Nonato de Souza | 05/09/2020 08:32
No período da seca, de junho a novembro, a presença de turistas em Porto Jofre é de 90% de estrangeiros interessados em avistar onças na beira do rio (Foto: Divulgação)
No período da seca, de junho a novembro, a presença de turistas em Porto Jofre é de 90% de estrangeiros interessados em avistar onças na beira do rio (Foto: Divulgação)

É natureza pura e selvagem que você quer? Então o seu destino pode ser Porto Jofre, um distrito do município de Poconé, localizado na região sul de Mato Grosso, próximo da divisa com Mato Grosso do Sul (em linha reta são 324 km até Corumbá), lugar da maior concentração de onças-pintadas do mundo e o acesso de carro pela estrada Transpantaneira é um verdadeiro safári, tamanha a quantidade e a diversidade de bichos pelo caminho.

Quem vai ao Pantanal sempre tem a expectativa de avistar onças, ainda que o objetivo seja a pesca, porém, nem sempre isso é possível. São animais arredios e raramente são flagrados na natureza, mas em Porto Jofre, onde os avistamentos são a partir de barcos, e não de safári, como no Pantanal Sul, essa não é uma missão difícil, pelo contrário.

Além do número bastante elevado da espécie, algo em torno de 8 a 9 felinos a cada 100 km, segundo Rafael Hoogesteijn, supervisor da ONG Panthera Brasil, que desde 2014 trabalha diretamente na preservação de onças-pintadas no Pantanal, em Porto Jofre elas são acostumadas com a presença humana.

Talvez isso tenha a ver com trabalho da ONG Panthera Brasil, focado na integração e conscientização dos pecuaristas com a preservação da onça-pintada, como uma espécie importante para o turismo de observação de animais e geração de emprego e renda. As propriedades são cercadas, os bovinos mais frágeis ficam protegidos, e a matança de felinos por ataques ao rebanho apresenta significativa redução.

“Apenas localmente o turismo de observação de onças movimenta por ano US$ 7 milhões (R$ 40 milhões pelo câmbio atual). Isso mostra que a integração da preservação com o ecoturismo pode ser viável economicamente para os produtores rurais e para o meio ambiente”, disse Rafael Hoogesteijn ao Campo Grande News.

A região do Porto Jofre tem a maior concentração de onças-pintadas do mundo com 8 a 9 felininos a cada 100 km (Foto: ONG Panthera Brasil/Reprodução)
A região do Porto Jofre tem a maior concentração de onças-pintadas do mundo com 8 a 9 felininos a cada 100 km (Foto: ONG Panthera Brasil/Reprodução)

Até os turistas brasileiros que antes “invadiam” o Pantanal apenas no período de pesca, entre fevereiro e maio, com a pandemia e as dificuldades de viajar para lugares de praia ou para o exterior, por conta das regras sanitárias, agora estão descobrindo que há muito mais do que pescaria para apreciar na maior planície alagada do mundo.

“Os brasileiros estão cada vez mais interessados no que o turista estrangeiro sempre veio ver no período de junho a novembro: ver e fotografar animais silvestres em seu habitat natural. Os brasileiros estão descobrindo o Brasil”, disse Adriane Pina, sócia-proprietária do Santa Rosa Pantanal Hotel, uma das principais referências do turismo na região de Porto Jofre, localizado às margens do rio São Lourenço.

Em Porto Jofre são tantas onças que o Santa Rosa Pantanal Hotel prepara um desafio inédito para a temporada de 2021. “Quem se hospedar no hotel e não avistar pelo menos uma onça-pintada em dois dias terá o dinheiro da diária de volta”, anunciou Bruno Ceolin, também sócio-proprietário do hotel. A programação para o próximo ano, incluindo a promoção, deverá ser lança em outubro.

A rodovia MT-060, mais conhecida como Transpantaneira, com 147 km de chão batido e a travessia de 125 pontes de madeira desde Poconé a Porto Jofre (Foto: Fernando Martinho/Reprodução)
A rodovia MT-060, mais conhecida como Transpantaneira, com 147 km de chão batido e a travessia de 125 pontes de madeira desde Poconé a Porto Jofre (Foto: Fernando Martinho/Reprodução)

COMO CHEGAR - Partindo de Cuiabá para Porto Jofre são 104 km de asfalto pela MT-060 rumo a Poconé e depois mais 147 km de chão batido com a travessia de 125 pontes de madeira pela Transpantaneira. É uma extensão da rodovia MT-060 que teve sua obra iniciada em 1972, no auge do milagre econômico brasileiro para ligar as cidades de Poconé (MT) e Corumbá (MS), cruzando o Pantanal de norte a sul, e acabou abandonada pelo governo federal em 1976.

A versão pantaneira da Transamazônica, outra rodovia da década de 1970, também inacabada, é uma espécie de cartão de apresentação do Pantanal, mesmo com os incêndios florestais, que este ano foram bem mais severos no Pantanal Norte, em comparação com os danos das queimadas de 2019, provocando estragos na fauna e na flora ao longo de quase toda a estrada.

Segundo os ambientalistas, é o pior período de queimadas na região desde o fim da década de 1990, mas o normal é que durante o trajeto desde Poconé a Porto Jofre, em meio a muitos solavancos do veículo, você esteja preparado para ver jacarés, capivaras, tuiuiús, sucuris, veados campeiros, só para citar alguns em uma lista certamente interminável. Como o aterramento que elevou a estrada gerou lagoas que ficam cheias até no período de seca, a Transpantaneira concentra muita vida animal em suas margens.

Por tudo isso, fazer a viagem de carro é um programa inesquecível, mas há a alternativa de chegar de avião a Porto Jofre. Na propriedade do Santa Rosa Pantanal Hotel tem um campo de pouso com pista homologada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). “No período de pesca recebemos pelo menos 10 voos semanais e normalmente tem 5 ou 6 aviões no pátio”, comentou Bruno Ceolin. Desde Cuiabá, o voo tem duração de 50 minutos.

Se você decidir encarar a aventura pantaneira até Porto Jofre, pela Transpantaneira ou de avião, saiba que não há muitas opções para comer, então uma boa dica é optar pelo sistema tudo incluso, hospedagem e alimentação. O Santa Rosa Pantanal Hotel oferece o all inclusive com passeios e pescaria a R$ 1.300,00 por pessoa, mas se o visitante optar apenas por hospedagem e alimentação a diária sai a R$ 700,00 por pessoa.

Vista privilegiada do rio São Lourenço a partir da área de piscinas do Santa Rosa Pantanal Hotel (Foto: Divulgação/Assessoria)
Vista privilegiada do rio São Lourenço a partir da área de piscinas do Santa Rosa Pantanal Hotel (Foto: Divulgação/Assessoria)


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