ACOMPANHE-NOS    
JANEIRO, QUINTA  21    CAMPO GRANDE 21º

Lugares por Onde Ando

Vai viajar de avião? Você precisará de vacina contra a Covid

Por Paulo Nonato de Souza | 01/12/2020 07:32
Aeroportos e companhias aéreas se adaptaram à pandemia com higienização, uso de máscaras e álcool em gel, agora a novidade deve ser a vacina contra a Covid (Foto: Campo Grande News/Arquivo)
Aeroportos e companhias aéreas se adaptaram à pandemia com higienização, uso de máscaras e álcool em gel, agora a novidade deve ser a vacina contra a Covid (Foto: Campo Grande News/Arquivo)

A vacina contra a Covid-19 não está disponível no mercado. A última atualização da Organização Mundial de Saúde (OMS) com resposta a essa questão fundamental, em 28 de outubro, diz que “Ainda não. Muitas vacinas potenciais estão sendo estudadas, e vários grandes ensaios clínicos podem relatar os resultados antes do final de 2020”. Mas, enquanto isso, surgem as discussões sobre a exigência do atestado de vacinação para viajar de avião.

Trata-se do Travel Pass (Passe de Viagem) que a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), entidade que representa 290 companhias aéreas no mundo, incluindo as brasileiras, pretende lançar entre janeiro e março de 2021. A exigência de atestado de vacinação para viajar não chega a ser uma novidade para os brasileiros, já que muitos destinos nacionais e internacionais pedem o certificado de imunização contra a febre amarela, por exemplo.

Mas, considerando o temor das pessoas em relação a cada nova vacina, como ainda acontece em relação a imunização contra a gripe, lançada no Brasil em 2009, a iniciativa da IATA poderá significar muitos lugares vazios nas aeronaves por um longo tempo da sua implantação.

O Passe de Viagem propõe compartilhar dados de saúde dos viajantes entre governos, empresas aéreas e laboratórios, e não dispensaria o resultado do teste RT-PCR exigido atualmente em grande parte dos destinos pelo mundo (no Brasil só o arquipélago de Fernando de Noronha exige).

Em um aplicativo ainda em desenvolvimento, o IATA Contactless Travel, os viajantes poderão, por exemplo, guardar certificados de testes e vacinação com acesso para as companhias aéreas e autoridades alfandegárias, além de poder acessar seus certificados disponibilizados pelos laboratórios e centros de testagem credenciados.

“Então, quando as primeiras doses da vacina contra a Covid-19 forem lançadas nos próximos meses, você terá que provar sua imunização para embarcar em um avião?”, questiona a Fast Company, uma revista americana sobre tecnologia e inovação. “Está chegando o passaporte de imunização para viagens aéreas, mas deveriam?”, enfatiza.

As companhias aéreas se adaptaram à pandemia com políticas de higienização, uso de máscaras e álcool em gel, e certamente não teriam muita dificuldade para aderir à novidade, mas uma das perguntas que se faz sobre a iniciativa da IATA é quanto ao cumprimento das normas do Passe de Viagem, se a própria entidade internacional tem poder para isso ou se isso caberá aos governos de cada país.

“A questão é se as companhias aéreas devem ser os árbitros da política de saúde pública”, disse o americano Jeffrey Kahn, diretor do Instituto de Bioética Johns Hopkins Berman e professor de bioética e políticas públicas, em nota publicada pela Fast Company.

Seu exemplo, embora focado no ambiente interno americano, vale para qualquer país: “Cidadãos americanos ainda estão proibidos de viajar para o Canadá e para a maior parte da Europa devido às altas taxas de infecção de Covid-19 nos Estados Unidos, mas com base em regras que são impostas pelos governos desses países, não pelas companhias aéreas que atendem essas regiões”.

Nos siga no Google Notícias
Regras de comentário