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Campo Grande, Terça-feira, 17 de Outubro de 2017

29/08/2011 06:02

O império está ruindo?

Por Sibá Machado (*)

A ambição humana parece não ter limites para o poder. Tal sentimento é responsável por conflitos e guerras ao longo da história, que configura e reconfigura o espaço social entre os povos e nações.

A delimitação de territórios, ostenta de certa forma também o poder. Território e territorialidade acabam tornando-se um dos ramos da geografia que procura explicar as relações e os sistemas econômicos desde o período neolítico quando as mulheres inventaram a agricultura e com isso, assumiram também o poder sobres seus maridos.

A economia precisou realizar as trocas, as trocas geraram o comércio, este forçou a geração de excedentes, o excedente criou por sua vez a acumulação, que inevitavelmente foi parar na mão de DONOS e estes pegaram em armas para proteger suas fortunas que sempre lhes pareciam insuficientes. Isto ocorreu em todos os sistemas econômicos .

Bem, o comércio teve que se espacializar pelo mundo, ou por bem, ou por mal e tal fator forçou a criação dos impérios! Os impérios no período Feudal, eram na base da ocupação física e da anexação de territórios. Deste modo, para ocupar territórios declaravam guerras, saqueavam, nominavam representantes e ainda estupravam as mulheres dos soldados vencidos para assim destruí-los moralmente.

Se olharmos bem, o império, ao se instalar, cria quatro tipos de relações com o território ocupado: 1) aqueles entreguistas que aceitam o regime; 2) aqueles que ficam assustados e com isso imobilizados; 3) aqueles indecisos e sem uma liderança forte e 4) aqueles odiosos e com extrema dificuldade de reação. Portanto, o império precisa impor poder, riqueza, inteligência e medo aos dominados.

Assim, um império vai durar até o momento em que os odiosos conseguirem convencer os assustados e indecisos de que o império é como um tigre de papel, podendo ser enfrentado, vencido e enxotado de seu território.

Aos poucos o sistema capitalista modernizou a forma da ocupação de territórios principalmente após a II Guerra Mundial. A partir de então, preferiram dominar territórios novos com a “ameaça bélica”, o domínio cultural, o domínio tecnológico e principalmente o domínio econômico.

Ao centro do império o Bem Estar Social, aos dominados, o flagelo. Porém, nem tudo é eterno! O capitalismo tem em seu seio, segundo rigorosos estudiosos do sistema, o principio mor da contradição. Ou seja, o próprio sistema é a própria contradição e tal contradição gera as crises provocadas, não pela baixa capacidade produtiva, mas pelo contrário, se dá pela super producão e esgotamento de mercado e de lucro.

Cientistas apostam que as crises do capital são cíclicas e inevitáveis, e que dependendo de sua profundidade, culminará em guerras, ou no mínimo, depositar o prejuízo na conta de países e povos mais pobres do mundo, uma das razoes da globalização.

Voltando ao império, entendo que este, quanto mais cresce, mais reação provoca contra si, abreviando o seu fim. Haverá um esgotamento do modelo, haverá contradições internas e externas ao sistema e este devera fazer concessões ou ruirá mais rapidamente.

Isto é o caso dos EUA como farol do mundo? Hitler e outros tentaram isso a seu modo. Li vários textos sobre isso, mas não vi ninguém arriscar tal afirmação. Porém, há algo de novo no front. Até o final do século XX, as crises por menor que fossem em países do centro econômico era devastadora nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. E agora? Os emergentes, em que pese a desgraça que assola a vida dos europeus e o medo de ficar pobre aterrorizando as famílias norte americanas. Os BRICS parecem estarem imunes a essa devastação.

Textos do Núcleo de Assuntos Estratégicos do governo brasileiro e o tal “Relatório da CIA” fizeram recomendações aos emergentes para ocuparem espaços mais avantajados no cenário econômico e político mundial nas três primeiras décadas do século XXI: forte distribuição de renda; forte investimento na produção, infraestrutura, educação, ciência e tecnologia; abertura de novos mercados; fortalecer o mercado interno, radicalizar na democracia; superar a miséria, o analfabetismo e demais desigualdades sociais, etc.

Aí eu pergunto: mas este não é exatamente o programa de governo dos governos Lula e Dilma? E os BRICS estão neste caminho? Se esta avaliação estiver correta (e eu acho que está), o império poderá até não ruir, mas terá que se readaptar e abrir novas concessões, como exemplo, o Conselho de Segurança da ONU.

Será? Eu aposto no Flamengo!

(*)_Sibá Machado é deputado federal (PT-AC).

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