19 de abril: o que comemorar junto aos povos originários?
Neste 19 de abril de 2026, há sim o que comemorarmos como povos originários destas terras. Poderia ser muito mais, no entanto alguns avanços passam já a ser celebrados pelos quase dois milhões de indígenas hoje presentes na atualidade do Brasil.
Em primeiro lugar, um motivo de enorme comemoração tem a ver com o quão o país aos poucos volta o seu olhar, de forma muito mais interessada, à questão da demarcação das terras indígenas. Por mais que uma terrível política anti-indígena continue a ser estrategicamente forjada e a nós direcionada como violenta arma de ataque e de destruição, muitos aliados têm-se colocado não só na defesa, como também no apoio concreto e irrestrito às lutas pelas retomadas e, posterior, demarcação de nossos territórios.
- Leia Também
- O “chilling effect” e a erosão do pensamento nas ciências sociais
- Determinantes geopolíticos da saúde
Na sequência, o estereótipo do indígena congelado no tempo colonial e pré colonial e ligado apenas a espaços rurais que, pouco a pouco, tem sido não somente combatido, mas também cada vez mais condenado ao desaparecimento. As milhares de presenças indígenas por todo o Brasil comprovam a autonomia dos direitos de ir e vir, da continuidade da escrita da história de existência e de resistência, da opção de ser indígena em qualquer parte do país e a pluralidade de expressões dos povos originários nos mais variados lugares em solo brasileiro.
Outro importante ponto a ser destacado e, consequentemente, considerado digno de celebração tem a ver com a forma como as línguas indígenas passam a ser muito mais valorizadas, principalmente desde a década passada. O falar, o ensino, a pesquisa, a escrita e a catalogação, tudo isso relacionado às línguas indígenas demonstra a importância dada a essa temática, a continuidade da presença e história dos povos originários no Brasil e um legado para o futuro, pelo qual as culturas, os costumes e história dos indígenas jamais sofram a ameaça de extinção e destruição.
Não pode ser esquecido o olhar mais atento dado ao passado, nos últimos anos, pelo qual o país acaba por conhecer a forma como os indígenas passaram a ser tratados a partir da chegada dos europeus a estas terras. Começando pelos contatos iniciais, seguindo pelo estabelecimento da colonização portuguesa, passando pelo Império, início da República, primeira metade do século XX, a ditadura militar de 1964 a 1985 e chegando à virada rumo ao século XXI, a história tem demonstrado o quanto os indígenas foram e continuam sendo alvo de ações atrozes objetivando a destruição das identidades, culturas e costumes dos povos originários.
Por fim, os postos que são alcançados pelos indígenas em vários âmbitos da sociedade nacional são exemplos balizadores para um dia de grandes e memoráveis celebrações. Um promotor de justiça, um juiz, uma ministra de Estado, um escritor na Academia Brasileira de Letras são alguns dos exemplos bem recentes que comprovam: onde um indígena quiser chegar, ali o mesmo alcançará o seu intento, através de um caminho traçado por ele e somente por ele.
Que, em um futuro bem breve, e isso logo adiante, possamos comemorar inúmeras e outras importantes conquistas relacionadas diretamente a nós os povos originários deste Brasil. Viva o nosso 19 de abril!
Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.

