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A arte de esperançar

Por Jonathan Aguiar (*) | 27/11/2020 08:42

O racismo existe. A desigualdade social é latente. O corpo negro ainda é visto em alguns espaços como objetificação. O preconceito e os estereótipos entorno do gênero, raça, cor e sexualidade estão presentes na vida cotidiana tanto que falar sobre os povos periféricos, a cor de sua pele é urgente. Urgência maior é reconhecer e ampliar as vozes de mulheres negras, jovens favelados, crianças periféricas. Somos potência!

Dia 20 de novembro é celebrado o Dia da Consciência Negra. Precisamos sim reconhecer que o povo preto é que levanta esse país e por suas mãos, lutas e lágrimas continuam resistindo e fazendo a sua história. História essa que precisa ser contada na primeira pessoa como nos ensina a intelectual Giovana Xavier conhecida como pretadotora.

Recuperemos o diário de uma favelada negra, Carolina Maria de Jesus que nos conta o que é ser periférica, negra e assim nos ensina os dilemas de sua vida ao cuidar, educar e defender suas ideias em tempos em que a mulher negra estava a margem da sociedade.

No jornalismo elas dão outros sentidos e representações sociais na lucidez de Flávia Oliveira, Maju Coutinho e Glória Maria. Agora temos a grande conquista da primeira vice-presidente dos EUA: Kamala Harris! Logo, o negro não é apêndice, sua narrativa é investida de cultura, costumes, tradições, profissionalismo, dedicação e ancestralidades que precisam ser valorizadas. Viva os meus antepassados, viva as minhas raízes, as aprendizagens que nasce do chão e que florescem entre as marcas da vida que são (foram) gestadas por minhas avós Dulce e Maria Elisa.

O combate à exclusão continua ora em força de lei, ora nas propostas educativas que podem acontecer dentro dos espaços escolares e não escolares. Nesse dia, mesmo com mulheres negras em destaque e que abre as portas para outros jovens se sentirem representados, é importantíssimo evidenciarmos também as violências que ocorre com a população negra, as desigualdades que ainda são cruéis e fatais.

No entanto, é momento de refletir sobre o racismo estrutural e seu impacto na vida e na essência humana. A luta não deve ser isolada é com o coletivo que acolhe novas esperanças, criatividades e o movimento de dizer se mulheres, homens, jovens, crianças negras e faveladas se sentem representadas é porque outras esperanças foram brotadas. Viva!

(*) Jonathan Aguiar é mestre em Educação pela UFRJ

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