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Campo Grande, Quarta-feira, 20 de Junho de 2018

23/04/2014 09:39

A mão do gato e o bálsamo

Por Ruben Figueiró (*)

Há mais de 60 anos tenho militância na política. O despertar para ela foi num dia do mês de agosto de 1945, quando da visita do Brigadeiro Eduardo Gomes a Campo Grande, em campanha eleitoral para a presidência da República - isso resultante da queda do Estado Novo, o regime ditatorial de Getúlio Vargas. Fui um espectador.

Os anos se passaram e vivi neles momentos que a história de nosso país registra como dos mais importantes para a sua evolução democrática – com percalços, evidentemente. Como espectador, ouvinte ou mero participante, conheci muitos dos atores do que chamaria de “o grande palco da política nacional”, aqui incluindo os do nosso Mato Grosso Uno. De um deles, ouvi e gravei: “Quanto mais se vive, mais aguçado fica nosso instinto de espectador”. Nada mais exato posso afirmar nesta minha fase outonal da vida.

Aqui, com o instinto de observação da poltrona em que me encontro, vejo que o PT não é tão só o culpado pelo que de preocupante, aos olhos e ouvidos da opinião pública, se lamenta na vida da Nação, e sim o seu maior aliado: o PMDB.

Esse age com a mão de gato. Arranha a vítima (o governo), deixa marcas. Depois, rápido, cobra e bem para lhe aplicar o bálsamo. E o PT a isso se acostumou: após o desastre de sua participação no mensalão e ao registrar o apoio solícito do PMDB em 2002: Lembram-se?

Aí ocorreu a oportunidade e conveniência de sua aproximação com o ardiloso felino e a ele, o PT, entregou-se de corpo e alma, como se assiste. O ex-presidente em arroubos sebastianistas reage. A presidente, com seu temperamento contido, como se permitisse, tal como o chiado de uma panela de pressão, acalma-se com o bálsamo aplicado por hábeis lideranças daqueles que um dia foi o partido da resistência democrática.

Lembram-se, são recentes os atos de estudada rebeldia com que o PMDB acicata o PT na Câmara dos Deputados e logo a seguir vem a ação balsâmica adrede preparada pela maioria peemedebista no Senado e a base do governo se acalma. O que está explodindo nos paiós e depósitos da nossa Petrobrás é o óleo sujo da corrupção, do compadrio, das negociatas. O PT despreparado para deslindar as filigranas dos contratos redigidos em termos de sofisticada malandragem, afundou-se com o episódio de Pasadena. Agora, mais uma vez depende do glutão parceiro para evitar a CPI exclusiva.

Tudo o que acontece no Planalto Central tem repercussão dos pampas sulinos, das florestas úmidas do Amazonas, da Mata Atlântica, do árido Nordeste aos campos e pantanais do Centro-Oeste. Em todos os lugares, dos palácios às choupanas miseráveis dos grotões distantes, o clamor é uníssono: exige-se a CPI, exigi-se a apuração da verdade. Aí está a mão do gato e o custo será alto para que ele mesmo aplique o bálsamo em que se transveste o PMDB. O PT é apenas uma figuração animada, atônito. Leva a má fama e o PMDB, pançudo, regurgita e observa.

(*) Ruben Figueiró é senador pelo PSDB-MS.

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