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28/12/2014 11:45

A república da sauna

Heitor Freire

Campo Grande, esta cidade maravilhosa que não me canso de louvar e de exaltar, se caracterizou como a Babel que deu certo, segundo nosso historiador, cronista, sambista, compositor, poeta, turismólogo e escritor, Edson Contar. Concordo plenamente com a definição do Edson.

A cidade nasceu pela iniciativa do fundador José Antônio Pereira (bisavô do Edson Contar), que aqui aportou no ano de 1872. Mineiro, devoto fervoroso de Santo Antônio, implantou o seu rancho na confluência dos córregos Prosa e Segredo, dando início, assim, à nossa cidade que foi crescendo mineiramente, devagarito nomás, em progressão ascendente.

Por aqui aportaram pessoas oriundas de diversos estados brasileiros, assim como imigrantes de vários países que se congregaram, trabalhando, contribuindo com o suor de seus rostos, com suas inteligências, competências, dedicação e amor à nossa terra, para o engrandecimento de nossa cidade.

Assim também, naturalmente, foram nascendo pontos de encontro que, com o desenvolver dos costumes e da cidade, duraram uns mais, outros menos: o Armazém do Troncoso, a loja do Gabura, o bar do Paulo e o bar do Zé (que foi até citado em artigo da revista Piauí). Destes, remanescem o bar do Zé, que continua com o seu café preparado em coador de pano e o Troncoso, embora tenha desativado o Armazém. O bar do Vitorino, enquanto permaneceu na rua Cândido Mariano, também foi ponto de encontro. Hoje virou restaurante, na vila Glória, com frequência de A a Z da nossa população.

Com o crescimento da cidade, sentiu-se a necessidade de um local para congregar a sociedade e assim, no dia 25 de dezembro de 1924, nasceu o Rádio Clube, que como o nome está a indicar, surgiu como ponto de encontro para se ouvir o rádio, que era o único veículo de comunicação da época inicial da cidade. Ao longo dos tempos, o Rádio Clube se tornou o local de reunião da sociedade local. No próximo dia 25 vai completar 90 anos.
Com a convivência, alguns jovens associados do clube decidiram, nos idos de 1970, procurar um lugar para construir uma sauna. Tentou-se inicialmente o Círculo Militar. Enquanto as tratativas se desenvolviam, resolveram procurar a diretoria do Rádio Clube, que aceitou sediar a sauna. Foram 110 os fundadores da sauna, do quais uma grande parte ainda vive.

A sauna também é representativa da nossa Babel, porque ali estão representadas as mais variadas profissões. A sauna proporciona a todos uma igualdade de posições, ali ninguém é melhor do que o outro. Pertencer à sauna implica uma atitude que cultiva a igualdade.

A sauna se constituiu num local de grandes discussões. Ali se fala de tudo, desde futebol, acontecimentos da cidade, do estado, de mulheres, da vida do clube, e, naturalmente, política. Candidaturas já foram lançadas no espaço democrático da sauna.

Personagens históricos ali se perpetuaram, como o engenheiro Walmor Rocha Soares, que dá nome a sauna, por ter sido um dos grandes batalhadores para a sua realização e também autor do projeto e da construção do local.

O “fundão” homenageia outro grande saunista, José Eduardo Rolim, Zé Rolim. A sala de repouso tem o nome do Hamid Moussa Tannus Hanna. Se fôssemos nomear os personagens que se destacaram na história da sauna do Rádio, teríamos uma lista imensa, tantos são os seus frequentadores que ficaram consagrados.

A sauna está a merecer um livro registrando a sua existência, mencionando todos os que se destacaram de diversas maneiras. Eu mesmo vivi momentos marcantes naquele local.

Assim, a sauna se perpetua como ponto de encontro dos adeptos da boa conversa, da convivência que acabou tornando-os amigos, solidários, companheiros, uma grande confraria.
A República da Sauna a todos abriga com um sentimento de igualdade e de amizade.

*Heitor Freire é corretor de imóveis e advogado.

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