Medo de empréstimo devorar aposentadoria faz Neide ser 1ª da fila na Defensoria
A idosa conta que saiu das Moreninhas às 8h30 e chegou ao Centro após pegar dois ônibus
Às 11h de terça-feira (dia 21), o sol que abafa a cidade na hora do almoço encontra Neide de Almeida Cardoso, de 68 anos, sentada na escada aos pés do prédio da Defensoria Pública, na Rua Antônio Maria Coelho, Centro de Campo Grande.
RESUMO
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Neide de Almeida Cardoso, de 68 anos, enfrenta dificuldades financeiras devido a um empréstimo consignado que consome sua aposentadoria. Ela chegou cedo à Defensoria Pública de Campo Grande, após pegar dois ônibus, para buscar ajuda. Com problemas de saúde, incluindo um marcapasso, Neide relata que o desconto em folha a impede de comprar alimentos e medicamentos. A Defensoria Pública, que oferece assistência jurídica gratuita, encaminhou seu caso para uma nova data. Outra moradora, Zilda da Silva, também aguardava atendimento para ajudar um amigo com documentos. A instituição é essencial para garantir os direitos de quem não pode pagar por um advogado.
Ela só terá acesso a uma das 160 cadeiras da recepção às 12h, quando o local abre as portas. Mas, para quem tem um empréstimo com desconto em folha devorando a aposentadoria, a pressa é impositiva. É mais uma história na série sobre filas, iniciada nesta semana pelo Campo Grande News para mostrar que, à primeira vista, é só espera, mas na prática, pode ser dignidade preservada ou negada.
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Neide conta que saiu das Moreninhas às 8h30 e chegou ao Centro após pegar dois ônibus. “E vim direto aqui. Estou sentada porque cansa né. Problema de coração, marcapasso. Se tiver que desmaiar, você desmaia aqui fora. Tem dia que o coração está batendo a 40, tem dia que vai para 60, tem dia de taquicardia”, conta a idosa.

Ela relata que foi lesada num empréstimo consignado feito em Corumbá, com valor de R$ 48 mil. “Estão descontando há anos. Não está sobrando para comer e nem para o medicamento. Acabei vindo hoje, nem estou muito legal, mas estou sentada. Vou esperar me atenderem e vou embora”.
No dia seguinte, por telefone, ela contou à reportagem que foi feito um encaminhamento e terá que voltar no dia 4 de março.

Também na porta da Defensoria Pública, Zilda da Silva, 47 anos, veio do Bairro Vida Nova 3. Para chegar ao Centro, também foi necessário pegar dois ônibus. Ela conta que já sabia que a espera seria longa, mas preferiu chegar mais cedo.
A ida ao local é para buscar informações para auxiliar um amigo, que precisa de acesso a documento para fazer identidade.
A Defensoria Pública se define como “instituição essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a orientação jurídica e a defesa, em todos os graus, dos necessitados”. Ou seja, o defensor público representa os direitos do cidadão que não pode pagar por um advogado.
Opções de atendimento - A instituição informa que o atendimento é realizado de forma presencial ou virtual. Para acessar a plataforma digital, clique aqui
Quanto ao horário de atendimento, que vai das 12h às 19h, o órgão aponta que foi para se alinhar ao TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) e MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).
“Por isso, o atendimento ao público realizado no período matutino, pela Defensoria Pública, como era feito anteriormente, dificultava o acesso às demais instituições do sistema de justiça que atendem em turno único”, detalha a nota enviada ao Campo Grande News.
Em 2025, foram 392.422 atendimentos no Estado, sendo 152.034 em Campo Grande. Na unidade da Rua Antônio Maria Coelho, que atende demandas nas áreas do consumidor, fazenda pública e moradia, foram 33.655 atendimentos em 2025, com média mensal de 2.804 registros.
Veja os endereços em Campo Grande:
Unidade Afonso Pena - Av. Afonso Pena, 3850 – Centro. Fone: (67) 3313-4919
NUDEM – Defesa da Mulher
NUDECA – Defesa da Criança e Adolescente.
Unidade Belmar - Rua Arthur Jorge, 779 – Centro. Fone: (67) 3313-5800 / 5835
NUDEDH – Direitos Humanos
NUFAM – Família e Sucessões
Unidade Centro - Rua Antônio Maria Coelho, 1668 – Centro. Fone: (67) 3317-8757
NUCCON – Núcleo do Consumidor
NUFAMD – Núcleo da Fazenda Pública
Unidade Fórum - Rua da Paz, 14. Fone: (67) 3317-4300
NUCRIM – Criminal
Defesa do Homem
Auditoria Militar e Tribunal do Júri
Barão de Melgaço - Rua Barão de Melgaço, 128. Centro | Fone: (67) 3317-4300
NAS – Atenção à Saúde
NUSPEN – Sistema Penitenciário
Segunda Instância - Rua Raul Pires Barbosa, 1464. Chácara Cachoeira. Fone: (67) 3317-3676
Casa da Mulher Brasileira - R. Brasília, Quadra 2 s/n. Jardim Imá.
Telefone: (67) 3314-7620
Ir diretamente às Unidades da Defensoria Pública instaladas na Rede Fácil, que funcionam de segunda a sexta-feira das 8h às 12h e das 13h às 17h, nos seguintes endereços:
• Defensoria Fácil Aero Rancho: Av. Mal. Deodoro, 2606 – Aero Rancho.
Fone: (67) 3314-8886
• Defensoria Fácil Guaicurus Av. Gury Marques, 5111 – Jardim Universitário.
Fone: (67) 3317-8888
• Fácil General Osório Rua Santo Ângelo, 51 – Coronel Antonino.
Fone: (67) 3314-8764.
Matéria editada em 2 de fevereiro para acréscimo de resposta da Defensoria Pública.
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