A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Domingo, 20 de Outubro de 2019

26/09/2019 06:43

Cortinas de fumaça

Por Malu Nunes (*)

A Amazônia está atraindo a atenção do mundo para o país com a mais rica biodiversidade do planeta. O Brasil torna-se palco de onde animais, plantas e ecossistemas ardem com o fogo. Dados e informações são divulgados diariamente, apontando que novos focos de incêndio surgem na região, alastrando-se e multiplicando-se com maior facilidade devido ao período de seca.

Para muitos, essa realidade parecia distante, sem impactar o dia a dia, até que, de uma hora para outra, cidades do Centro-Oeste e Sudeste escurecem em plena tarde. Partículas de fumaça produzidas na Amazônia percorreram quilômetros e cobriram o sol em grandes metrópoles. Esse foi o sinal de alerta, mostrando que – sim – vivemos em um mesmo planeta e o que ocorre lá longe também pode ter impacto nas nossas vidas, sobretudo quando falamos de meio ambiente.

Entre boatos e constatações sem fundamentos, podemos destacar alguns fatos: o fogo pode ser um acontecimento natural, mas também uma atividade criminosa, que coloca em risco a biodiversidade, a saúde humana e o desenvolvimento econômico do país. A presença de focos de incêndio em áreas naturais é, infelizmente, algo recorrente. Contudo, a situação vem se agravando, considerando que o histórico de queimadas demonstra que esse tipo de episódio aumenta a cada ano.

O desmatamento é o principal fator para o aumento das queimadas na Amazônia. A derrubada de árvores torna as terras mais secas e vulneráveis e o fogo acaba sendo usado para destruir restos vegetais em áreas já desmatadas com o intuito de preparar o solo para a agricultura e a pastagem – e isso acontece até com a floresta ainda em pé. A justificativa é a “limpeza” da região, além da fertilização a partir das cinzas.

Porém, essa prática também traz muitos prejuízos. O fogo e a fumaça agravam problemas respiratórios – especialmente em crianças e idosos –, prejudicam a qualidade do solo, intensificam a emissão de gases do efeito estufa e colocam em risco a biodiversidade. Um exemplo é o impacto do potássio, presente nas cinzas. Com a chuva, a substância é carregada para os rios, intoxicando e provocando a morte de muitos peixes.

É necessário o monitoramento terrestre e aéreo para identificar focos de queimada, degradação florestal, exploração madeireira e outras formas de pressão humana. Outro meio é a fiscalização efetiva e a aplicação das penas previstas em leis para que atos criminosos contra o meio ambiente não se repitam.

Na contramão deste cenário extremamente preocupante para a saúde do planeta, é discutida a Lei do Licenciamento Ambiental, que garante autonomia a estados e municípios para que criem as próprias regras de licenciamento, sem diretrizes do Ibama. Isso abre espaço para a dispensa de licenças ambientais com o intuito de atrair investidores.

À medida que nossas áreas verdes são destruídas – seja na Amazônia, no Cerrado, na Mata Atlântica –, o processo de aquecimento global é intensificado. As árvores desempenham um papel importante ao armazenar parte do gás carbônico emitido por fontes naturais e pela atividade humana e ao renovar o oxigênio da atmosfera a partir do processo de fotossíntese. Sem esse patrimônio natural e sem esse serviço ecossistêmico, o ar deixa de ser purificado pelas árvores, que ainda liberam a matéria de carbono anteriormente armazenada. E isso intensifica a crise climática pela qual vivemos.

Junto com o fogo na Amazônia, ardem patrimônios inestimáveis para a humanidade global. Com isso, perdemos parte da nossa biodiversidade. A floresta abriga 20% de toda a fauna do planeta, além de 40 mil espécies vegetais. As queimadas podem desequilibrar ecossistemas, extinguindo algumas espécies e acelerando o desenvolvimento de outras.

A Amazônia ainda influencia o regime de chuvas em toda a América do Sul e contribui com a estabilização do clima global. Quando as árvores transpiram, cerca de 20 bilhões de toneladas de vapor são lançadas diariamente no ar, o que produz chuvas na região e ainda exporta umidade para outras localidades do país e do continente.

Sem o diálogo entre o poder público e a sociedade civil para a promoção de ações efetivas por parte do Estado e sem a conscientização da população, vamos continuar queimando florestas e, consequentemente, a imagem do Brasil ao redor do mundo, deixando de cumprir compromissos assumidos internacionalmente e degradando a natureza. Cabe a cada um de nós buscar informações confiáveis – sem nos perder em cortinas de fumaça – e escolher quais atitudes podemos ter hoje para garantir o futuro das próximas gerações.

(*) Malu Nunes é engenheira florestal.

Antônio Baiano – Um Gigante
Roseli Marla, minha cunhada querida, neste momento de profunda tristeza que todos estamos vivendo com a morte prematura do nosso querido Antônio Baia...
Projeto de lei pretende punir quem ocultar bens no divórcio
Quem milita na área do Direito de Família está, infelizmente, mais do que acostumado a se deparar com inúmeros expedientes para fraudar o direito à m...
Internet, Vínculos e Felicidade
A cada dia estamos passando mais tempo em celulares e computadores. Tanto que muitas vezes, quando maratonamos seriados, até a televisão pergunta: "t...
Origem espiritual da Profecia
Em minha obra Os mortos não morrem, transcrevo estudos abalizados e relatos interessantíssimos sobre a realidade da vida após o fenômeno chamado mort...
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions