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23/07/2014 13:16

É preciso democratizar o celular 4G

Por Bertolino Almeida (*)

A tecnologia 4G chegou ao país às vésperas da Copa das Confederações, em abril de 2013, em parte para oferecer acesso mais rápido de dados pela rede móvel celular aos milhares de estrangeiros que aportariam por aqui e que já utilizavam essa tecnologia em seus países. Mas o que se vê hoje ainda está longe de beneficiar quem importa: a grande maioria dos brasileiros. A cobertura 4G ainda é limitada no Brasil. Está presente em pouco mais de cem municípios, sendo restrita às capitais (quase todas) e algumas cidades como Búzios e Paraty (RJ), Campos do Jordão (SP), Joinvile (SC) e Uberlândia (MG).

A questão principal de difusão da tecnologia é a falta de expansão da rede. A política de telecomunicações brasileira é concentradora. A Anatel mira as gigantes do setor e parece não olhar para as operadoras menores, que podem contribuir em larga escala para a melhoria do serviço. Faltam estímulos do Governo para que pequenas operadoras e pequenos provedores cresçam no mercado.

O Brasil já tem rede de fibra óptica implantada suficiente para distribuir a banda, falta apenas promover essa expansão; mas se for colocada em prática a distribuição na ponta para cidades e regiões menos populosas, esse mercado vai ficar para os provedores de internet locais, já que as grandes operadoras não terão tempo nem estrutura para vencer essa corrida. Assim, o Governo segura politicamente essa solução enquanto as grandes operadoras vão crescendo suas redes e estruturas próprias, para também ocupar esses espaços e manter o oligopólio das telecomunicações.

As grandes operadoras priorizam seus investimentos em áreas de grande concentração populacional e, mesmo assim, de maneira deficiente. A proposta das pequenas operadoras é levar acesso rápido a redes móveis principalmente de cidades de pequeno e médio portes, porém com grande potencial de desenvolvimento econômico. Lembro que Telecomunicações é um dos setores estratégicos do país, fundamental para o crescimento de inúmeras cidades Brasil afora. Quando houver facilidade no acesso à internet rápida, todos os processos serão mais ágeis.

Atualmente, as redes 4G utilizam os mesmos locais (sites) onde já estão instalados os equipamentos e antenas das tecnologias 3G e 2G. Além disso, mesmo onde já existe cobertura, a 4G vem sendo usada em uma frequência mais alta (2,5 GHz), o que gera maior perda na propagação do sinal que as outras tecnologias e, também por isso, sua área de cobertura é menor. Com isso, aumentam as “zonas de sombra” que levam o celular a alternar sua conexão entre 4G, 3G+ ou 3G. Precisamos também utilizar a frequência de 700 MHz.

De acordo com dados da própria Anatel, de um total de 123,63 milhões de smartphones, modens e tablets no país, apenas 2,83 milhões utilizam tecnologia 4G. É possível crescer e permitir conexão rápida a mais usuários no Brasil, porém, é necessário que o governo reveja sua política de telecomunicações olhando para as pequenas e medias teles, pois em alguns casos, elas podem apresentar melhores e mais rápidas soluções.

(*) Bertolino Almeida é CEO (diretor executivo) da Minas Mais Telecom (www.minasmais.com.br)

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