Com empréstimo bilionário, MS planeja mais que dobrar malha asfaltada até 2031
Secretário Guilherme Alcântara detalhou planejamento de 6,6 mil quilômetros a serem pavimentados
RESUMO
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Mato Grosso do Sul planeja ampliar sua malha rodoviária pavimentada de 22% para 53% até 2031, saltando de 2,8 mil para 6,6 mil quilômetros. O estado conta com financiamentos de R$ 2 bilhões do BNDES e R$ 950 milhões do Banco do Brasil. Na área aeroportuária, os aeródromos homologados passaram de 11 para 20, com destaque para a ampliação do Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande.
Mato Grosso do Sul pretende elevar de 22% para 53% a parcela de rodovias estaduais pavimentadas entre 2007 e 2031. Na prática, a malha asfaltada deve passar de aproximadamente 2,8 mil para 6,6 mil quilômetros, segundo o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara.
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A projeção foi apresentada durante entrevista ao podcast Na Íntegra, do Campo Grande News, conduzida pela jornalista Maristela Brunetto. Conforme o planejamento estadual, em 2029 o número de quilômetros pavimentados deverá se igualar ao de estradas de terra, desconsiderando as vias pantaneiras.
A malha rodoviária de Mato Grosso do Sul soma cerca de 12,6 mil quilômetros. No Pantanal, porém, o planejamento não prevê asfaltamento. A estratégia é abrir e manter estradas de terra que permitam o transporte de rebanhos, o deslocamento de moradores, o acesso a propriedades e a circulação de turistas e equipes de emergência.
Segundo Guilherme, a ampliação da infraestrutura acompanha o avanço de novas atividades econômicas, principalmente nas regiões que receberam fábricas de celulose.
Na região de Inocência, por exemplo, o Estado investe na ligação com Três Lagoas pela MS-320 e na conexão com Paraíso das Águas pela MS-316. As obras atendem tanto moradores quanto o fluxo de trabalhadores e cargas ligado à construção da fábrica da Arauco.
O secretário explicou que os reparos e a conservação das rodovias estaduais são financiados com recursos do Fundersul (Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de Mato Grosso do Sul).
A arrecadação vem de setores produtivos que utilizam as estradas estaduais para transportar mercadorias. De acordo com Alcântara, o valor é suficiente para manter a malha existente, incluindo serviços como tapa-buracos, roçada e sinalização.
O fundo, contudo, não possui recursos suficientes para bancar a construção e pavimentação de novas rodovias. Para ampliar a malha, o Estado recorreu a empréstimos e financiamentos.
Um dos contratos envolve R$ 2 bilhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), destinados principalmente à pavimentação de novas estradas.
Outro financiamento, de R$ 950 milhões, foi fechado com o Banco do Brasil para obras de drenagem, saneamento e asfalto nos municípios. Já US$ 200 milhões serão aplicados em projetos do modelo Crema, voltados à restauração e manutenção de rodovias por contratos de longo prazo.
Nesse sistema, a empresa contratada restaura a estrada e permanece responsável pela conservação durante oito anos. Em vez de receber separadamente por cada reparo, a empreiteira ganha uma mensalidade vinculada à qualidade da rodovia.
Caso haja buracos, mato alto ou problemas de sinalização, o pagamento pode ser descontado. A intenção é fazer com que a própria empresa tenha interesse em executar uma obra mais resistente, já que também ficará responsável pelos custos futuros de manutenção.
“Você vai pagar uma mensalidade fixa e a empresa que cuide para não ter buraco. Se tiver buraco, ela não recebe a mensalidade”, resumiu Alcântara durante a entrevista.
Rede de aeródromos - Outro ponto destacado no podcast foi a expansão da estrutura aeroportuária estadual. Em 2023, Mato Grosso do Sul tinha 11 aeródromos em funcionamento e seis inativos por falta de homologação.
Atualmente, segundo o secretário, são 20 aeródromos homologados e apenas um em processo de regularização. No período, seis pistas foram compradas pelo Estado e outras quatro foram construídas.
Em Inocência, o aeródromo tem sido utilizado por técnicos, executivos e equipes que trabalham na implantação da fábrica da Arauco. A estrutura recebe inclusive aeronaves com capacidade para cerca de 45 passageiros.
No Pantanal, os investimentos buscam atender diferentes necessidades. Além do turismo, as pistas podem ser usadas no combate a incêndios florestais e no resgate de pessoas que vivem ou visitam áreas distantes de Corumbá.
Guilherme citou como exemplo o aeródromo em implantação na região de Porto São Pedro, na Serra do Amolar. Uma pista no local pode reduzir drasticamente o tempo necessário para socorrer uma pessoa com problema de saúde ou deslocar aeronaves contra focos de incêndio.
Em Campo Grande, o projeto de maior destaque é a ampliação do Aeroporto Santa Maria, localizado na saída para Três Lagoas.
A pista deverá passar de 1,5 para 1,8 quilômetro. Também estão previstos equipamentos meteorológicos e sistemas mais precisos de auxílio a pousos e decolagens.
Com a ampliação, o aeródromo poderá receber aeronaves maiores em situações emergenciais, incluindo modelos como Boeing 737 e Airbus. A medida também deve reduzir a concentração de aviões particulares no Aeroporto Internacional de Campo Grande.
O Santa Maria registra aproximadamente mil pousos e decolagens por mês, conforme o secretário. Embora a maior parte das operações seja privada, Alcântara afirmou que a estrutura tem impacto indireto na economia, principalmente por facilitar a chegada de empresários e investidores.
Asfalto em Campo Grande - O secretário também detalhou obras de drenagem e pavimentação executadas pelo Estado em Campo Grande.
Entre as regiões citadas estão Itamaracá, Moreninhas, Novo Samambaia, Nashville, Itatiaia, Imbirussu e Nova Lima. Nas Moreninhas 3 e 4, a previsão é concluir a pavimentação dos bairros.
No Novo Samambaia, o projeto inclui asfalto, recuperação de unidade de saúde e regularização de 463 famílias. Como a ocupação ocorreu de forma irregular, cada imóvel precisa ser analisado individualmente antes das intervenções.
Na região do Imbirussu, as obras devem avançar para completar a ligação entre a Avenida Duque de Caxias e o anel rodoviário, criando uma alternativa para aliviar o trânsito na Avenida Júlio de Castilho.
Outro projeto considerado estratégico é a ligação das Moreninhas com a Avenida Guaicurus, pela Rua Salomão Abdala. Segundo Alcântara, a obra está em fase final de licitação e abrirá uma nova rota para uma das regiões mais populosas de Campo Grande.
A desapropriação necessária ficará sob responsabilidade da prefeitura, por meio de convênio com o governo estadual. Conforme o secretário, o Estado já possui projeto e recursos para executar o acesso.
Ao encerrar a entrevista, Guilherme defendeu que as obras rodoviárias não devem ser vistas apenas como infraestrutura para escoamento da produção. “As pessoas se interligam pelas estradas e pelas ruas. Onde há rodovia, você tem progresso. Se você não leva a rodovia, você não pode pensar em progresso”, termina.
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