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26/11/2016 13:49

Economia solidária: uma outra economia é possível

Por Lourença Santiago Ribeiro (*)

As mudanças estruturais ocorridas no Brasil, a partir da década de 70, fragilizaram o modelo tradicional de relação de trabalho, interferindo na política, na economia, no mercado profissional e, por conseguinte, nas questões sociais. Essa situação podia ser observada a partir do aumento da informalidade e na precarização das relações formais de emprego, já que, devido à falta de oportunidades de trabalho, as pessoas aceitavam que seus direitos fossem negados. Nesse contexto, surgem no país alternativas ao modo de produção existente. Tais iniciativas se fundamentam nos princípios da solidariedade, da sustentabilidade, do trabalho coletivo, da cooperação, da prática da autogestão e a centralidade no ser humano.

Apesar de a Ecosol ter surgido como alternativa para geração de trabalho e renda, uma análise preliminar na literatura aponta para a existência de ao menos três vertentes, ou três abordagens diferentes para a Economia Solidária: a primeira faz um olhar para o modelo de gestão praticado por Empreendimentos Econômicos Solidários, a autogestão; a segunda discorre sobre a importância da economia solidária para organização dos trabalhadores, na geração de trabalho e renda e de inclusão social; e a terceira tem investigado a EcoSol como outro modelo de desenvolvimento, que preocupa-se com o ser humano e com o meio ambiente.

A autogestão acontece por meio da adoção de práticas que valorizam e propiciam participação, democracia, coletividade e autonomia de um coletivo. Trata-se de um exercício cotidiano de partilha, que fortalece os relacionamentos e a cooperação entre os membros do empreendimento. A horizontalidade nas relações, a transparência e a confiança são fundamentais nesse modelo de gestão. Nessa forma de organização, todos os trabalhadores participam tanto da tomada de decisão quanto de sua execução. O poder de decisão cabe, portanto, exclusivamente aos trabalhadores.

A história mostra que a EcoSol se fortalece em momentos de crise do capitalismo, foi assim na Inglaterra no século XVIII quando surgiu o movimento cooperativista, e no Brasil, no final do século XX e início do século XXI, com o surgimento do movimento denominado Economia Solidária.

Nesse sentido, tendo em vista a situação econômica e social, especialmente do Brasil e dos países da América Latina, que passam por um período de estagnação econômica, bem como de diminuição dos postos formais de trabalho, a EcoSol constitui-se como uma possibilidade real de inclusão social, geração de trabalho e renda e de superação da pobreza, e mais, como um modelo de desenvolvimento para o país.

São muitas experiências no Brasil e no mundo que mostram que é possível produzir, distribuir e consumir de forma justa, solidária e sustentável, gerando trabalho e distribuição de renda, superando a alienação do trabalho e promovendo o bem viver.

(*) Lourença Santiago é coordenadora da Trilhas Incubadora Social Marista, do Grupo Marista.

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