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Campo Grande, Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2019

11/11/2019 07:27

Envelhecimento da população desenha uma nova geopolítica e explica os conflitos

Por Jorge Felix (*)

A guerra comercial entre Estados Unidos e China, os conflitos nas ruas do Chile, a desigualdade social crescente em quase todo o planeta, o fluxo migratório global, a desindustrialização brasileira, as mudanças climáticas e a chamada 4ª revolução industrial. Qual fenômeno percorre todos esses eventos e os influencia? O envelhecimento populacional. A dinâmica demográfica, inédita na história do capitalismo, está construindo uma nova geopolítica. Essa é a tese principal do livro “Economia da Longevidade – o envelhecimento populacional muito além da previdência”, do jornalista e professor da Universidade de São Paulo, Jorge Félix, um dos maiores especialistas do tema no país. O livro é um dos primeiros publicados pela nova 106 Editora, em seu segmento “Ideias”, destinado a ensaios.

Nessa nova geopolítica, segundo o autor, o que está em discussão não é o fato de o Brasil envelhecer antes de ficar rico, como sempre é exaustivamente repetido no debate público, mas sim, em qual economia os países ricos envelheceram e em qual economia os países pobres estão envelhecendo. A concorrência global se transforma, para Félix, em uma “corrida populacional”, assim como o mundo assistiu, no passado, as corridas do ouro ou a armamentista. Agora, pela primeira vez na história, está em disputa “quem vai pagar pelo envelhecimento de quem” e a economia e a política sofrem esses efeitos perenes da demografia. De acordo com Félix, a corrida populacional é uma das ameaças contemporâneas para a democracia.

“A economia capitalista demorou muito para aceitar a infância e, agora, se vê diante da velhice, que ela também nunca aceitou”, diz Félix. “A longevidade, portanto, é uma grande vitória da Modernidade, mas se tornou um fator perturbador do capitalismo”, sentencia. As transformações sociais decorrentes da dinâmica demográfica do século XXI colocam países pobres e países ricos em uma disputa ainda mais acirrada. “O Brasil está atrasado nessa corrida, principalmente devido à desindustrialização precoce”, afirma o autor. Inovação, pesquisa, desenvolvimento, industrialização no segmento de produtos e serviços especificamente para o envelhecimento tornam-se, portanto, o ringue dessa guerra. É a economia da longevidade, tema que Félix introduziu no debate brasileiro, em 2007, e é a principal autoridade no país, inclusive, reconhecido internacionalmente por seu trabalho na área.

(*) Doutor em Ciências Sociais, professor de Economia no curso de Gerontologia da Universidade de São Paulo (Escola de Artes, Ciências e Humanidades), e comentarista de longevidade no Bem-Estar, na Rede Globo, Félix é um dos palestrantes mais atuantes na área do envelhecimento e sempre presente nas discussões sobre o tema na mídia nacional.

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