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16/09/2011 06:02

Escola: relação efêmera?

Por Emilia Hardy (*)

A cada ano é mais cedo que já se começa a pensar o ano seguinte – fazer planos de férias ou viagens, planejamentos gerais para a família e, assim também, as decisões sobre a escola dos filhos e as necessárias matrículas escolares.

Para os “novatos”, aquela peregrinação que hoje se tornou comum: conhecer dez ou quinze escolas para tomar a decisão. Pergunto: será mesmo necessário abrir todo o leque? Vai aqui uma sugestão: pense antes no que é relevante e faça uma pré-seleção – escolas religiosas, grandes escolas tradicionais ou pequenas escolas com um viés inovador? Aí você já terá só duas ou três opções dentro de cada estilo.

Depois disso (e como hoje, perigosamente, os discursos são todos muito parecidos e considerando-se que nas selecionadas a qualidade do espaço físico seja já um pré-requisito), sugiro seguir o seu coração na direção da confiabilidade. Quem atendeu você e qual grau de confiança e segurança foi capaz de transmitir? Se a escola for séria, vai oferecer um profissional apaixonado e competente tecnicamente para responder suas questões – e não um “guia turístico” que vai vender a escola para você.

Por outro lado, as famílias que já têm os filhos frequentando uma escola, têm cada vez mais a tendência de repensar sua decisão a cada final de ano. Este é um fenômeno mais recente, que passo a questionar.

Para além do fato de que você não vai encontrar uma escola infalível, pense comigo: a família contemporânea está cada vez mais sujeita a tomar suas decisões “de consumo” com base no que alguns teóricos chamam de “a sociedade do espetáculo”, na qual o espaço da reflexão cedeu seu lugar quase que integralmente ao Mercado, à oferta permanente daquilo que “me falta” – e não daquilo que “eu desejo”.

Com um olhar ligeiro, existem aí (no mínimo) duas questões que merecem nossa observação: a primeira é a nova percepção da escola como objeto de consumo. Se antes a família era um núcleo chamado “de produção”, hoje passou a ser, para alguns autores, um “núcleo de consumo”, com todas as implicações que daí advêm. Perigoso: a educação é um serviço que necessariamente deve envolver confiança e durabilidade – e não efemeridade..., como se caracterizam as relações de consumo.

Segunda: o impacto das transformações socioeconômicas e culturais sobre nossas decisões. Se uma das importantes marcas da contemporaneidade é a vontade de liberdade, esta tende a vir acompanhada da necessidade de mudanças rápidas – sejam na área tecnológica, na economia, nas emoções ou no nosso cotidiano.

Enfim, já é hora de refletir sobre o ano que vem e as nossas necessárias mudanças. A mudança de escola é uma delas?

(*) Emilia Hardy é psicóloga e educadora.

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